Rio Branco, AC 13 de julho de 2026 19:24
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Composição

No final de semana finda o noticiário político foi tomado pela decisão do MDB em aderir à candidatura da governadora Mailza Assis (PP) rumo ao Palácio Rio Branco, quando os próceres emedebistas escalaram a ex-deputada federal Jéssica Sales como candidata a vice-governadora. Todas as tratativas foram encaminhadas por intermédio do pai da ex-deputada, Vagner Sales, que vem a ser o presidente regional do emedebê.

A voz do dono

Chama a atenção o silêncio sepulcral que se auto impôs Jéssica Sales diante do desafio assumido em seu nome, vez que não há registros de nenhuma declaração sua no âmbito da imprensa ou mesmo das redes sociais, acerca da empreitada que envolve sua figura política.

O dono da voz

Resta lembrar que no início do mês de abril último, Jéssica, por intermédio de um portal de notícias da cidade, que projetava seu nome como candidata à Câmara Federal, soou peremptória ao assertar que suas decisões políticas seriam anunciadas de viva voz, gesto que remete à sua autonomia política e deixa claro que possui voz própria para definir seus rumos políticos.

Percepção

A propósito do MDB, o leilão que o presidente da sigla, o ex-prefeito de Cruzeiro do Sul Vagner Sales, submeteu o partido, em nome da direção da regional, composta pelos chamados ‘cabeças brancas’, mirando a composição política com as candidaturas de Alan Rick (Rep) ou Mailza Assis (PP), onde prevaleceu esta última, tem gerado forte desgaste ao parido perante a opinião pública.

Sentimento popular

O enredo que permeou a adesão à candidatura de Mailza Assis deixou patenteado que o posicionamento da sigla obedeceu a critérios pecuniários, vez que a governista é a detentora de maiores recursos financeiros e possui a capacidade de acomodar em cargos estratégicos da gestão estadual aquinhoados de Vagner Sales e demais ‘cabeças brancas’.

Estratégia

Fugindo do desgaste, Vagner Sales optou por polarizar com o prefeito de Cruzeiro do Sul Zequinha Lima, que por esses dias resolveu sair da órbita da candidatura de seu partido, na figura de Mailza Assis (PP) e engrossar a caravana de Alan Rick.

Acusações

Durante o anúncio oficial da aliança entre o MDB e a pré-candidata ao governo Mailza Assis (PP), Vagner Sales fez duras críticas públicas a Zequinha Lima, acusando-o de traição. O dirigente do MDB chamou abertamente o prefeito de Cruzeiro do Sul de “traidor”. Defendeu, ainda, que o Partido Progressistas (PP) deveria expulsar Zequinha Lima de seus quadros.

Questionamentos

Desviando o foco, contestou a história política de Zequinha e relembrou ressentimentos eleitorais locais, afirmando que Jéssica Sales havia sido prejudicada pelo PP, partido de Mailza e Zequinha, na disputa pela prefeitura cruzeirense

Esquiva

O prefeito Zequinha Lima rebateu as declarações por meio de posicionamentos oficiais na imprensa e redes sociais, esquivando-se de um confronto direto de baixo calão. Afirmou que “críticas fazem parte da vida pública, mas ataques pessoais dizem mais sobre quem faz do que sobre quem recebe”.

Recusa

Zequinha declarou, ainda, que não vai gastar energia com discussões e disparou: “Vai brigar sozinho, eu faço política com propostas e não com ataque e baixaria”. Garantiu que continuará concentrado em trabalhar e entregar resultados administrativos em Cruzeiro do Sul.

Resumo

No frigir dos ovos, o episódio expõe o racha interno nas bases partidárias do Vale do Juruá, onde prefeitos e lideranças regionais dividem apoio entre diferentes frentes de oposição e situação para a disputa estadual.

Usurpação

A Polícia Federal começou a desbaratar um esquema de fraudes envolvendo emendas parlamentares e ex-deputados federais sem assento no Congresso Nacional que determinavam o destino dos recursos públicos de acordo com seus interesses políticos.

Descoberta

Neste final de semana, vieram à tona casos envolvendo duas raposas da política que, mesmo sem mandato, coordenaram o envio de dezenas de milhões de reais a bases eleitorais. De acordo com a PF, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, teria encaminhado cerca de R$ 119 milhões para diferentes municípios brasileiros por meio de emendas de deputados federais que seguiam suas ordens. Segundo a apuração, a maior parte desses recursos já foi liberado.

Prática

Outro que se utilizava do mesmo expediente era o ex-presidente da Câmara e candidato a deputado federal por Minas Gerais, Eduardo Cunha (Republicanos-MG), que teria enviado R$ 6 milhões para municípios mineiros. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de bens dos dois ex-parlamentares no mesmo valor das emendas desviadas.

