Rio Branco, AC 14 de julho de 2026 15:02
HOME / JAMAXI / Despertar

Despertar

Ontem, 13, a coluna reverberou o sentimento público acerca da postura da ex-deputada federal Jéssica Sales (MDB), anunciada oficialmente como a candidata a vice-governadora da chapa de Mailza Assis (PP) rumo ao Palácio Rio Branco, sem que a mesma, sequer, tenha comparecido ao ato de aliança ou mesmo se manifestado via imprensa ou redes sociais, acerca da empreitada.

Despertar

Pois bem! Pelo período da tarde findou a expectativa, vez que a ungida gravou vídeo tecendo considerações sobre o assunto, retirando do presidente do MDB, Vagner Sales – seu pai -, a condição de ventríloquo da ex-parlamentar.

Modernidade

Era Vagner que, a todo momento, verbalizava o tirocínio da protagonista acerca do cargo para o qual fora indicada pelo MDB e respondia por ela por todo e qualquer assunto. Resta lembrar que a composição aceita por Mailza envolveu idas e vindas, cargos e apoios e, também, um frenético trisal do emedebê com o adversário Alan Rick (Rep).

Justificativas

No filme veiculado, Jéssica confirmou que é pré-candidata e estará perfilada na chapa encabeçada pela governadora Mailza Assis (PP). Ainda na gravação, Jéssica explicou que sua ausência no evento que marcou a união entre o MDB e o grupo político da governadora ocorreu porque está em São Paulo realizando exames de acompanhamento. Ela relembrou que foi diagnosticada com câncer de mama no fim de 2021 e afirmou que, desde então, faz avaliações médicas anuais.

Autoanálise

Ao anunciar sua decisão, a emedebista afirmou que aceitou o convite após uma reflexão baseada em sua fé e destacou que suas escolhas são guiadas por Deus. Segundo ela, a decisão não foi motivada por interesses políticos ou busca por cargos, mas pelo propósito de servir à população acreana.

Propósitos

Jéssica também ressaltou que acredita na parceria com Mailza Assis e defendeu que ambas compartilham valores como respeito às pessoas, lealdade e compromisso com o Acre. Durante a mensagem, ela afirmou que pretende permanecer acessível à população e disse que ouvir as pessoas continuará sendo uma de suas prioridades.

Gratidão

A pré-candidata ainda agradeceu ao MDB, às lideranças do partido e aos apoiadores que, segundo ela, acompanharam sua trajetória política e permaneceram ao seu lado ao longo dos últimos anos. Ao final do vídeo, convidou a população a acompanhar essa nova etapa de sua vida pública.

Consequências

Como era esperado, a carta do ex-presidente Jair Bolsonaro lida por seu filho e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), teve repercussões legais. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio a seu pai, que cumpre prisão domiciliar.

Efeitos

Na prática, os dois só poderão se encontrar após o primeiro turno das eleições. Na decisão, Moraes afirmou que Flávio utilizou a visita para obter um documento destinado à publicação na internet, o que, segundo o ministro, burlou a proibição imposta ao ex-presidente de usar redes sociais, direta ou indiretamente, por meio de terceiros.

Explicações

O ministro também deu prazo de 48 horas para que a defesa de Bolsonaro esclareça se o ex-presidente tinha conhecimento de que a carta seria divulgada nas redes sociais. Além disso, encaminhou cópia da decisão e dos vídeos ao procurador-geral eleitoral para avaliar eventual prática de propaganda eleitoral antecipada.

Chororô

Flávio Bolsonaro classificou como “desproporcional” e “desarrazoada” a decisão de Moraes. Durante transmissão ao vivo em seu canal no YouTube, Flávio afirmou que a medida representa uma tentativa de interferência no processo eleitoral e disse que o pai foi deixado “incomunicável”. Segundo o senador, a decisão reforça um sentimento de “injustiça” entre os apoiadores do ex-presidente.

Esperneio

Flávio também criticou o que chamou de falta de critério por parte do STF, argumentando que outras cartas escritas por Jair Bolsonaro e divulgadas publicamente em ocasiões anteriores não foram alvo de restrições ou sanções semelhantes.

