Rio Branco, AC 13 de outubro de 2026 17:19
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Nada a declarar

A campanha da governadora e candidata à reeleição, Mailza Assis (PP), enviou na data de ontem, segunda-feira, 12, uma nota oficial à TV Gazeta, afiliada da Rede Record no Acre, alegando conflito de agenda como o motivo para não participar do debate que que está previsto para acontecer nesta terça-feira, 13, às 19h15. A mesma motivação foi informada ao site AC24horas que suspendeu o debate programado para a próxima sexta-feira, 16.

Disputa

Resta lembrar que a resenha dos debates tem o fito de discutir os planos de governo dos candidatos que peleiam no segundo turno da disputa do Palácio Rio Branco, mirando uma eventual eleição ao cargo máximo do Acre no próximo quadriênio.

Alteração

Diante da ausência da candidata do Progressistas, a TV Gazeta informou que o debate será substituído por uma entrevista individual com o candidato Alan Rick (Republicanos). A entrevista com Alan Rick será realizada ao vivo no mesmo horário previamente agendado, com transmissão simultânea na TV aberta e também nos canais digitais do portal de notícias. Conquanto ao site AC24horas ainda não existe posicionamento.

Pedagogia

Os debates eleitorais são pilares da democracia e têm como objetivo central esclarecer o eleitorado para garantir um voto consciente, na medida que permitem que o cidadão conheça e compare diretamente os planos de governo de cada candidato para áreas essenciais como saúde, educação e segurança.

Ensejo

Além do mais, para aqueles atores que buscam a reeleição, permite a oportunidade de o eleitor ver promessas sendo questionadas e confrontadas imediatamente pelos adversários; a exposição da trajetória de cada ator concorrente ao cargo e as alianças e o passado dos candidatos, trazendo à tona temas de interesse público que possam não aparecer nas propagandas gravadas, além de fomentar a discussão política na sociedade, engajando os cidadãos e combatendo a abstenção eleitoral.

Oportunismo

A disputa pelo governo do Acre no segundo turno das Eleições 2026, tornou-se o exemplo prático perfeito do “malabarismo político” em voga no estado, que tem como pano de fundo a satisfação de interesses pessoais e a proteção das benesses patrocinadas pelo FPE (Fundo de Participação do Estado).

Cenário

Como sabemos, no primeiro turno, realizado em 4 de outubro de 2026, Mailza Assis liderou a disputa com 49,76% dos votos válidos (batendo na trave da vitória direta), enquanto Alan Rick obteve 32,27%. Com a abertura das urnas para a segunda etapa (marcada para 25 de outubro), iniciou-se o tradicional festival de migração de lideranças e apoiadores em busca da candidatura melhor posicionada.

Protagonismo

É o caso da doutora e ex-deputada federal Vanda Milani e anteriormente do ex-prefeito de Cruzeiro do Sul Ilderlei Cordeiro, do vice-prefeito de Feijó Juarez Leitão, do presidente regional do Democracia Cirstã (DC), Walter Damasceno, personagens que ilustram a dinâmica do “malabarismo político” retratado na nota anterior, vez que anunciaram ter mudado de lado na disputa.

Metamorfose

A doutora Vanda Milani, como é conhecida, filiada ao Republicanos — o mesmo partido de Alan Rick —, foi candidata a deputada federal pela sigla do senador, recebendo mais de R$ 2 milhões do fundo partidário dos Republicanos, protagonizando aparições televisivas tecendo leoas sobre o programa de governo de Rick e enaltecendo as qualidades pessoais do candidato, além de bombardear a condução do governo pilotado por Mailza Assis.

Zigue-zague

De súbito, logo após o resultado que retratou o desempenho de Mailza no primeiro turno, além de amargar insucesso nas urnas, ontem, 12, ela anunciou publicamente sua mudança de rumo e declarou adesão à candidatura da governadora. Para justificar o movimento aos seus 9.416 eleitores, Vanda utilizou o clássico argumento da União e Reconhecimento, classificando Mailza como uma “mulher jovem, honrada, justa e capaz”, conclamando sua base a segui-la na jornada, adiantando um número na contenda política: agora não mais o “número 10”, mas o “número 11”.

Lição

Como já foi dito aqui na coluna em recente edição, “quando um ato nasce da covardia, em vez de ser um pilar seguro para o outro, o gesto torna-se apenas um escudo para o covarde se proteger. Quem recebe esse ‘apoio’ muitas vezes percebe a fragilidade e a falsidade do ato, que, infelizmente, desmorona ao menor sinal de confronto com a lealdade”. Milani deveria ter usado seu direito ao silêncio. Contestável exemplo que a douta candidata reserva a seus seguidores.

Protagonismo

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi empurrado no feriadão para o centro de uma polêmica na campanha eleitoral por atos de seu presidente, o ministro Kassio Nunes Marques. No domingo, atendendo a um pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ele determinou a retirada do ar do canal no WhatsApp “Exército do Lula”, que já conta com 4 milhões de membros e foi criado pelo deputado André Janones (Rede-MG) em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por suposta divulgação de notícias falsas.

