Produtores pedem novas medidas comerciais durante investigação aberta contra o Brasil
A National Corn Growers Association (NCGA), entidade que representa os produtores de milho dos Estados Unidos, pediu ao governo americano a aplicação de uma tarifa de 25% sobre o etanol brasileiro durante a investigação comercial aberta contra o Brasil com base na Seção 301. A associação afirma que políticas adotadas pelo Brasil prejudicaram os agricultores americanos ao longo da última década e defende novas medidas de retaliação.
O posicionamento foi apresentado em um depoimento encaminhado às autoridades dos EUA, no qual a entidade acusa o Brasil de restringir o acesso do etanol americano ao mercado brasileiro enquanto ampliava as exportações de etanol produzido no país.
NCGA critica tarifa brasileira sobre etanol dos EUA
Segundo a NCGA, a principal barreira comercial é a tarifa aplicada pelo Brasil ao etanol importado dos Estados Unidos.
A associação afirma que, em 2017, o governo brasileiro criou uma tarifa de 20% acompanhada de uma cota tarifária para o biocombustível americano. Na avaliação da entidade, a medida provocou forte queda nas exportações para o mercado brasileiro.
De acordo com o documento, desde 1º de janeiro de 2024, a tarifa permanece em 18%.
“O mercado praticamente desapareceu”, afirmou o vice-presidente da NCGA, Matt Frostic, ao defender que a tarifa brasileira foi responsável pela redução das exportações americanas de etanol.
Associação pede tarifa de 25% contra o etanol brasileiro
Além de criticar as políticas brasileiras, a entidade apoia que o governo dos Estados Unidos imponha uma tarifa de 25% sobre o etanol brasileiro.
Segundo Frostic, a investigação conduzida com base na Seção 301 deveria abranger todas as ações que, na visão da associação, prejudicam os produtores de milho americanos.
Além disso, o documento também solicita que Washington avalie outras formas de retaliação comercial contra o Brasil.
RenovaBio também é alvo de críticas
A associação também direcionou críticas ao RenovaBio, programa brasileiro voltado à descarbonização dos combustíveis.
Segundo a NCGA, o modelo brasileiro dificultaria a habilitação de usinas americanas e favoreceria os produtores nacionais, ampliando a competitividade do etanol brasileiro em mercados internacionais, incluindo o segmento de combustíveis sustentáveis para aviação.
Debate sobre pegada de carbono
Outro ponto levantado pela entidade envolve a comparação da pegada de carbono entre o milho produzido no Brasil e nos Estados Unidos.
No documento, Frostic questiona o argumento de que o milho brasileiro, cultivado em segunda safra, apresenta menor impacto ambiental. Segundo ele, mudanças no uso da terra, incluindo áreas de pastagem e vegetação nativa, não seriam devidamente consideradas nos cálculos utilizados pelo Brasil.
A manifestação da NCGA integra a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos para avaliar práticas comerciais brasileiras e poderá servir de base para eventuais decisões do governo americano sobre novas tarifas e outras medidas envolvendo o comércio bilateral de etanol, milho e biocombustíveis.


