Rio Branco, AC 11 de outubro de 2026 17:12
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Quinta coluna

Ontem, 10, o empresário e ex-prefeito de Cruzeiro do Sul, Ilderlei Cordeiro, anunciou oficialmente seu apoio à candidatura de reeleição da governadora Mailza Assis (PP) no segundo turno das Eleições 2026 para o governo do Acre. Ilderlei fez divulgar que estava a largar a campanha do senador Alan Rick (Rep) para bandear-se de mala e cuia para a candidatura da adversária do Republicano. A atitude trouxe incredulidade para alguns e nenhuma surpresa para muitos.

Valores

Cordeiro fez o gesto após comandar a campanha do senador na região do Juruá no primeiro turno. Na avaliação de espectadores da política acreana, o oportunismo deve ser avaliado sob o aspecto da honra e da covardia. Remete a um traço da personalidade do ex-prefeito.

Dividendos

Ilderlei fez a travessia de uma candidatura para a outra mirando a desempenho de Mailza no primeiro turno rumo ao Palácio Rio Branco. Usou a Bíblia como escudo para explicar seu gesto, ao comparar a candidata progressista à personagem bíblica Débora, em passagem do antigo testamento. Mirou seus interesses materiais, deixando no caminho a honra e o correto proceder, após transitar com desenvoltura na pré-campanha e na campanha de Alan Rick.

Pêndulo

Ensinam os livros que a dualidade entre a honra e a covardia molda a conduta humana, o caráter e as estruturas sociais ao longo da história. Essas ações anunciam as virtudes e os defeitos que cada ser traz no seu íntimo. Enquanto a honra atua como uma bússola moral de dignidade e respeito, a covardia representa a falha em agir conforme esses valores diante do medo ou da conveniência. Foi essa mutação que caracterizou a atitude do ex-prefeito, tido e havido na cidade em que administrou como persona de péssima reputação.

Faces

Nada a opor ao procedimento da candidata Mailza Assis em aceitar o apoio, vez que na contenda política não se recusa endosso. Ocorre que esse tipo de apoio revela muito mais sobre as fraquezas e as intenções ocultas de quem o oferece do que sobre as reais necessidades ou o valor de quem o recebe.

Tradução

Quando um ato nasce da covardia, em vez de ser um pilar seguro para o outro, o gesto torna-se apenas um escudo para o covarde se proteger. Quem recebe esse “apoio” muitas vezes percebe a fragilidade e a falsidade do ato, que desmorona ao menor sinal de confronto com a lealdade. Péssimo exemplo que Cordeiro lega à sua descendência.

Desenvoltura

Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro (PL), já se movimenta nos bastidores políticos como se a vitória do ex-chefe na eleição presidencial estivesse definida. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Lauro Jardim, de O Globo, Queiroz tem procurado interlocutores para tratar de cargos em uma eventual administração de Flávio, dando a entender que teria autorização do candidato para conduzir essas conversas.

Espécie

O movimento ocorre em meio à disputa pelo Palácio do Planalto e chama a atenção pelo histórico de Queiroz, personagem central das investigações sobre o esquema conhecido como “rachadinha” no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Personagem

De acordo com a coluna do jornalista de O Globo, o ex-assessor apresenta-se nas conversas como alguém com influência sobre a possível composição de um futuro governo. Ao longo de sua trajetória ao lado da família Bolsonaro, Queiroz exerceu diferentes funções. Além de assessor parlamentar, trabalhou como motorista e segurança de Flávio Bolsonaro. Sua atuação ganhou repercussão nacional após a identificação de movimentações financeiras consideradas suspeitas e o surgimento de denúncias sobre a devolução de parte dos salários de servidores do gabinete.

Remember

O caso das rachadinhas envolveu suspeitas de apropriação de recursos provenientes da remuneração de funcionários parlamentares. Queiroz foi apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como operador do suposto esquema. Flávio Bolsonaro sempre negou envolvimento nas irregularidades investigadas.

Desfecho

As investigações foram encerradas após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que invalidaram provas utilizadas na apuração. Em abril de 2026, Flávio voltou a negar as acusações e afirmou que Queiroz tinha autonomia para atuar no gabinete.

Emersão

A ligação entre o ex-assessor e o episódio voltou ao noticiário durante a campanha presidencial. Em setembro, uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, tornou públicos detalhes de uma investigação relacionada ao caso, incluindo mensagens envolvendo Queiroz, Danielle Nóbrega e Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope.

Preposição

Apesar das movimentações relatadas por O Globo, não há, nas informações divulgadas, confirmação de que Flávio Bolsonaro tenha autorizado Queiroz a negociar cargos ou atuar como seu representante na formação de uma eventual equipe de governo.

Alvos

A mobilização dos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno se tornou um dos desafios para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República. O desafio, no entanto, vai além de convencer os eleitores a sair de casa. Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 8 de outubro mostra que 40% dos entrevistados que se abstiveram no primeiro turno afirmam que certamente não irão às urnas em 25 de outubro.

Extrato

Outros 38% dizem que provavelmente também não votarão. Apenas 22% consideram a possibilidade de comparecer, somando os que afirmam que talvez, provavelmente ou certamente irão votar. O levantamento ouviu 1,6 mil pessoas entre 6 e 7 de outubro, com margem de erro de três pontos percentuais. O resultado indica a dificuldade de mobilizar esse contingente em uma disputa na qual Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.

Estratégia

Para Lula, a redução da abstenção é a principal frente de atuação na tentativa de reverter a vantagem obtida pelo adversário. A campanha petista busca ampliar o alcance da comunicação, reforçar a presença nas ruas e mobilizar lideranças políticas e apoiadores para atrair eleitores além de sua base tradicional.

Capital político

O Nordeste, onde Lula obteve vantagem expressiva no primeiro turno, permanece estratégico para o presidente. A região, porém, já registrou uma taxa de abstenção menor do que outras partes do país, o que torna necessário combinar a mobilização dos faltosos com a preservação dos votos conquistados e a busca por novos eleitores em outros colégios eleitorais.

Desafios

A campanha também enfrenta o desafio de convencer eleitores que não compareceram por desinteresse ou insatisfação com as opções disponíveis. Nesse cenário, a comunicação sobre propostas e as tentativas de ampliar o diálogo com diferentes segmentos do eleitorado podem ter papel importante na estratégia petista. Na sexta, 9, o senador Camilo Santana (PT-CE), integrante da coordenação da campanha, afirmou que Lula vai priorizar agendas no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais — os três maiores colégios eleitorais do Brasil, e que registraram taxa de abstenção acima da média da eleição.

Preservação

Do outro lado, Flávio tem o desafio de manter a dianteira conquistada no primeiro turno e ampliar sua votação até 25 de outubro. Para isso, a campanha precisa preservar a mobilização de sua base e buscar novos votos, inclusive entre eleitores que não participaram da primeira votação.

Foco

O senador tem enfatizado temas como custo de vida, endividamento das famílias e segurança pública. A atuação de aliados políticos, lideranças regionais e apoiadores nas redes sociais também integra o ambiente de mobilização em torno de sua candidatura. Não há, contudo, confirmação pública de uma operação específica da campanha voltada exclusivamente aos eleitores ausentes.

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