Rio Branco, AC 16 de outubro de 2026 17:38
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Desequilíbrio

O ex-candidato a deputado federal e presidente estadual do PL no Acre, João Paulo Bittar, filho do senador Márcio Bittar (PL), envolveu-se em uma forte polêmica ao chamar os estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) de “bando de vagabundos” e, após, rotular parte deles de ‘maconheiros’.

Chancela

O senador Márcio Bittar (PL), autodeclarado bolsonarista raiz, endossou e defendeu em partes as declarações polêmicas de seu filho. Além disso, validou o ataque direcionado à militância política, afirmando textualmente que “o militante de esquerda na Universidade, tem muito vagabundo”. Ele criticou estudantes que passam muitos anos cursando a mesma graduação às custas do contribuinte e tirando vagas de quem quer apenas se formar.

Contexto

O episódio envolvendo o filho do senador ocorreu na noite de quarta-feira, 14, durante um evento político (adesivaço) em prol da campanha de Flávio Bolsonaro em Rio Branco. Em um vídeo gravado no local, João Paulo declarou: “Pessoal da Ufac, vocês são tudo um bando de vagabundo. Vai estudar, rapaz. Enquanto vocês estão aí, ó, blá blá blá, fake news. Nós estamos aqui trabalhando”.

Retratação

A declaração gerou forte repercussão e desdobramentos imediatos. Diante das críticas, João Paulo publicou um novo vídeo nas redes sociais admitindo que “exagerou um pouco” ao dar a entender que todos os universitários se enquadravam no xingamento.

Boquirroto

Ocorre que na dita retratação a emenda saiu pior que o soneto. Ele manteve o tom hostil ao direcionar a ofensa especificamente aos estudantes que fazem militância política e frequentam o Diretório Central dos Estudantes (DCE), alegando que estes “vivem no DCE fumando maconha”.

Repúdio

Diante da sequência de manifestações absurdas, a administração superior da Ufac, em conjunto com o DCE, a Associação dos Docentes (Adufac) e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sintest-AC), emitiu uma nota oficial de repúdio.

Agressões vis

As entidades classificaram as falas como “inaceitáveis, mentirosas e ofensivas” e afirmaram que a suposta retratação foi uma “dupla agressão” por tentar criminalizar e estigmatizar o movimento estudantil organizado.

Reações políticas

O posicionamento também foi criticado por lideranças médicas e políticas do estado, como o ex-candidato ao governo Thor Dantas (PSB), que repudiou o que chamou de “ataque gratuito e infundado” contra a comunidade científica e acadêmica.

Naufrágio

Para contextualização, resta relatar que João Paulo Bittar concorreu a uma das oito vagas do Acre para a Câmara dos Deputados no pleito recente. Ele não conseguiu se eleger, somando 13.440 votos — ficando de fora por uma diferença estreita de apenas 292 votos atrás do correligionário eleito, Júnior Betão (PL). Apesar da derrota nas urnas, ele permanece como o presidente estadual do PL no Acre.

Sobrevivência

Internautas deixaram nas redes sociais duras reprimendas ao herdeiro do senador Márcio Bittar ao lembrarem que a maioria dos estudantes da unidade de ensino superior do Acre passam o dia na labuta, providenciando o sustento próprio ou o da família, e no período em que estão livres das obrigações trabalhistas, rumam para Ufac para obter conhecimentos e patrocinar estudos científicos, buscando escalar a pirâmide social e favorecer o conjunto da sociedade com estudos de temas acadêmicos.

Credenciais

Outros lembraram que, ao contrário de João Paulo Bittar, os discentes não descendem de pais imiscuídos na política, que usam o prestigio para conseguir tetas ou boquinhas para os filhos, como vem a ser a recente nomeação do boquirroto agressor, guindado à presidência da Funtac (Fundação de Tecnologia do Estado do Acre), em acordo com o Governo do Estado do Acre, e de sua esposa, Flaviane Agustini Stedille, de igual forma alojada junto à Prefeitura de Rio Branco no cargo de Secretária Municipal de Meio Ambiente.

Campanha

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudou uma posição histórica de seu partido e passou a defender a redução da maioridade penal para crimes hediondos, incorporando ao seu discurso uma das principais bandeiras da direita na área de segurança pública.

