A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado aprovou, na quarta-feira,18, o Projeto de Lei (PL) 3.761/2025, de autoria do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), que institui o Selo Verde Café Amazônia.
Credenciamento
A proposta certifica produtores da Amazônia Legal que adotem práticas sustentáveis na produção de café, com respeito à legislação ambiental e trabalhista. A matéria segue agora para análise da Câmara dos Deputados.
Critérios
A aprovação ocorreu nos termos do parecer favorável do relator, senador Chico Rodrigues (PSB-RR). O projeto estabelece que, para obter o selo, o café deverá ser cultivado com técnicas sustentáveis, como sistemas agroflorestais, além de práticas de conservação do solo e da água. Também ficam vedadas atividades que provoquem a descaracterização da vegetação nativa ou comprometam a função ambiental das áreas produtivas.
Elementos
Petecão destacou que o selo busca equilibra a preservação ambiental com a geração de emprego e renda na região amazônica. Segundo ele, a iniciativa fortalece a imagem da Amazônia como produtora responsável e competitiva.
Preceitos
Resta lembrar que a cafeicultura na região amazônica tem como destaque o estado de Rondônia, com o chamado robusta amazônico. Durante a discussão, parlamentares ressaltaram que a certificação trará mais segurança ao produtor e transparência ao consumidor. O selo terá validade de dois anos, podendo ser renovado, além de funcionar como estratégia de valorização e divulgação do café amazônico.

Vidência
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que o petista fez um gesto para tentar atrair partidos de centro para a sua aliança ao não dar como certa a permanência de Geraldo Alckmin (PSB) como vice de sua chapa na disputa eleitoral de outubro. Durante o lançamento da pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, na quinta-feira, Lula indicou que prefere Alckmin na disputa ao Senado no estado.
Prognóstico
Petistas envolvidos na campanha de Haddad acreditam, porém, que Alckmin não deve entrar nessa disputa. A expectativa é que as companheiras na chapa do ex-ministro da Fazenda sejam as ministras Simone Tebet (Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente).
Opções
O entendimento no entorno de Lula é que o presidente ainda não se conformou em não ter um partido de centro, como MDB, PSD e União Brasil, na sua aliança nacional. Ao dizer que a definição da chapa não está consolidada, o petista sinalizaria disposição para negociar e eventualmente abrir espaço nessa chapa. Nos bastidores, porém, há uma avaliação de que as possibilidades de contar com essas legendas é pequena.
Escolhas
O PSD pretende lançar um candidato próprio ao Planalto. O MDB e o União Brasil planejam hoje ficar neutros e liberar os diretórios estaduais para apoiarem o nome mais conveniente para a política local.
Visão
No lançamento de Haddad, Lula disse que ficaria “imensamente feliz em ter o Alckmin vice outra vez”. Ressaltou que o vice é um “companheiro” que aprendeu “a gostar, de muita lealdade, com muita competência de trabalho, um executivo extraordinário”. Mas em seguida, falou que o ex-tucano deveria conversar com o Haddad para saber onde aliados colherão “mais fruto dele”. Alckmin estava no evento. Ser candidato ao Senado ajuda mais. Se ele for meu vice, estou tranquilo, mas o Haddad precisa de uma chapa para ganhar — completou o presidente.
Alhos e bugalhos
Outro entendimento no entorno do presidente é que Lula gosta de embaralhar o jogo para não facilitar a vida dos adversários. A fala ainda teria o objetivo de fazer com que Alckmin se empenhe na campanha de Haddad ao governo de São Paulo, principalmente no interior do estado.
Decisão
Depois da declaração de Lula, aliados de Alckmin voltaram a afirmar nos bastidores que o atual vice-presidente não aceitará disputar um outro cargo na eleição de outubro. Se não continuar como parceiro de chapa do petista, o ex-tucano encerraria a sua carreira política.
Impasse
No começo do ano, lideranças do PT discutiram internamente a hipótese de tentar atrair o MDB para a chapa de Lula com a oferta do posto de vice. Atualmente, a legenda ocupa três ministérios no governo, mas o comando nacional emedebista resiste a um alinhamento eleitoral em torno do petista e nem a ala governista da sigla acredita mais em união.

Abrindo o bico
Após uma semana repleta de indícios de que o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, estava abrindo caminho para uma delação premiada, na quinta-feira, 19, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça autorizou a transferência do banqueiro de uma prisão de segurança máxima para a superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Estratégia
A transferência é vista como um passo estratégico nas negociações, já que deve aproximar o empresário das equipes da PF responsáveis pelo caso e facilitar a realização de depoimentos e o avanço das tratativas. Nesta última noite ele dormiu na mesma sala que foi utilizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro na superintendência da Polícia Federal.
Evidências
A transferência é o sinal mais claro de que o acordo para uma possível delação premiada já teve início. Vorcaro já até firmou um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e com a PF, o que abriria o caminho legal para a delação. Na quarta-feira, 18, o advogado José Luís Oliveira Lima procurou a Polícia Federal para informar o interesse de Vorcaro em colaborar com as investigações. Dias antes, a defesa também se reuniu com o ministro Mendonça para discutir os desdobramentos do inquérito.
Negativa
Vorcaro até tentou voltar pra casa, mas não conseguiu. Seu advogado discutiu com Mendonça a possibilidade de o banqueiro passar à prisão domiciliar. O pedido, no entanto, foi negado pelo ministro, que manteve o entendimento de que Vorcaro deve permanecer preso por representar risco às investigações e por integrar uma organização criminosa considerada “perigosa”. Apesar da negativa, a reunião consolidou as bases para o possível acordo de delação premiada.

Teia
O Palácio do Planalto não gostou da notícia sobre a disposição de Vacaro em fazer delação premiada. A avaliação é de que Vorcaro “não tem nada a perder” e tentará envolver o Executivo no escândalo, prejudicando a narrativa de que o caso Master compromete mais políticos de direita. O nó estaria nas ligações de Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro, com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Na avaliação do Planalto, a PF já teria material para fundamentar as investigações sem a colaboração de Vorcaro.
Alça de mira
A Polícia Federal prepara um relatório com os primeiros achados extraídos do celular e de arquivos de Vorcaro que podem atingir figuras políticas. O documento, que deve ser enviado nos próximos dias ao ministro André Mendonça, menciona o senador Ciro Nogueira (PP-PI), cuja atuação passa a ser analisada pelos investigadores. Mensagens indicam que Vorcaro comemorou a apresentação, em 2024, de uma emenda de Nogueira a uma PEC que ampliava o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão — medida que poderia beneficiar o Banco Master. A proposta, no entanto, não avançou. (Globo)
Balaio
E os tentáculos do Master não param de surgir. O banco e a JBS repassaram R$ 18 milhões a uma consultoria que fez pagamentos ao advogado Kevin Nunes, de 25 anos, filho do ministro do STF Kássio Nunes Marques. Kevin disse que o pagamento de R$ 281.630,00 foi lícito e referente a atividades “voltadas ao fisco administrativo”, enquanto o ministro não comentou o caso.


