Rio Branco, AC 13 de maio de 2026 04:35
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Trump diz que cessar-fogo com Irã está “por um fio”

Proposta americana para encerrar guerra travou após Teerã rejeitar acordo e exigir compensações, abertura comercial e garantias no Estreito de Ormuz

As negociações para um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã entraram em novo impasse nesta terça-feira (12), depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a trégua está “por um fio” e atacou as exigências enviadas por Teerã para encerrar a guerra.

Eu diria que é o mais fraco neste momento, depois de ler aquele lixo que nos enviaram. Nem sequer terminei de ler
Donald Trump, presidente dos EUA

O recado veio após o Irã rejeitar a proposta apresentada por Washington para interromper os combates iniciados em 7 de abril. Os EUA queriam primeiro encerrar a guerra para depois abrir negociações sobre pontos mais sensíveis, principalmente o programa nuclear iraniano.

Teerã foi na direção oposta e China pressiona

O governo iraniano exigiu o fim dos confrontos em todas as frentes ligadas ao conflito, incluindo o Líbano, onde Israel combate o Hezbollah, além da retirada do bloqueio naval imposto pelos americanos, compensação pelos danos da guerra e reconhecimento da soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz.

Antes da guerra, cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito transportados no mundo passavam pela região.

Agora, o estreito virou o principal ponto de estrangulamento do conflito.

Dados das empresas Kpler e LSEG, segundo a Reuters, mostram que petroleiros passaram a cruzar a área com rastreadores desligados para evitar possíveis ataques iranianos. Na semana passada, apenas três navios carregados com petróleo conseguiram deixar a hidrovia.

Os Estados Unidos anunciaram novas sanções contra empresas e indivíduos acusados de ajudar o Irã a vender petróleo para a China. Segundo Washington, a medida busca cortar recursos usados pelos programas militar e nuclear iranianos.

Bancos também receberam alertas sobre tentativas de driblar as restrições financeiras já existentes.

Trump deve chegar a Pequim na quarta-feira (13), e a guerra no Oriente Médio estará entre os temas da conversa com Xi Jinping.

A China é hoje o principal destino do petróleo iraniano.

Guerra pesa na campanha de Trump

O conflito também começa a produzir desgaste político dentro dos EUA.

Pesquisa Reuters/Ipsos concluída na segunda-feira mostrou que dois em cada três americanos acreditam que Trump não explicou claramente por que o país entrou na guerra. Entre republicanos, um em cada três compartilha dessa avaliação.

O aumento no preço dos combustíveis ampliou a pressão sobre a Casa Branca a menos de seis meses das eleições legislativas que vão definir o controle do Congresso.

Trump afirmou que pretende suspender temporariamente o imposto federal sobre a gasolina para conter a alta dos preços.

“Assim que isso terminar com o Irã, vocês verão os preços da gasolina e do petróleo despencarem”, declarou.

Aliados evitam entrar no conflito

Os EUA também enfrentam dificuldade para ampliar apoio internacional.

Países da OTAN resistem a enviar navios militares para reabrir o Estreito de Ormuz sem um acordo formal de paz e uma missão com respaldo internacional.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, conversou separadamente com autoridades do Reino Unido e da Austrália sobre tentativas de restaurar a navegação na região, segundo o Departamento de Estado.

Ao mesmo tempo, a Turquia tenta atuar mais diplomaticamente. O chanceler Hakan Fidan terá reuniões no Catar nesta terça-feira para discutir saídas para o conflito e formas de garantir segurança no estreito.