Rio Branco, AC 17 de junho de 2026 12:48
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André Kamai denuncia crise milionária entre Prefeitura e Ricco Transportes e alerta para colapso total no transporte coletivo de Rio Branco

A agonia de quem depende do ônibus em Rio Branco acaba de ganhar um novo, e assustador, capítulo. O que já era uma rotina estressante de atrasos e superlotação agora está a um passo do apagão total. O vereador André Kamai veio a público revelar uma verdadeira bomba prestes a explodir no colo do trabalhador rio-branquense: um documento da empresa Ricco Transportes que cobra o que seria uma dívida estrondosa da Prefeitura, beirando a casa dos 30 milhões de reais.

O ofício, protocolado no gabinete do prefeito e na superintendência da RBTrans na tarde desta terça-feira (16), traz uma notificação em tom de ultimato. Nele, a concessionária comunica a intenção de realizar um protesto na frente da Prefeitura a partir do dia 18 de junho. A justificativa, segundo alega a própria empresa, seria um “grave desequilíbrio econômico-financeiro” supostamente causado pela ausência de repasses do poder público. De acordo com os cálculos da Ricco apresentados no ofício, o valor acumulado que estaria sendo devido pela gestão municipal atingiria a exata quantia de R$ 29.797.984,30. O documento ainda ressalta que a manifestação só seria suspensa caso houvesse o efetivo recebimento desse montante.

Para Kamai, a corda já arrebentou do lado mais fraco. Não são apenas as planilhas da empresa ou os cofres do município que sofrem o impacto dessa queda de braço, mas sim os rodoviários e os passageiros que vivem o problema na pele. “A gente tem a informação de que os trabalhadores do transporte coletivo não estão recebendo seus salários”, disparou o parlamentar, acrescentando a denúncia de que até as rescisões de possíveis desligamentos estariam ameaçadas. É a face mais cruel e desumana dessa crise.

O vereador foi implacável na cobrança por transparência. Ele pontuou que existe uma emenda exigindo que a Prefeitura só faça os repasses quando os direitos dos trabalhadores estiverem em dia. No entanto, alertou que o município não pode usar esse artifício para lavar as mãos diante da iminência de um colapso. “O que a gente quer saber é quem está criando esse caos na cidade de Rio Branco? É a Prefeitura que não cumpre suas obrigações, ou é a empresa que também não está cumprindo com o que deve ser cumprido?”, indagou.

Enquanto a gestão pública e a concessionária protagonizam um embate sobre cifras milionárias e supostas dívidas, a população assiste, refém, a mais um episódio de extremo descaso. Kamai garantiu que seu mandato seguirá fiscalizando de perto esse problema. Afinal, o cidadão que se amontoa nas paradas de ônibus todos os dias não tem 30 milhões na conta, mas acaba sendo quem paga a fatura mais cara pela ineficiência e pelas disputas de quem deveria garantir o básico.