O senador acreano Márcio Bittar (PL), durante sabatina de advogado Jorge Messias no Senado, ocorrida na data de ontem, quarta-feira, 29, acabou por colocar o nome do cantor e compositor Caetano Veloso no centro de um embate entre os parlamentares. A discussão ocorreu na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), durante a análise da indicação de Messias ao Superior Tribunal Federal (STF).
Vergonha alheia
A guisa de defender àqueles acusados, julgados e condenados por participarem da depredação da presidência da República, da sede do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional, além de planejarem surrupiar a democracia do pais em 08 de janeiro de 2023, quando da discussão na CCJ que escrutinava a aceitação do Advogado Geral da União, Jorge Messias, para o posto de ministro do STF, Bittar acabou por ilustrar sua fala com a afirmativa que o cantor Caetano Velloso houvera pegado em armas para contrapor-se ao regime militar vigente no país entre 1964 e 1985.
Poder bélico
Diante da vil afirmação que falseava os dados históricos, o senador baiano Otto Alencar (PSD) fez prevalecer a verdade, aparteando o senador acreano para esclarecer que o cantor, compositor e poeta baiano, referência inconteste da sociedade brasileira, jamais recorreu à luta armada para contrapor-se ao regime de exceção, tendo durante toda a sua trajetória de vida empunhado apenas o violão, a voz, a palavra e a canção, poderosos artefatos que verbalizava a luta em prol das liberdades surrupiadas pelo regime militar. Fazer como o humorístico televisivo: “Cala a boca, Magda!”.

Cabo de guerra
Na queda de braço entre presidentes, o do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), impôs ao da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a mais séria derrota no Legislativo em seus três mandatos.
Placar
Por 42 votos a 34 e uma abstenção, os senadores rejeitaram a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), um movimento que não acontecia desde 1894.
Maquinação
Consta que Alcolumbre passou os últimos dias articulando a rejeição de Messias com parlamentares dos mais diversos matizes e chegou a prever, em um diálogo captado pelo microfone da mesa, o placar: “Acho que ele vai perder por oito”, afirmou. O presidente do Senado queria a vaga no Supremo para seu antecessor, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), e resistiu desde o início à indicação do AGU.
Calendário
Não satisfeito em impor uma derrota humilhante ao Planalto, Alcolumbre prometeu à oposição que não pautará uma eventual nova indicação de Lula, devido à proximidade do período eleitoral. Na prática, isso significa que a vaga no STF deixada pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso será preenchida por um indicado de quem vencer o pleito de outubro.
O próprio Lula sinalizou que não pretende fazer outra indicação antes das eleições. A ideia é “deixar a poeira assentar” e evitar que uma nova derrota contamine a campanha.
Digitais
Nesse cenário, caso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que está tecnicamente empatado com Lula nas pesquisas, vença a eleição, poderá nomear quatro ministros do STF ao longo de seu governo. Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes se aposentam entre 2028 e 2030. Isso mudaria radicalmente a correlação de forças no Supremo, que já tem dois ministros nomeados pelo bolsonarismo: Kássio Nunes Marques e André Mendonça.
Resignação
“O Senado é soberano!” Essa foi a reação de Jorge Messias à rejeição de seu nome. “Tem dias de vitórias e tem dias de derrotas. Nós temos que aceitar. Agradeço os votos que recebi”, declarou. Governo e oposição, claro, tiveram reações diferentes. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou em redes sociais que o resultado foi “uma chantagem política” e que o Senado “saiu menor” do episódio. Já o líder da oposição na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), escreveu que a rejeição de Messias é um sinal político. “Hoje não foi a rejeição de um nome. Foi o enfrentamento de um modelo”, afirmou.
Bom senso
No Supremo, a derrota de Messias foi encarada com surpresa e temor de uma crise institucional entre Executivo e Legislativo. Em nota, o presidente da Corte, Edson Fachin, ressaltou que a palavra final sobre a nomeação era do Senado e que “a vida republicana se fortalece quando divergências são tratadas com elevação, urbanidade e responsabilidade pública”.

Bandeiras
O presidente Lula vai aproveitar o tradicional pronunciamento em rede do Dia do Trabalho para divulgar suas principais bandeiras eleitorais. Ele pretende anunciar oficialmente o Desenrola 2, segunda fase do programa de renegociação de dívidas, com uso do FGTS.
Levantamento
Números do Banco Central apontam endividamento recorde das famílias, enquanto pesquisas mostram que esta é uma preocupação crescente dos eleitores. Ao mesmo tempo, Lula deve encampar a defesa do fim da escala de trabalho 6×1, tendo como alvo as mulheres, com o argumento de que essa escala pressiona mais quem tem dupla jornada com afazeres domésticos.
Contabilidade
Aliás, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, estimou que o uso do FGTS no Desenrola 2 retire R$ 4,5 bilhões do fundo, destinado a auxiliar trabalhadores formais que são demitidos. Marinho disse que esses recursos, que correspondem a 20% do salto total do FGTS, serão destinados exclusivamente a famílias com renda de até cinco salários-mínimos (R$ 8.105).

Bandeira branca
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro concordou em uma trégua com o enteado Flávio Bolsonaro para apoiar publicamente a candidatura dele ao Planalto. A pacificação foi articulada por aliados durante meses e busca diminuir a resistência do eleitorado feminino a ele. Os dois estavam rompidos desde novembro, quando Michelle criticou a aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará.
Reticências
Embora tenha aceitado manifestar apoio nas redes sociais, a ex-primeira-dama ainda não garante que estará engajada todos os dias na campanha, alegando a necessidade de cuidar do marido, que cumpre prisão domiciliar.

Termômetro
A primeira pesquisa Quaest de 2026 com candidatos ao Palácio dos Bandeirantes mostra o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com fortes chances de reeleição. Ele aparece com até 38% das intenções de voto, contra 26% do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) no primeiro cenário; Kim Kataguiri (Missão) e Paulo Serra (PSDB) têm 5%, cada. No segundo cenário, sem Serra, Tarcísio chega a 40%; Haddad, 28% e Kataguiri mantém os 5%.
Câmara alta
Para o Senado, Simone Tebet (PSB), Márcio França (PSB), Marina Silva (Rede) e Guilherme Derrite (PP) lideram a corrida pelas duas vagas. Tebet tem entre 14% e 15% em diferentes cenários; França tem 12% em três das simulações em que foi citado, mesmo percentual de Marina; Derrite aparece com 8%. A margem de erro das pesquisas é de 2 pontos percentuais.
Recôncavo
Na Bahia, há um empate técnico entre ACM Neto (União Brasil) e Jerônimo Rodrigues (PT) pelo governo estadual. No primeiro cenário, ACM Neto tem 41% contra 37% de Jerônimo, que busca a reeleição. A Quaest aponta o empate, considerando a margem de erro de 3 pontos percentuais. Em todos os cenários, Ronaldo Mansur (PSOL) tem apenas 1%, enquanto José Estevão (DC) não pontua. Em caso de um segundo, ACM Neto teria 41% ante 38% de Jerônimo, com 12% de indecisos e 9% de brancos e nulos.


