A especulação que a candidata governista Mailza Assis (PP) teria encetado conversas com o presidente da Aleac e correligionário pepista Nicolau Júnior para ocupar o posto de vice na chapa encabeçada por ela rumo ao Palácio Rio Branco, como noticiou o jornalista Luiz Carlos Moreira Jorge, no blog do Crica, edição de hoje, 07, deixa subjacente para alguns desavisados que a engenharia política envolve o cenário político do Juruá mirando 2028, levando-se em contas a sucessão de Zequinha Lima (PP) em Cruzeiro do Sul.
Perde e ganha
A leitura é simples: ao tempo em que fortalece o grupo político de Nicolau Júnior e Gladson Cameli na capital da farinha, desidrata a importância política da emedebista Jéssica Sales, principal pólo oposicionista da atual prefeito da capital do Juruá, que sairia fortalecido num eventual embate majoritário da disputa do governo do estado.
Xadrez
É sabido no meio político que o presidente da Aleac, Nicolau Júnior, nutre o desejo de governar a capital do Juruá num curto horizonte e já teria demarcado o ano de 2028, na sucessão de Zequinha Lima, a oportunidade para a consecução de seu projeto político. Portanto, não seria prudente fortalecer os quadros de oposição ao seu grupo político e é isso que significaria a unção de Jéssica Sales (MDB) a condição de vice-governadora, ainda mais em caso de vitória de Mailza, quando seu protagonismo seria maior, passando a ser considerada a governadora do Juruá.
Porta de saída
Prevalecendo essa lógica, e por esse esquadro, só restaria ao MDB no memento atual, excluído e usado pelo escrete governista, buscar guarida na ala oposicionista, hoje representada pelas candidatura de Alan Rick (Rep), Tião Bocalom (sem partido) e Thor Dantas (PSB).
Dito popular
Registre-se, por oportuno, que o MDB está prestes a levar essa pernada por conta da ganância de alguns cabeças brancas que mandam no partido e enxergaram na composição com o governo um meio de apalpar o butim das arcas governistas. Quer dizer, estavam de olho na boutique dela (Mailza) e, mais uma vez, poderão levar a pior. Por isso é sempre atual o ditado quando ensina que ‘quem tudo quer, nada tem’ ou, senão, aquele que diz que ‘quando esperteza é demais, vira bicho e come o dono’.

Obituário
A defesa de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” do banqueiro Daniel Vorcaro, confirmou que o Mourão morreu nesta sexta-feira, em Belo Horizonte. De acordo com os advogados, o falecimento foi declarado às 18h55 após o encerramento do protocolo de morte encefálica iniciado pela manhã. Segundo a Polícia Federal, Mourão tentou suicídio na cela da Superintendência da corporação, para onde foi levado para cumprir prisão preventiva, na última quarta-feira.
Ação deliberada
Segundo a colunista Míriam Leitão, do jornal O Globo, da tentativa de suicídio ao socorro prestado por policiais federais a Mourão, tudo foi filmado e não há pontos cegos nas imagens, dizem fontes ligadas à investigação. A PF comunicou o ocorrido ao gabinete do ministro André Mendonça, relator no Supremo Tribunal Federal (STF), e disse que entregará todos os registros em vídeo que demonstram a dinâmica do ocorrido.
Boletim
Na última quarta-feira, a corporação chegou a informar que Sicário havia “atentado contra a propria vida” na carceragem da PF, em Belo Horizonte. Depois, divulgou nota na qual não confirmava a morte e que “informações sobre o estado de saúde do preso” seriam “informadas após atualização da equipe médica.
Protagonismo
A investigação aponta que Mourão comandava uma estrutura informal chamada “A Turma”, utilizada para realizar atividades de vigilância, obtenção de informações e monitoramento de pessoas ligadas às investigações ou críticas ao grupo. Os investigadores apontam que ele recebia R$ 1 milhão por mês para prestar tais “serviços ilícitos”. Procurada, a defesa de Mourão não comentou e disse que só se manifestaria sobre a prisão após ter acesso aos autos do inquérito.
Missões
De acordo com os investigadores, Mourão realizava consultas em sistemas restritos de órgãos públicos, utilizando credenciais de terceiros para acessar bases de dados ligadas a instituições de segurança e investigação. A Polícia Federal afirma que houve acessos indevidos a sistemas da própria PF, do Ministério Público Federal e até a bases internacionais.

Temperatura
A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) se consolidou no campo oposto ao do presidente Lula (PT) na disputa presidencial deste ano, aponta o Datafolha. O senador fluminense se aproxima do petista nas simulações de primeiro turno e empata tecnicamente na de segundo, marcando 43% ante 46% do rival.
Alternativas
Na centro-direita, o governador Ratinho Jr. (PR) é o nome mais bem colocado entre os três lançados pelo PSD de Gilberto Kassab, mas muito distante do pelotão da frente na corrida.
A nova pesquisa é a primeira feita pelo instituto desde que Flávio foi lançado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a partir da cadeia. Recebida inicialmente com ceticismo, dada a preferência do centrão pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), a pré-candidatura se firme.
Universo
O Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios de terça-feira (3) a quinta-feira (5). Com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026.
Visibilidade
A cristalização de Flávio é visível quando o instituto pergunta a intenção de voto espontânea do eleitor, sem apresentar nomes. Ele não era citado na rodada anterior, de dezembro passado, e agora surge com 12%. Lula oscilou de 24% para 25%, e o próximo candidato citado é o inelegível Bolsonaro, com 3%. O Datafolha testou cinco cenários para o pleito de primeiro turno e sete para o de segundo. Lula segue à frente em todos, mas sua vantagem está em queda.
Cenário
Na primeira rodada, ele marca 38% ou 39% sempre – há um improvável cenário com o ministro Fernando Haddad (Fazenda) como nome do PT, marcando aí 21% ante 33% de Flávio. O senador do PL-RJ, por sua vez, flutua de 32% a 34% nos embates com Lula. Tarcísio, ainda testado, já escorrega para 21%. No cenário hoje mais provável, Lula tem 38% ante 32% de Flávio. Ratinho Jr. vem a seguir com 7% e o governador mineiro, Romeu Zema (Novo), com 4%. Depois vêm Renan Santos (Missão, 3%) e Aldo Rebelo (DC, 2%). Rejeitam todos os candidatos 11%, e 3% dizem não saber em quem votar.
Ato falho
A jogada de Kassab de unir três postulantes do PSD e escolher um, por ora, não vingou para ameaçar Flávio. Ratinho Jr. vai melhor, de toda forma, que os governadores Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS).
Disputa final
Na disputa de segundo turno, a dianteira de Lula sobre Flávio caiu de 15 para 3 pontos desde dezembro. O empate técnico, mas com uma distância maior, ocorre quando o nome na segunda rodada é Ratinho Jr.: o presidente derrota o governador por 45% a 41%, em cenário estável.