Francisco Valadares Neto foi afastado cautelarmente por até 90 dias; Polícia Civil investiga possível feminicídio da médica Elyne Nogueira, assassinada em Brasiléia
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC) determinou, na noite desta terça-feira (3), a suspensão cautelar do exercício profissional do advogado Francisco Valadares Neto, investigado por suspeita de envolvimento no assassinato da ex-companheira, a médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos. O crime ocorreu na noite de segunda-feira (2), em Brasiléia, no interior do Acre.
A decisão foi assinada pela vice-presidente da OAB/AC, Thaís Moura, que exerce interinamente a Presidência da entidade. A medida tem prazo máximo inicial de 90 dias e poderá ser revogada ou substituída antes desse período, mediante deliberação do órgão competente.
Segundo a Seccional, a suspensão foi motivada pela gravidade das informações apresentadas pelas autoridades policiais sobre a possível participação do advogado no planejamento ou na contratação de um executor para matar a médica.
Suspensão não representa condenação
A OAB/AC esclareceu que o afastamento possui caráter preventivo e temporário, não representando condenação criminal, reconhecimento de culpa ou exclusão definitiva do advogado dos quadros da instituição.
A decisão ainda será submetida à análise do colegiado da Seccional. O caso também será encaminhado ao Tribunal de Ética e Disciplina, que poderá avaliar a abertura de procedimento ético-disciplinar e a adoção de outras medidas.
A entidade ressaltou que as informações consideradas nesta fase dependem de confirmação pelas autoridades responsáveis e que a repercussão do caso não afasta a presunção de inocência.
Médica foi assassinada em frente a estabelecimento
Elyne Nogueira foi morta a tiros enquanto estava com amigos na calçada de um gastrobar, em Brasiléia. Segundo as informações da investigação, um homem usando capacete se aproximou da mesa e efetuou dois disparos contra a médica.
A Polícia Civil investiga o crime como possível feminicídio e apura a hipótese de que a execução tenha sido encomendada por um terceiro.
Francisco Valadares Neto, ex-companheiro da vítima, está entre os investigados. Após o assassinato, ele foi encontrado desacordado em sua residência, em Brasiléia, e transferido para o Pronto-Socorro de Rio Branco, onde chegou entubado.
Durante reunião com representantes da Segurança Pública, o delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Paulo Buzolin, informou que o advogado deixou uma carta de despedida. No documento, porém, não teria admitido participação na morte da médica.
Tornozeleira e botão do pânico são analisados
Entre os elementos examinados pelos investigadores estão os registros da tornozeleira eletrônica utilizada pelo advogado e os alertas do botão do pânico acionado por Elyne pouco antes de ser assassinada.
O Ministério Público já havia solicitado, em duas ocasiões, a prisão preventiva de Francisco Valadares Neto, mas ambos os pedidos foram negados pela Justiça.
A Polícia Civil segue reunindo provas para esclarecer a dinâmica do assassinato, identificar o autor dos disparos e determinar a eventual participação de outras pessoas no crime. Até o momento, as suspeitas contra o advogado permanecem sob investigação, sem conclusão definitiva sobre sua responsabilidade criminal.


