Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, foi assassinada em Brasiléia. Testemunhas afirmam que a vítima acionou dispositivo de emergência antes do crime, mas nenhuma equipe de segurança teria comparecido ao local
A médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, foi assassinada a tiros na noite dessa segunda-feira (2), dentro de um bar em Brasiléia, no interior do Acre. Momentos antes do crime, a vítima teria relatado ameaças do ex-companheiro e acionado o botão do pânico, dispositivo de segurança destinado a pessoas protegidas por medidas judiciais.
Segundo a Polícia Civil, o procurador municipal, advogado e ex-vereador Francisco Valadares Neto, ex-companheiro da médica, é apontado como suspeito de ordenar o assassinato. Ele utilizava tornozeleira eletrônica e foi encontrado desacordado em casa na manhã desta terça-feira (3).
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que um homem usando capacete preto, boné vermelho, blusa azul-escura e calça bege se aproxima da mesa onde Elyne estava com amigos e efetua dois disparos contra ela. O atirador fugiu em seguida.
Vítima teria acionado botão do pânico antes do assassinato
Testemunhas relataram à polícia que Elyne vinha sofrendo ameaças do ex-companheiro, contra quem possuía medida protetiva. Na noite do crime, Francisco teria passado diversas vezes pela rua onde fica o estabelecimento.
Ainda segundo os depoimentos, a médica acionou o botão do pânico e recebeu uma ligação da central de monitoramento. No entanto, nenhuma equipe de segurança teria comparecido ao bar antes do assassinato.
Uma amiga contou aos investigadores que Elyne havia relatado uma ameaça atribuída ao ex-companheiro, segundo a qual ela não passaria daquele dia.
A polícia identificou dois boletins de ocorrência relacionados a ameaças e descumprimento de medida protetiva, registrados em 25 de agosto e 11 de setembro de 2026.
Suspeito fugiu após trocar tiros com policiais
De acordo com o registro policial, uma testemunha afirmou que, pouco antes do assassinato, um homem em uma motocicleta vermelha parou próximo ao bar e aparentemente fotografou as pessoas que estavam à mesa.
Após o crime, policiais militares localizaram um homem com características semelhantes às do atirador no bairro Ferreira Silva, nas proximidades da Escola Socorro Frota.
Ao perceber a aproximação dos agentes, o suspeito abandonou uma motocicleta e fugiu a pé. Durante a perseguição, teria disparado contra os policiais, que revidaram. O homem conseguiu escapar por uma área de mata e não foi localizado.
A motocicleta foi apreendida e encaminhada à delegacia para auxiliar nas investigações.
Polícia investiga circunstâncias do crime
A Polícia Militar encontrou Elyne caída no chão do estabelecimento, com ferimentos na região da cabeça. A morte foi confirmada pela equipe de perícia, e o corpo encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).
A investigação busca esclarecer a autoria dos disparos, a possível participação de outras pessoas no planejamento do assassinato e as circunstâncias do acionamento do botão do pânico.
Nesta terça-feira (3), a governadora Mailza Assis, a Prefeitura de Brasiléia e o Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM-AC) manifestaram pesar pela morte da médica.