Similaridade

O senador também comparou as restrições impostas ao pai com o período em que o presidente Lula (PT) esteve preso, entre 2018 e 2019, dizendo que o petista pôde fazer articulação política, mandar cartas e dar entrevistas da prisão. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) rebateu, argumentando que, diferentemente de Bolsonaro, Lula não estava proibido de fazer manifestações públicas.

Ardil

“Flávio Bolsonaro não leu a carta de Jair Bolsonaro por ingenuidade. Sabia que a decisão judicial proibia o uso das redes sociais, direta ou indiretamente, e transformou a própria violação da medida cautelar em estratégia política”, contrapõe Lindbergh.

Tese

Já a defesa do senador Flávio Bolsonaro afirmou que a medida viola garantias constitucionais e direitos previstos na Lei de Execução Penal. Em nota, os advogados sustentam que a decisão retira de Bolsonaro o direito de receber visitas de familiares e de manter comunicação com o mundo exterior.

Ofício

A defesa também argumenta que Flávio atua como advogado do pai e, por isso, a restrição impede o exercício da prerrogativa profissional de comunicação entre defensor e cliente, prevista no Estatuto da Advocacia.

Repercussão

Nos bastidores do STF, ministros avaliam que Alexandre de Moraes pode ter ido além do necessário ao questionar a carta. Segundo relatos de integrantes da Corte, há dúvidas sobre a possibilidade de considerar que o ex-presidente descumpriu as medidas cautelares apenas por ter redigido o documento. Na avaliação desses ministros, não há proibição para que Bolsonaro escreva cartas durante a prisão domiciliar, o que tornaria controversa a adoção de novas sanções com base exclusivamente nesse ato.

Entendimento

Na visão do professor e jurista Wálter Maierovitch “Moraes acerta ao separar Flávio, o boneco de ventríloquo, de Jair Bolsonaro. O ex-presidente golpista não pode se manifestar sobre questões políticas, como ocorreu na carta lida por seu filho; e quem está impedido de se manifestar politicamente não pode ter porta-voz”.

Posição estratégica

Por seu turno, a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, analisando o aspecto político, enxerga que “A decisão faz da ex-primeira-dama [Michelle Bolsonaro] a principal interlocutora do marido em um momento pivotal da guerra travada com o enteado, com o avanço do calendário eleitoral na definição de palanques estaduais e realização de convenções partidárias”.

Reverso

Já a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, relata que “Na visão de interlocutores, o copo pode ser visto como meio cheio: isolado do pai, o pré-candidato teria maior autonomia para tomar decisões sobre alianças nacionais e palanques nos estados. (…) Como Jair Bolsonaro disse que ele, e não a madrasta Michelle Bolsonaro, é seu porta-voz, ela, que será praticamente a única pessoa, com exceção dos advogados, a ter contato direto com o ex-presidente, não poderá falar em nome dele”.

Paternidade

O deputado Gilberto Abramo (Republicanos-MG) aparece como autor formal de R$ 6 milhões em emendas parlamentares que, segundo a Polícia Federal, foram direcionadas pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos-MG) a municípios de Minas Gerais. De acordo com a investigação, os recursos foram liberados em dezembro do ano passado por meio de emendas de comissão.

Sujeito oculto

Embora Abramo figure nos registros oficiais da Câmara e do governo federal como solicitante das verbas, a PF sustenta que as indicações eram, na prática, comandadas por Cunha.

Tática

O governo decidiu aguardar a decisão final dos Estados Unidos sobre a imposição de novas tarifas às exportações brasileiras antes de definir uma eventual resposta ao governo Donald Trump.

Ampulheta

O prazo para a Casa Branca anunciar se colocará em vigor as tarifas adicionais de 25% e 12,5% termina amanhã. No Palácio do Planalto, a avaliação predominante é de que as medidas devem ser confirmadas. Apesar disso, negociadores brasileiros trabalham com a possibilidade de que Washington amplie a lista de produtos isentos.

Incredulidade

Ainda assim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não acredita na adoção de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. “Não vai ter tarifaço”, disse ao participar do lançamento de uma turbina movida a etanol, em São José dos Campos (SP). Nos bastidores, o governo brasileiro ainda aguarda uma última reunião com o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer. (CNN Brasil)

Relacionadas