Baixo volume de chuvas acelera vazante do manancial, que registra a menor marca de 2026 e mantém capital em alerta para os impactos da seca
O Rio Acre continua sofrendo os efeitos da estiagem severa que atinge Rio Branco durante o verão amazônico. Após perder 40 centímetros ao longo de julho, o manancial iniciou agosto em queda e já está a apenas 81 centímetros da menor cota histórica registrada na capital.
De acordo com o monitoramento da Defesa Civil Municipal, o rio passou de 2,58 metros em 1º de julho para 2,18 metros no primeiro dia de agosto. Nesta segunda-feira (3), o nível chegou a 2,06 metros, a menor marca registrada em 2026.
Com a redução de 12 centímetros apenas nos três primeiros dias do mês, o Rio Acre se aproxima da mínima histórica de 1,25 metro, registrada em setembro de 2024.
Chuvas ficaram muito abaixo da média
A redução do nível do rio é reflexo direto da escassez de chuvas. Segundo a Defesa Civil, eram esperados 29,4 milímetros de precipitação em julho, mas o acumulado foi de apenas 10,4 milímetros, o equivalente a 35,3% da média histórica para o período.
O levantamento mostra ainda que Rio Branco permaneceu os primeiros 25 dias de julho sem registrar chuva. A primeira precipitação ocorreu somente no dia 26, quando foram contabilizados 8,4 milímetros. Nos dias seguintes, praticamente não houve novos acumulados significativos.
Ao longo de julho, o rio apresentou pequenas oscilações de elevação em alguns dias, mas voltou a cair de forma contínua na reta final do mês, consolidando a tendência de vazante.
Defesa Civil intensifica ações de assistência
Diante da redução do nível dos rios, a Defesa Civil de Rio Branco reforçou as ações de apoio às comunidades afetadas, principalmente com o abastecimento de água por meio de caminhões-pipa.
Segundo o coordenador do órgão, tenente-coronel Cláudio Falcão, equipes também realizam o levantamento dos prejuízos causados pela seca para viabilizar a obtenção de recursos destinados à ajuda humanitária.
“O nosso trabalho tem sido com abastecimento de água, por isso usamos caminhão-pipa para atender comunidades ao redor da capital. Além disso, estamos fazendo levantamento de perdas e buscando recursos de ajuda humanitária para garantir alimentação às famílias afetadas”, afirmou.
Estado decreta emergência por seca extrema
Em resposta ao agravamento da estiagem, o Governo do Acre decretou situação de emergência em todo o estado. O decreto, assinado pela governadora Mailza Assis (PP) e publicado no Diário Oficial do Estado (DOE), autoriza a adoção de medidas excepcionais para reduzir os impactos da seca.
A estiagem compromete o abastecimento de água, dificulta a navegação em rios e igarapés e eleva o risco de queimadas em diversas regiões acreanas. O decreto também estabelece que a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil ficará responsável por coordenar as ações de enfrentamento da emergência.


