Rio Branco, AC 24 de julho de 2026 21:03
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Golpes virtuais crescem 27% no Acre e ultrapassam 600 casos registrados em 2025

Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta avanço das fraudes eletrônicas no estado e alerta para atuação cada vez mais organizada de grupos criminosos

Os crimes de estelionato praticados por meios eletrônicos, como golpes aplicados pela internet, aplicativos de mensagens e ligações telefônicas, cresceram 27% no Acre em 2025. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta semana pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estado passou de 473 registros em 2024 para 605 ocorrências neste ano.

Quando considerados todos os casos de estelionato, independentemente da modalidade, o Acre contabilizou 6.198 registros em 2025, evidenciando a dimensão desse tipo de crime no estado.

Desigualdade regional marca incidência dos golpes

O levantamento mostra que a distribuição dos crimes de estelionato eletrônico varia significativamente entre as unidades da federação. São Paulo lidera o ranking nacional, com taxa de 1.808,3 registros, seguido pelo Distrito Federal (1.717,0).

Na sequência aparecem Paraná (1.339,1), Rondônia (1.329,6), Santa Catarina (1.294,8), Espírito Santo (1.254,7) e Goiás (1.075,6), todos com índices superiores a mil registros. Segundo os pesquisadores, esse cenário está concentrado principalmente nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, tendo Rondônia como a única exceção da Região Norte.

Golpes funcionam como uma indústria do crime

O estudo destaca que o estelionato deixou de ser praticado por criminosos isolados e passou a operar em um modelo estruturado, semelhante ao de empresas. Segundo os pesquisadores, os grupos criminosos contam com divisão de funções, roteiros para abordar vítimas, metas de arrecadação e infraestrutura tecnológica dedicada à aplicação dos golpes.

Para os autores do Anuário, o cenário revela uma verdadeira economia criminosa organizada, sustentada por financiamento, lavagem de dinheiro e estrutura empresarial. Eles alertam que combater apenas os executores dos golpes, como operadores de centrais telefônicas ou pessoas responsáveis por recolher cartões das vítimas, é insuficiente sem desarticular toda a cadeia financeira e operacional das organizações criminosas.

Os dados integram a edição mais recente do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgado nesta semana.