Cenário

A declaração foi feita na noite de ontem, quinta-feira, 15, durante entrevista à TV Globo, a dez dias do segundo turno da eleição presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL). O presidente defendeu que adolescentes a partir dos 16 anos possam responder criminalmente por crimes hediondos.

Contraponto

A mudança de posição ocorre em meio à pressão da oposição, que colocou o endurecimento da legislação penal no centro do debate eleitoral. Apesar de apoiar a redução, Lula se posicionou contra a inclusão da medida na PEC da Segurança Pública, em discussão no Senado. Segundo ele, a prioridade deve ser aprovar o texto original e deixar a alteração da maioridade penal para uma discussão posterior. “Eu sou favorável a diminuir para 16 anos, mas não a discutir isso nessa PEC. Primeiro, aprova a PEC e depois discute isso”, declarou.

Mudando de assunto

A propósito do tema segurança, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), retirou de pauta a PEC da Segurança Pública, após uma disputa entre governistas e oposicionistas sobre a redução da maioridade penal.

Nó górdio

O impasse começou depois que o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, apresentou uma emenda para reduzir a maioridade penal de 18 para 14 anos em casos de crimes hediondos. Em resposta, o líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), também integrante da campanha de Lula, propôs uma redução mais limitada, de 18 para 16 anos. A iniciativa provocou divergências dentro do próprio governo.

Evocação

Na entrevista à TV Globo, na bancada do Jornal Nacional, Lula ainda afirmou que é o principal responsável pela avaliação negativa de seu governo e pelo desempenho abaixo do esperado no primeiro turno da eleição presidencial. Segundo o petista, sua gestão não conseguiu comunicar adequadamente à população as ações realizadas nos últimos quatro anos.

Mea culpa

O presidente afirmou que não conseguiu fazer com que parte dos eleitores reconhecesse as realizações de sua administração. A declaração ocorre depois de Lula ter criticado publicamente a organização de sua campanha, que terminou o primeiro turno atrás do senador Flávio Bolsonaro.

Datafolha

Flávio Bolsonaro tem 51% das intenções de votos válidos, contra 49% do presidente Lula, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira. Os dois candidatos estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento mostra uma redução da vantagem de Flávio em relação à semana anterior.

Retração

Na pesquisa passada, o senador registrava 52% dos votos válidos, enquanto Lula tinha 48%. Nos votos totais, que incluem brancos, nulos e indecisos, Flávio tem 47% das intenções de voto, ante 45% de Lula. Na rodada anterior, o candidato do PL aparecia com 49%, enquanto o presidente registrava os mesmos 45%.

Boca na botija

Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, revelam as negociações de bastidores conduzidas por Antônio Rueda (presidente nacional do União Brasil) e ACM Neto (ex-prefeito de Salvador e dirigente do partido) para facilitar o acesso do banco a fundos estaduais e municipais de previdência.

Articulação

Conforme as mensagens publicadas pelo UOL, executivos e diretores comerciais do Banco Master organizavam viagens e reuniões coordenadas em jatos particulares com a presença de Rueda. O objetivo era buscar recursos de institutos de previdência em estados sob “grupos de influência” e redutos políticos, citando praças como Amazonas, Rondônia, Rio de Janeiro e Amapá.

Versão

Em uma proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro (que acabou sendo rejeitada pela PF e pela PGR), o banqueiro apontou que o acerto envolvia o pagamento de uma comissão de 10% sobre os valores aportados pelas previdências no banco. Embora as mensagens não comprovem pagamentos de propina feitos diretamente aos políticos, a Polícia Federal identificou repasses de R$ 6,4 milhões a escritórios de advocacia ligados a Rueda e R$ 5,4 milhões a uma empresa de consultoria de ACM Neto.

Intervenção

As conversas também sugerem a atuação de ACM Neto para reverter a exclusão do Banco Master de uma lista do Ministério da Previdência. A inclusão nessa lista era considerada urgente e indispensável para que o banco pudesse captar legalmente junto aos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS).

Investigações

A atuação de Rueda é apontada como crucial para a indicação do ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, preso pela PF no âmbito dos desdobramentos da Operação Compliance Zero, que apura fraudes e investimentos de risco com o dinheiro de aposentadorias de servidores públicos.

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