Rio Branco, AC 27 de maio de 2026 13:15
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Pegadinha

A expressão “deu a loba” na política do Acre funciona como uma gíria para “dar uma rasteira”, “passar a perna” ou “quebrar um acordo político”. No contexto recente das articulações para as eleições de 2026, a movimentação envolvendo Vagner Sales (presidente estadual do MDB) e os chamados ‘Cabeças Brancas’ do MDB com o grupo político ligado ao Palácio Rio Branco, caracteriza a imagem retro descrita.

Cronologia

No início do mês de março do corrente ano, Vagner Sales, com a chancela dos demais cardeais do partido, conduziu negociações diretas com o ex-governador Gladson Cameli (PP) e com a então vice-governadora Mailza Assis (PP), já definida como a candidata do grupo palaciano ao governo em outubro próximo, para colocar o MDB na base governista. O acordo estabelecia que o MDB teria como contrapartida a obrigação de indicar a ex-deputada Jéssica Sales, filha de Vagner, ao posto de vice na chapa de Mailza.

Risco n’água

As promessas de Sales ficaram nas promessas, vez que agora vem a notícia que o nome acertado para o posto (Jéssica Sales), nunca aquiesceu o que fora prometido pelos emedebistas em seu nome. Jéssica afirma que seu foco sempre foi e é sua pré-candidatura ao Senado Federal ou, numa segunda hipótese, o retorno à Câmara Federal, objetivos que ela aponta como seu principal norte político.

Raciocínio

Jéssica reforça sua opção ao Senado diante do impedimento jurídico da candidatura do ex-governador Cameli, o que abre um horizonte de possibilidades para o seu pleito. Com a recusa de Jéssica, o MDB e a governadora Mailza Assis agora buscam outras alternativas de composição para a chapa governista,

Encontro

Em meio à crise provocada pelas revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington.

Tensão

O encontro ocorreu no Salão Oval e é tratado por aliados do senador como uma tentativa de reforçar sua pré-campanha presidencial após semanas de desgaste político. A reunião foi precedida por uma manhã tensa na equipe do senador, pois não havia certeza de que ela aconteceria de fato.

Preliminares

A confirmação veio de interlocutores ligados ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, em contato com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e do influenciador digital Paulo Figueiredo, que chegaram a tirar também foto com Trump. O senador levou uma camisa da seleção brasileira para entregar ao presidente, mas a segurança reteve o presente para vistoria.

Versão

Em pronunciamento após o encontro, Flávio Bolsonaro afirmou ter pedido a Trump que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) sejam classificados pelos EUA como organizações terroristas.

Temas

O senador também afirmou ter discutido com Trump diferenças entre um eventual governo liderado por ele e a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com Flávio, Trump perguntou sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro, gesto que o senador classificou como “humano”.

Reação

O comando de campanha de Lula já tem uma estratégia para reagir à foto de Flávio Bolsonaro com Trump: usá-la para reforçar o discurso de soberania do petista. Além disso, a ideia é comparar a pompa da recepção a Lula em seu último encontro com o presidente americano — que seguiu o protocolo para chefes de Estado — com a foto posada do senador no Salão Oval.

Artilharia

Enquanto se encontrava com Trump, Flávio Bolsonaro recebia fogo amigo no Brasil. Na tarde desta terça-feira, 26, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que Flávio ainda precisa esclarecer pontos sobre sua relação com o empresário Daniel Vorcaro. Tarcísio disse que o caso “agride a sociedade como um todo” e declarou que os fatos precisam ser “muito bem explicados”.

Esclarecimentos

“Tem muitas questões que ele mesmo precisa explicar. A população está vendo aí esses escândalos do Banco Master, que é uma coisa que agride a sociedade como um todo. Isso deixa a sociedade em alerta. E aí tudo tem que ser muito bem explicado”, disse Tarcísio.

Que fase!

