Ontem, 01, a governadora do Acre, Mailza Assis (PP), realizou uma vistoria nas áreas atingidas pela cheia do Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, para acompanhar de perto a situação das comunidades afetadas. A agenda teve como objetivo verificar as principais demandas das famílias e reforçar as ações emergenciais desenvolvidas pelo Estado.
Inspeção
Durante a visita, a gestora percorreu pontos críticos da cidade, onde o nível do rio já provocou alagamentos e o deslocamento de moradores. A presença da equipe de governo nas áreas afetadas busca garantir maior agilidade na assistência, além de identificar necessidades prioritárias para minimizar os impactos da enchente.
Compromisso
Na sequência, a governadora esteve na Escola Estadual Madre Aldegundes, que atualmente abriga 29 famílias indígenas desabrigadas. No local, ela conversou com os moradores e equipes de apoio, destacando o compromisso do Estado em assegurar acolhimento, estrutura adequada e assistência contínua às famílias que precisaram deixar suas casas.
Mão amiga
“Quero agradecer a toda a equipe que está realizando esse trabalho de acolhimento e reforçar o nosso compromisso, não apenas com os indígenas na zona urbana, mas com todas as aldeias e etnias, que estão sendo acompanhadas por meio da nossa secretaria estadual específica, além das demais pastas que estão prontas para prestar atendimento”, afirmou Mailza.

Ritmo de festa
O Índice de Progresso Social Brasil (IPS) – ferramenta que avalia a qualidade de vida da população no Brasil de forma multidimensional – situa o Acre no ano de 2025 em penúltimo lugar dentre as unidades da federação, com baixos indicadores em abastecimento de água, esgoto, moradia e segurança. Apesar desse cenário, o governo estadual e prefeituras seguem investindo milhões de reais em festas e shows.
Desembolso
Para o Dia do Trabalhador, celebrado na data de ontem, sexta-feira, 1º de maio, a contabilidade aponta para gastos de aproximadamente R$ 6 milhões, com eventos gratuitos em praças públicas. De acordo com documentos da Casa Civil do governo do estado, a pasta determina que a Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia disponibilize R$ 3,5 milhões para uma festa em Cruzeiro do Sul, em que a atração principal foi a cantora Joelma. Além disso, some-se mais de R$ 2,5 milhões para a festa em Rio Branco, com o cantor Tierry.
Prática
Os gastos com eventos não são recentes. No ano passado, apenas com festas agropecuárias em Cruzeiro do Sul e Rio Branco, o governo desembolsou cerca de R$ 32 milhões. Os recursos foram repassados à Casa da Amizade para a realização dos shows, incluindo apresentações como a do cantor Gusttavo Lima, cujo cachê pode ter chegado a R$ 1,5 milhão.
Farra
As contratações dos shows sempre ficam a cargo da Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia. Somando outras festividades, como eventos de Natal e comemorações municipais, os gastos realizados no ano passado ultrapassam R$ 70 milhões. Segundo o IPS Brasil, esse valor é superior ao orçamento total do município de Santa Rosa do Purus, que figura entre os piores do país em qualidade de vida.
Freio
Nos municípios mais isolados, a situação é ainda mais crítica. Em Jordão, o Ministério Público precisou intervir para impedir a contratação de um show de R$ 400 mil do cantor Evoney Fernandes. Enquanto isso, parte da população enfrenta dificuldades no acesso a serviços básicos, reforçando o contraste entre os gastos públicos e as necessidades sociais no estado.

Diário
Uma aliança improvável foi determinante para rejeição de Jorge Messias a uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. A união do presidente do senado, David Alcolumbre (UB-AP) e o ministro Alexandre de Moraes, que, juntos, atuaram nos bastidores para impedir a aprovação de Messias, ministro da Advocacia-Geral da União, à vaga no Supremo, segundo informou o jornal O Globo.
Números
De acordo com a reportagem do diário carioca, Moraes se somou à ofensiva conduzida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e por Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, em uma articulação que resultou em forte revés para o presidente Lula no Congresso. Messias obteve apenas 34 votos favoráveis, número insuficiente para sua aprovação ao STF.
Alhos e bugalhos
A derrota expôs uma aliança incomum entre Moraes, relator de investigações contra a extrema direita, e setores bolsonaristas que defendem sua cassação. Segundo relatos ouvidos por O Globo, Moraes teria acionado emissários para transmitir recados a senadores, especialmente parlamentares com processos no Supremo ou vínculos com aliados do ministro no Congresso.
Convergência
A movimentação do ministro teria reforçado os pedidos de Alcolumbre por votos contrários à indicação de Messias. O presidente do Senado já vinha atuando contra o nome escolhido por Lula, após defender a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga. Moraes também teria preferido Pacheco e não aceitado a decisão do presidente Lula de optar pelo chefe da AGU.
Conveniências
A articulação uniu interesses distintos. Para Alcolumbre, a derrota de Messias representou uma demonstração de força no Senado. Para Moraes, segundo a reportagem, a chegada do indicado de Lula poderia alterar a correlação interna de forças no Supremo.
Disputa
Um dos pontos centrais da disputa envolveria o ministro André Mendonça, que atuou como principal apoiador de Messias no Senado. Mendonça buscou votos entre parlamentares conservadores para reduzir a resistência ao chefe da AGU, visto por setores da oposição como um quadro ideológico ligado ao PT.
Elo
Messias e Mendonça também compartilham uma identificação religiosa: ambos são evangélicos. Messias é da Igreja Batista, enquanto Mendonça é pastor da Igreja Presbiteriana. A eventual chegada de Messias ao Supremo poderia fortalecer Mendonça no plenário. Isso teria impacto direto sobre a correlação de forças da Corte, especialmente em temas sensíveis.
Tensão
Outro elemento relevante é o caso Master. Mendonça é relator do processo no Supremo e caberá a ele homologar a delação premiada de Daniel Vorcaro. Segundo O Globo, essa delação pode ter implicações para Moraes e para sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, que firmou contrato com o Banco Master prevendo pagamento de R$ 3,6 milhões mensais ao longo de três anos.
Atrito
Antes da campanha por Messias, Mendonça já havia contrariado Moraes ao votar pelo afastamento do ministro das investigações sobre a trama golpista, acolhendo argumentos apresentados pela defesa de Jair Bolsonaro.
Solidariedade
Após a derrota, André Mendonça prestou solidariedade a Messias em sua conta no X: “Respeito a decisão do Senado, mas não posso deixar de externar minha opinião. O Brasil perde a oportunidade de ter um grande ministro do Supremo. Messias, saia dessa batalha de cabeça erguida. Você combateu o bom combate!”


