Rio Branco, AC 9 de julho de 2026 12:14
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Petróleo oscila após novos ataques entre Estados Unidos e Irã

Brent e WTI perderam força após abertura em alta; disputa pela rota mantém temor de novos choques sobre energia, inflação e comércio global

O petróleo voltou a oscilar nesta quinta-feira (09) após Estados Unidos e Irã anunciarem novos ataques pelo segundo dia consecutivo. A escalada ampliou as dúvidas sobre a segurança no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo e gás.

O barril do Brent abriu o dia em alta de 0,58%, cotado a US$ 78,52, o equivalente a R$ 430. Mais tarde, por volta das 10h30, perdeu força e passou a recuar 0,04%. O WTI seguiu trajetória semelhante: avançava 0,34%, a US$ 73,76, cerca de R$ 380,80 na cotação atual, no início da manhã, mas caiu 0,53% na sequência.

A oscilação foi mais moderada do que na quarta-feira (08), quando os preços chegaram a subir mais de 7%. O Brent ultrapassou temporariamente os US$ 80, o equivalente a R$ 413, após o agravamento das tensões e permaneceu acima dos níveis registrados antes da retomada dos ataques.

O mercado tenta medir até que ponto a nova troca de ofensivas pode comprometer o transporte de energia pelo Golfo Pérsico. Uma interrupção prolongada teria capacidade para reduzir a oferta, aumentar custos de frete e seguros e pressionar preços em diferentes países.

Estreito de Ormuz vira centro da disputa

A nova fase do confronto está diretamente ligada ao controle e à segurança da navegação no Estreito de Ormuz.

Na noite de quarta-feira, forças dos Estados Unidos realizaram outra rodada de ataques contra estruturas militares iranianas. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, as ações atingiram sistemas de defesa aérea, redes de comando, radares costeiros e estruturas ligadas a mísseis e operações navais.

Washington afirma que pretende reduzir a capacidade do Irã de atacar embarcações comerciais. Teerã respondeu com ofensivas contra alvos ligados aos Estados Unidos e a países aliados no Golfo.

A disputa transformou o estreito em um dos principais pontos de pressão das negociações entre os dois países. O Irã controla a costa norte da passagem e mantém ilhas e estruturas militares próximas à rota.

Antes do agravamento da guerra, cerca de 20% do consumo mundial de petróleo e derivados passava pelo Estreito de Ormuz. A região também concentrava aproximadamente um quarto do comércio marítimo global de petróleo.

Poucas rotas conseguem substituir integralmente o estreito. Uma interrupção pode atrasar entregas, elevar custos de transporte e encarecer a energia mesmo em países distantes do conflito.

Mercado ainda evita apostar em choque prolongado

A perda de força do petróleo ao longo da manhã indica que investidores ainda evitam tratar os novos ataques como sinal definitivo de uma interrupção duradoura da oferta.

O risco, porém, continua elevado. Novas ofensivas contra navios, portos ou estruturas de energia podem recolocar os preços sob pressão em pouco tempo.

A reação também depende dos próximos passos diplomáticos. Qualquer sinal de retomada das negociações pode reduzir o prêmio de risco incorporado às cotações. Uma ampliação dos ataques tende a provocar efeito contrário.

Para governos e bancos centrais, a principal preocupação é a possibilidade de uma alta persistente do petróleo alimentar a inflação. Combustíveis mais caros aumentam custos de transporte, produção e distribuição, com reflexos sobre empresas e consumidores.

No Brasil, os efeitos dependem da duração da crise, da cotação do dólar e da política de preços dos combustíveis. Uma alta prolongada do barril pode aumentar a pressão sobre gasolina, diesel, fretes e índices de inflação.