Em outra frente de desgaste para a campanha do senador, uma investigação da Polícia Federal aponta que seu aliado, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) mantinha uma relação de proximidade com Daniel Vorcaro, o que teria facilitado aportes bilionários do Rioprevidência no Banco Master.

Toxicidade

Em decisão que autorizou buscas contra Castro na manhã desta terça-feira, 26, o ministro do STF André Mendonça afirma que a relação entre os dois extrapolava contatos institucionais. Segundo a PF, reuniões de Castro com Vorcaro antecediam liberações de investimentos do Rioprevidência no Banco Master.

Conto da carochinha

A cronologia dos investimentos do governo do Rio no Banco Master enfraquece a versão apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro sobre sua relação com Daniel Vorcaro. Flávio afirma que não sabia da existência de dinheiro público no escândalo envolvendo o banco.

Cronologia

Ocorre, no entanto, que o Rio — então comandado pelo PL — foi o estado que mais aportou recursos na instituição de Vorcaro. Flávio diz ter conhecido o banqueiro em dezembro de 2024, mas, dois meses antes, o Tribunal de Contas do Estado do Rio já havia alertado o então governador Cláudio Castro (PL-RJ) sobre suspeitas de irregularidades.

Tom

A propósito do candidato Flávio Bolsonaro, encurralado pelas investigações do Banco Master e as revelações sobre o financiamento do filme Dark Horse, o senador deixa de lado a imagem de ‘moderado’ e adota o tom de guerrilha ao embarcar para os EUA.

Concílio

A viagem, em busca de uma foto com Donald Trump, parece ter se tornado uma grande convenção com Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo e Mário Frias para alinhar as defesas no escândalo dos áudios. Mas pode servir também para Flávio se reabastecer das técnicas de Steve Bannon e Olavo de Carvalho e reanimar a militância.

Regramento

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, manter a decisão do ministro Flávio Dino que extinguiu a aposentadoria compulsória como punição para magistrados condenados por infrações graves.

Bom senso

Com o entendimento, juízes enquadrados nesse tipo de conduta passam a perder o cargo, em vez de serem afastados com remuneração paga pelo Estado. Ao votar, Dino reiterou os argumentos apresentados em sua decisão individual de março, afirmando que a manutenção da aposentadoria remunerada para magistrados punidos representa uma “erosão democrática”.

Unificação

Ainda na esfera do poder judiciário, e também por unanimidade, o Conselho Nacional de Justiça aprovou a criação de um contracheque único para magistrados de todo o país, em medida voltada a ampliar a transparência sobre os vencimentos do Judiciário. Com a decisão, cada juiz passará a receber apenas um demonstrativo mensal de remuneração, ficando proibida a divulgação de documentos complementares ou pagamentos separados. O novo modelo também prevê padronização das rubricas salariais.

Bandeira branca

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sinalizou ao governo que não pretende dificultar a tramitação da proposta que acaba com a escala 6×1. Alcolumbre indicou que dará andamento ao texto assim que a PEC for aprovada pela Câmara dos Deputados, reduzindo temores no Planalto sobre eventual resistência no Senado.

Empuxe

A avaliação entre aliados do governo é que a pauta ganhou forte apelo eleitoral entre parlamentares da base e de partidos de centro, interessados em associar a aprovação da medida às eleições de outubro. O parecer sobre a PEC deve ser votado ainda hoje na comissão especial da Câmara e até o fim da semana no plenário.

Empecilho

Em que pese o viés eleitoral, a proposta de transição para as novas regras enfrenta resistências no Senado. Pelo acordo fechado entre Planalto e Câmara, a jornada semanal cairia de 44 para 42 horas 60 dias após a promulgação da PEC. A redução final para 40 horas ocorreria um ano depois. Nos bastidores, senadores divergem tanto sobre o modelo de transição quanto sobre a velocidade da tramitação da proposta na Câmara. Parte dos parlamentares considera o debate acelerado demais.

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