Em pesquisa eleitoral divulgada na data de hoje, segunda-feira, 27, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece em empate técnico com Flávio Bolsonaro (PL) e à frente de Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) em simulações de segundo turno para as eleições de 2026, de acordo com levantamento BTG/Nexus.
Prego batido
No voto espontâneo, Lula registra 33%, contra 26% de Flávio Bolsonaro. O dado mais relevante, no entanto, é o elevado índice de indecisos, que chega a 29%, indicando que a eleição ainda está em aberto e pode sofrer mudanças ao longo da campanha.
Empate técnico
No cenário mais relevante de segundo turno, entre Lula e Flávio Bolsonaro, há empate técnico: Lula tem 46% e Flávio 45%. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o que coloca a disputa em situação de absoluto equilíbrio.
Ajuste
Quando testado contra outros nomes da direita, Lula aparece numericamente à frente, mas também sem folga. Contra Romeu Zema e Ronaldo Caiado, o presidente marca 45%, enquanto ambos atingem 41%. O padrão se repete: liderança de Lula, mas com margem curta.
Terceira via
A pesquisa confirma a fragilidade estrutural de uma alternativa fora da polarização. Nenhum dos candidatos testados ultrapassa a barreira de um dígito com consistência. Romeu Zema aparece com cerca de 4% a 5%, Ronaldo Caiado entre 3% e 6%, e outros nomes permanecem abaixo disso.
Equilíbrio
O dado mais significativo está na preferência política: 37% dos eleitores dizem preferir Lula, outros 37% preferem um candidato apoiado por Jair Bolsonaro, enquanto apenas 18% optam por alguém fora desses dois campos. Mesmo dentro desse grupo, parte relevante acaba migrando para Lula ou para o bolsonarismo na intenção de voto.
Fidelidade
A transferência de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro para Flávio Bolsonaro se mostra sólida. Entre os eleitores que votaram em Bolsonaro em 2022, a maioria expressiva mantém alinhamento com o campo bolsonarista. No segundo turno, a fidelidade é ainda mais evidente: o eleitorado bolsonarista permanece altamente coeso, consolidando Flávio como herdeiro político direto desse segmento.
Polarização
O levantamento aponta uma sociedade dividida em blocos relativamente equilibrados. Os bolsonaristas convictos somam 28%, enquanto os lulistas convictos representam 22%. Há ainda segmentos intermediários, como eleitores que rejeitam ambos ou que não estão fortemente polarizados. Esse desenho mostra que cerca de metade do eleitorado está diretamente inserida na lógica de confronto entre Lula e o bolsonarismo, reduzindo o espaço para alternativas externas.
Predominância
O presidente apresenta desempenho mais forte entre mulheres, eleitores de menor renda, população do Nordeste e beneficiários de programas sociais como o Bolsa Família.
Nesses segmentos, a vantagem é significativa, refletindo o impacto direto das políticas públicas e da memória social dos governos anteriores.
Nicho
Por outro lado, Flávio Bolsonaro tem maior desempenho entre homens, evangélicos, eleitores de renda média e alta, além de regiões como Sul e Centro-Oeste. Esse recorte revela a consolidação de uma base sociológica distinta, com forte identidade política e ideológica.
Ponto nevrálgico
A avaliação do governo Lula aparece como fator central da disputa. Apenas 33% classificam o governo como ótimo ou bom, enquanto 43% o consideram ruim ou péssimo. Na avaliação geral, 46% aprovam o governo e 49% desaprovam. Apesar disso, Lula mantém competitividade eleitoral, indicando que sua força política não depende exclusivamente da avaliação do governo, mas também de fatores como identidade política e comparação com adversários.
Economia
A percepção sobre a economia nacional é majoritariamente negativa, com mais da metade dos entrevistados avaliando o cenário como ruim ou péssimo. No entanto, a avaliação da situação financeira pessoal é menos negativa, indicando uma dissociação entre percepção macroeconômica e experiência individual. Há também expectativa moderada de melhora nos próximos meses, o que pode influenciar o humor do eleitorado até 2026.
Rejeição
Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro apresentam níveis elevados de rejeição, próximos de 50%. Ao mesmo tempo, ambos têm potencial de voto semelhante, o que reforça o equilíbrio da disputa. O eleitorado se divide quase simetricamente entre aqueles que rejeitam Lula e apoiam o bolsonarismo e aqueles que rejeitam o bolsonarismo e apoiam Lula.
Pressão
Saúde pública, segurança e corrupção aparecem como os principais problemas do país na percepção dos entrevistados. A economia surge de forma fragmentada, com inflação, desemprego e juros sendo citados separadamente. Esse quadro indica que a agenda eleitoral tende a ser ampla, combinando temas econômicos e sociais com questões de segurança e governança.
Leitura
A pesquisa revela um cenário de equilíbrio estrutural. Lula lidera, mas não com margem suficiente para garantir vitória tranquila. O bolsonarismo permanece forte e organizado, com alta fidelidade de sua base.
Conclusões
Sem uma terceira via competitiva, a eleição tende a repetir a polarização dos últimos ciclos, com resultado em aberto e dependente de fatores como economia, avaliação de governo e capacidade de mobilização dos candidatos.
Dados técnicos
A pesquisa BTG/Nexus foi realizada por telefone entre os dias 24 e 26 de abril de 2026, com 2.028 eleitores em todo o país. O levantamento possui margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, com registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01075/2026.

Autocorreção
O PT aprovou neste domingo, 26, em Brasília, um documento que propõe “mecanismos de autocorreção” do Judiciário e mudança na execução de emendas. O manifesto “Construindo o Futuro”, que norteará a campanha à reeleição de Lula, adota uma retórica de “concertação social”, buscando atrair o empresariado e setores produtivos para uma coalizão democrática contra o que o partido classifica como “a ameaça do fascismo”.
Malabarismo
Para evitar desgastes, a legenda optou por suavizar críticas: o texto final excluiu a proposta de reforma do sistema financeiro, que inicialmente citava o escândalo do Banco Master e seus desdobramentos no Judiciário.
Alvo
Apesar da moderação, o documento propõe reformas sensíveis, como a alteração no modelo de emendas parlamentares – ponto de atrito constante entre o Planalto e o Congresso – e mudanças na estrutura do Judiciário via “mecanismos de autocorreção”.
Ausência
Lula não foi ao evento pois se recupera de dois procedimentos médicos realizados na sexta-feira: a retirada de uma lesão no couro cabeludo e uma infiltração no punho direito para o tratamento de uma tenossinovite — um tipo de inflamação das articulações. (Globo)

Relaxamento
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, concedeu na sexta-feira, 24, prisão domiciliar a 18 idosos que estavam em regime fechado após condenação pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Entre as regras estão a obrigatoriedade do uso de tornozeleira eletrônica e a suspensão do passaporte.
Cautelares
Os condenados também não poderão usar redes sociais nem se comunicar com os demais presos. As visitas serão restritas aos advogados, salvo prévia autorização do Supremo. A decisão de Moraes ocorre em um momento em que o Congresso deve analisar o veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria, que reduziria as penas dos condenados pela tentativa de golpe de Estado.