Anuência

A PF informou ao Supremo ter identificado indícios de que a Presidência da Câmara dos Deputados tinha conhecimento e deu aval ao direcionamento de emendas parlamentares piratas utilizadas por Cunha e Valdemar.

Operacionalização

Os investigadores apontam que a ex-assessora da presidência da Casa, Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, era responsável por operacionalizar as indicações e afirmam que ela atuava com o “pleno aval” da cúpula da Câmara. No relatório, a corporação afirma que as evidências revelam um “altíssimo grau de promiscuidade” na gestão das emendas.

Digitais

No caso de Valdemar, diálogos encontrados no celular de Tuca, na Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025, apontam como ele distribuía os recursos. Garigham Amarante Pinto, advogado com cargo especial na liderança do PL, questiona, em 25 de agosto de 2025: “Marquei com o Valdemar amanhã 10:30. Acho que ele vai jogar no turismo os 24. Pode ser?”. No dia seguinte, vem a cobrança: “Fechou o valor do Pres Valdemar?”.

Argumentação

A defesa de Valdemar diz ainda que “é natural e legítimo” que um presidente partidário dialogue com parlamentares, “defenda prioridades programáticas, articule interesses nacionais e regionais e influencie politicamente sua bancada”.

Encaminhamento

Um levantamento do Globo revelou que, dos R$ 119 milhões em emendas indicadas por Valdemar Costa Neto, R$ 97 milhões foram enviados na semana anterior ao limite para envio de recursos federais antes das eleições municipais de 2024, na tentativa de fortalecer candidatos do PL ou apoiados pelo partido no pleito.

Corporativismo

Já o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), criticou a decisão de Flávio Dino que bloqueou bens do presidente do PL e classificou a medida como uma “indevida intervenção judicial”. Em nota, Motta afirmou que a decisão não aponta desvio ou aplicação irregular de recursos públicos e acusou o STF de tentar “criminalizar a atividade política”.

Banalização

Segundo o presidente da Câmara, a destinação das emendas parlamentares ocorreu em conformidade com as regras vigentes e com os acordos firmados entre os Poderes.

Alheamento

Eduardo Cunha, por sua vez, negou ter cometido irregularidades no direcionamento de emendas parlamentares. Em nota divulgada por sua defesa, Cunha afirmou que não foi intimado nem ouvido antes da decisão que determinou o bloqueio de seus bens e contestou as conclusões da investigação.

Distância

Segundo os advogados, o ex-deputado não exerce mandato parlamentar desde 2016 e, por isso, “não apresentou, subscreveu ou formalizou nenhuma das emendas mencionadas”. A defesa sustenta que todas as indicações foram oficialmente realizadas por parlamentares em exercício e afirma que não há elementos que justifiquem a responsabilização de Cunha no caso.

Casos de família

Ainda chamuscado pela crise familiar com Michelle Bolsonaro, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), divulgou uma carta escrita por Jair Bolsonaro na qual o ex-presidente o define como seu “porta-voz” e o nome escolhido para representá-lo politicamente.

Percepção

No texto, Bolsonaro afirma que Flávio é a “melhor opção” para liderar o projeto político do grupo e defende que seus apoiadores deixem de lado divergências para se unir em torno da disputa presidencial de 2026. A carta foi lida por Flávio durante uma transmissão nas redes sociais, após encontro com o ex-presidente.

Rescaldo

A carta provocou reações imediatas no meio político e pode ampliar os problemas judiciais do ex-presidente. Horas após a divulgação do documento, o vice-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), protocolou no STF um pedido para que a prisão domiciliar de Bolsonaro seja revogada.

Tibieza

O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, afirmou que a missiva demonstra sinal de extrema fragilidade na campanha de Flávio. E, segundo interlocutores da ex-primeira-dama, a carta também gerou incômodo no entorno de Michelle.

Fotografia

Nova pesquisa BTG/Nexus divulgada hoje aponta estabilidade no cenário eleitoral. Na intenção de voto espontânea de 1º turno, aquela em que não são apresentados nomes dos candidatos, o presidente Lula (PT) aparece com 35% e Flávio Bolsonaro (PL), com 24%. Já no cenário estimulado, Lula lidera com 40% (tinha 42% no fim de junho); Flávio vem com 34% (mesmo número da sondagem anterior); Ronaldo Caiado (PSD), com 5%; Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), com 4%. Na simulação de 2º turno, Lula e Flávio aparecem, respectivamente, com 47% e 44%, mesmos números de junho, e tecnicamente empatados — a margem de erro é de 2 pontos. A pesquisa (íntegra) foi realizada entre 10 e 12 de julho.

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