Rio Branco, AC 19 de setembro de 2026 19:38
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ODs são tema de oficina sobre retorno social de investimentos no Inova Amazônia Summit 2026

Atividade apresentou metodologia que permite medir os efeitos de ações na sociedade e relacioná-los aos desafios do desenvolvimento sustentável na Amazônia

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estão entre os temas sobre desenvolvimento sustentável discutidos durante o Inova Amazônia Summit 2026. Além de ser sustentável, o evento busca gerar saldo positivo, fortalecer comunidades, restaurar a natureza e ampliar a renda local.

Dentro da programação, a oficina “Mensurando SROI – Retorno Social sobre o Investimento” apresentou, nesta sexta-feira (18), uma metodologia voltada à identificação e mensuração dos impactos que investimentos e projetos produzem na sociedade, com o objetivo de ampliar a análise para além dos resultados financeiros.

A atividade foi conduzida por Olímpio Lage, consultor do Sebrae no Acre. Segundo ele, o Retorno Social sobre o Investimento (SROI) é uma metodologia desenvolvida na União Europeia e utilizada para mensurar os impactos que determinados investimentos e ações geram para a sociedade.

“É uma forma de comunicar ao mercado de capital, a relevância de certas ações. O Sebrae hoje começa a fazer isso e a gente consegue entender a partir do SROI: se eu invisto um milhão de reais, eu tenho um retorno financeiro, mas para além disso, qual é o impacto que isso causa na sociedade?”, explicou.

Segundo o consultor, a metodologia permite transformar esses impactos em valores que ajudam a demonstrar os resultados gerados por determinada iniciativa. A ferramenta, de acordo com ele, amplia a avaliação tradicional, que considera principalmente o retorno financeiro, ao buscar identificar e monetizar também os resultados sociais produzidos por uma iniciativa.

“Então a gente consegue monetizar esse impacto. E o resultado final é como se fosse: a cada R$ 1 investido, eu tenho R$ 1,50 de retorno, eu tenho R$ 2 de retorno, eu tenho R$ 0,50 de retorno”, afirmou.

Durante a oficina, os participantes tiveram contato com as etapas necessárias para construir uma análise de SROI. A proposta consistiu em apresentar os conceitos e simular a aplicação da metodologia, partindo da identificação da mudança que uma determinada ação pretende provocar até a mensuração do impacto gerado.

“Entendemos primeiro os conceitos, ver o que tem que ser feito, entender o que eu quero mudar com aquela ação que eu estou propondo, como eu chego àquela mudança e depois medir o impacto dessa mudança”, detalhou.

Ampliação da avaliação dos projetos

De acordo com Olímpio, a adoção do SROI pelo Sebrae no Acre representa uma iniciativa ainda pouco utilizada por instituições no país e pode contribuir para uma nova forma de avaliar projetos e ações.

A expectativa, segundo o consultor, é que a metodologia passe a ser incorporada às iniciativas desenvolvidas pela instituição.

“Em nível Brasil, são pouquíssimas empresas que ainda têm, é uma iniciativa extremamente inovadora do Sebrae no Acre”, destacou.

Para o palestrante, a utilização do SROI também permite elevar os critérios utilizados para avaliar ações e projetos.

“É algo que de fato vai mudar a forma de se observar os projetos daqui para frente. Então, é bem inovador, bem interessante e muito importante fazermos isso porque daqui para frente a régua sobe”, disse.

O consultor destaca também que a metodologia pode contribuir para que outras instituições e órgãos também passem a mensurar os impactos gerados por seus investimentos.

SROI e o potencial da Amazônia

O debate sobre a mensuração de impactos também ganha uma dimensão estratégica quando relacionado à Amazônia. Para o consultor, utilizar ferramentas capazes de demonstrar os resultados econômicos e sociais gerados pelas iniciativas desenvolvidas na região pode contribuir para ampliar a percepção sobre o potencial da biodiversidade amazônica.

“Entender e mensurar o impacto que as ações têm dentro da sociedade, principalmente dentro da Amazônia, faz com que a gente consiga reportar isso para o mundo. É como se a gente ‘monetizasse’ cada ação que tivesse aqui dentro”, afirmou.

Na avaliação dele, a aplicação da metodologia ajuda a apresentar a Amazônia também a partir de suas possibilidades de geração de renda, investimentos e novos negócios associados à conservação.

“A Amazônia não é só mais uma floresta de pé. A Amazônia é um ecossistema com potencial de crescimento econômico que traz retorno financeiro, traz investimento”, disse.

O palestrante defende ainda que a conservação da floresta também seja compreendida a partido dos benefícios econômicos que podem ser gerados por modelos de negócios sustentáveis.

“É olhar para a Amazônia com outro foco, não só de floresta de pé, vamos manter a floresta de pé, não. Essa floresta de pé tem que ser mantida porque de fato ela gera retorno econômico, ela gera novos investimentos, ela gera novos modelos de negócio, novos modelos de produtos”, concluiu.