Rio Branco, AC 14 de agosto de 2026 12:16
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Partidos de Alan Rick acionam Justiça contra isenção de IPVA criada por Mailza

Representação aponta possível conduta vedada em ano eleitoral e pede multa máxima de R$ 106,4 mil; governadora terá cinco dias para apresentar defesa

Partidos que integram a aliança de apoio à pré-candidatura de Alan Rick ao governo do Acre acionaram a Justiça Eleitoral contra a lei sancionada pela governadora Mailza Assis que concede isenção do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para veículos adquiridos entre os dias 1º e 30 de agosto por pessoas físicas.

A medida, aprovada pela Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) em sessão remota, foi apresentada pelo Poder Executivo com o objetivo de estimular a comercialização de veículos durante as nove noites da Expoacre.

Republicanos, Novo, Avante e PSD, porém, sustentam que a concessão do benefício em ano eleitoral pode configurar conduta vedada pela legislação. A representação tem como base o artigo 73, § 10, da Lei das Eleições, que restringe a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios pela administração pública durante o ano eleitoral, ressalvadas as hipóteses previstas em lei.

A governadora foi intimada e terá cinco dias para apresentar sua defesa. O caso ainda será analisado pela Justiça Eleitoral.

Partidos que questionam também votaram a favor da medida

A representação, no entanto, ocorre em um cenário político que envolve os próprios partidos autores da ação. O Republicanos, por exemplo, possui três deputados estaduais que votaram favoravelmente ao projeto: Tadeu Hassem, Eduardo Ribeiro e Gene Diniz.

O Partido Novo também participou da votação por meio do deputado Emerson Jarude, que igualmente votou a favor da matéria.

Apesar disso, os partidos sustentam que a iniciativa e a posterior sanção da lei pela governadora podem caracterizar uma vantagem indevida em período eleitoral.

Na ação, os autores afirmam que a medida não se enquadra nas exceções previstas pela legislação. “Não se trata de programa social, de situação de calamidade ou de estado de emergência”, argumentam.

Segundo a representação, a norma criou uma “exoneração tributária temporária e generalizada” justamente durante o período de realização da Expoacre, evento promovido pelo governo estadual.

Ação cita decisões anteriores do TSE

Os partidos também recorrem a precedentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para sustentar o pedido. Entre os casos citados está uma decisão relacionada às eleições de 2012, no Paraná, quando uma lei de iniciativa do então prefeito concedeu isenção tributária.

Na ocasião, o TSE reconheceu a ocorrência de conduta vedada em razão da concessão do benefício durante o ano eleitoral.

No caso do Acre, a responsabilidade é atribuída diretamente a Mailza Assis, sob o argumento de que a governadora encaminhou o projeto à Assembleia e, posteriormente, sancionou a legislação.

“Trata-se, portanto, da agente pública responsável pela iniciativa e pela sanção da norma que instituiu a vantagem”, afirma a representação apresentada à Justiça Eleitoral.

Partidos pedem anulação da isenção e multa máxima

Além do reconhecimento de eventual conduta vedada, os partidos pedem ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) que a isenção seja considerada nula e deixe de produzir efeitos.

A representação também solicita a aplicação da multa máxima prevista na legislação, de R$ 106.410.

O processo ainda não foi julgado. Até o momento, a governadora Mailza Assis tem cinco dias para apresentar sua defesa antes da análise dos pedidos pela Justiça Eleitoral.