Pastel de vento

Ao fazer isso, Nunes Marques atropelou o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor do TSE e relator da ação de Flávio, que no sábado havia dado um prazo de 72 horas para que o senador prestasse novas informações. No início da noite de domingo, Cueva anulou a decisão de Nunes Marques, numa decisão classificada por Flávio como “complacência com fake news”.

Recarga

Na segunda-feira, Kassio Nunes Marques voltou à carga, determinando que a área técnica do TSE investigasse o “Exército de Lula” em busca das notícias falsas denunciadas pelo candidato do PL, mas os técnicos não encontraram esse conteúdo, embora apontassem “riscos eleitorais” e preocupação com a disseminação em massa de mensagens às vésperas do segundo turno das eleições.

Contestação

O presidente do TSE também tirou de circulação um jornal produzido pelo Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo, Goiás e Distrito Federal, que comparou os programas de Lula e Flávio Bolsonaro. Questionado sobre o impasse, Lula criticou as decisões, dizendo que o presidente do TSE “não pode ter lado”. Nunes Marques e André Mendonça, vice-presidente da Corte Eleitoral, foram indicados ao STF por Jair Bolsonaro.

Interferência

A sequência de decisões de Nunes Marques provocou incômodo em uma ala de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Nos bastidores, eles avaliam que o presidente da Corte está engajado na campanha de Flávio Bolsonaro. Em agosto, o ministro foi criticado por censurar uma pesquisa Atlas/Bloomberg apontando a queda do candidato do PL após a divulgação de que ele pediu dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. (Folha)

Apoios

Composta principalmente por jovens, uma manifestação de apoio a Lula ocupou no domingo doze quarteirões da Avenida Paulista, no Centro de São Paulo. Acompanhado do vice Geraldo Alckmin, de governadores, parlamentares e aliados, o presidente pediu um esforço à militância para convencer quem não compareceu no primeiro turno a votar no segundo.

Empurrão

Uma novidade na manifestação foi o trabalho pesado dos “fandoms” — grupos de fãs de diferentes artistas — para arregimentar participantes, a ponto de Lula dedicar o primeiro agradecimento “aos fandoms do Brasil”. Após o evento, Flávio Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, divulgaram um vídeo fake associando a manifestação ao uso de drogas, mas a imagem seria de fora do Brasil. A campanha do PT acionou o TSE, que determinou a retirada do vídeo.

Empecilho

Por determinação da Presidência da República, mirando a segurança do presidente, o sobrevoo de drones durante o ato na Paulista foi proibido. Com isso, o Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP, do Cebrap e da More in Common Brasil, não pôde calcular o número de participantes. Segundo as entidades, é o terceiro ato de campanha de Lula com veto a drones.

Visitas

O ministro do STF Alexandre de Moraes autorizou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe e que está em prisão domiciliar. Na decisão, entretanto, Moraes mantém a proibição de ações político-eleitorais e a divulgação, inclusive por terceiros, de manifestos e declarações do ex-presidente. As visitas estavam suspensas desde julho, após Flávio divulgar nas redes uma carta do pai. O senador diz que pretende fazer a primeira visita ainda nesta terça-feira.

Complacência

Jair Bolsonaro não levou a cabo sua tentativa de golpe de Estado porque os comandantes do Exército e da Aeronáutica se recusaram a aderir à trama, como foi relatado no julgamento no STF. Agora, conta Marcelo Godoy, os generais acreditam que, caso seja eleito, Flávio Bolsonaro terá uma postura mais moderada, sem buscar vingança contra os militares que não apoiaram a trama golpista.

Números

Divulgada na manhã de hoje, 13, a pesquisa BTG/Nexus mostra, no voto espontâneo, Flávio Bolsonaro (PL) com 48%, contra 46% de Lula. Já no estimulado, Flávio tem 48% e Lula 45%. Ambos os resultados estão dentro da margem de erro de dois pontos. Sobre o comparecimento no segundo turno, 85% dos entrevistados já decidiram que irão votar, e 6% estão propensos a comparecer. Somente 4% estão inclinados ou decididos a não votar.

Afrouxamento

O PL estuda liberar sua bancada no Senado para a votação da PEC que substitui a escala de trabalho 6×1 pela 5×2, no que deve ser seguido por outros partidos de oposição ao governo. A informação é do senador Wellington Fagundes (PL-MT), líder do bloco de oposição da Casa.

Perspectivas

A previsão é de que a primeira votação aconteça na quarta-feira e que a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), apresente um requerimento para que a segunda votação aconteça em seguida. A coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro — que critica a mudança na escala e defende o pagamento por hora — preferia a abstenção, mas os senadores do PL acham melhor se posicionar sobre o tema, uma das bandeiras do presidente Lula.

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