Rio Branco, AC 23 de setembro de 2026 14:07
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Inconformismo

O prefeito de Feijó, Railson Correia, ontem, segunda-feira, 21, foi às redes sociais postar um vídeo, gravado em frente ao Hospital Geral do município, lamentar a morte do servidor público municipal Anderson Montefusco (foto), de 32 anos, e questionar burocracia da Secretaria Estadual de Saúde para a transferência do paciente à capital, que, no seu entender, precipitou o óbito do servidor que sofreu um infarto agudo do miocárdio.

Impacto

O caso gerou forte repercussão e indignação pública devido a denúncias de negligência e demora na regulação estadual para o transporte aéreo do paciente. Anderson sofreu o infarto pela manhã e foi levado ao Hospital Geral de Feijó. Na Emergência hospitalar, Ele foi atendido e estabilizado pela equipe médica local.

Sinistro

Devido à gravidade e à necessidade de suporte especializado, os médicos solicitaram para a Secretaria de Saúde, com urgência, uma aeronave por meio do programa de Tratamento Fora de Domicílio (TFD) para transferi-lo à Rio Branco. O transporte aéreo não foi disponibilizado a tempo. Anderson aguardou pela regulação do Estado ao longo do dia, mas seu quadro evoluiu para o óbito, ainda no hospital de Feijó.

Narrativa

A morte do jovem gerou uma onda de protestos de moradores e autoridades locais sobre a precariedade da saúde pública no Acre: O prefeito de Feijó, Delegado Railson Ferreira, gravou um vídeo público em frente ao hospital contestando duramente o governo do Estado pela demora em liberar a aeronave, reforçando que o paciente estava estabilizado e apto a voar se o socorro tivesse chegado.

Desfecho

Nas redes sociais, a população manifestou revolta contra a falta de UTIs e de suporte de resgate aeromédico fixo em municípios isolados do interior do estado. A Secretaria de Saúde do Estado emitiu nota manifestando solidariedade aos familiares e amigos, além de reafirmar compromisso com a segurança da assistência, embora o caso continue sob forte cobrança por esclarecimentos.

Debate

Ainda ontem, segunda-feira, 21, com a ausência da governadora Mailza Assis (PP) candidata à reeleição, cinco candidatos ao Governo do Acre participaram do debate promovido pela TV Gazeta, em Rio Branco. O encontro foi mediado pelo jornalista Fábio Menegatti, da RECORD, e contou com a participação de Eudo Raffael (PCB), Alan Rick (Republicanos), Tião Bocalom (PSDB), Thor Dantas (PSB) e Dr. Luisinho (Agir).

Questionamento

Dentre os temas expostos, o senador Alan Rick (Rep) trouxe à baila a formação acadêmica apresentada pela governadora Mailza Assis, declarada junto ao Tribunal Regional Eleitoral e levantou questionamentos sobre a compatibilidade entre o local do curso e a rotina da candidata no período mencionado, cobrando explicações sobre inconsistências do documento probatório da formação acadêmica.

Incompatibilidade

“O certificado que ela apresenta diz que fez um curso presencial em Valparaíso de Goiás, mas, quando observamos a linha do tempo, ela morava em Senador Guiomard. Como poderia estar em Valparaíso de Goiás para realizar as aulas?”, questionou Rick. Segundo as informações consultadas sobre a instituição de ensino, o curso de Pedagogia é anunciado como presencial e tem duração de quatro anos. A formação declarada por Mailza teria ocorrido entre 2016 e 2019.

Jurisprudência

No entendimento de Rick, caso seja comprovada a inserção de informação falsa sobre a formação em documento público ou particular, a conduta pode, em tese, ser investigada como possível crime de falsidade ideológica, previsto no artigo 299 do Código Penal. A caracterização do crime depende da análise dos documentos e das circunstâncias em que a informação foi utilizada.

Agenda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abrirá às 10h (horário de Brasília) a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, com os olhos voltados para o Brasil. Pressionado pela crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e pelas pesquisas que o mostram empatado com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula deve usar seu discurso para mandar recados ao eleitorado brasileiro.

Pautas

Segundo assessores, ele vai reforçar o tema da soberania, diante das pressões dos Estados Unidos tanto na área comercial quando eleitoral, mas não vai citar nominalmente Donald Trump. Deve ainda focar nos esforços do Brasil nas áreas de meio ambiente e combate ao crime organizado.

Estilo

Na segunda-feira, já nos EUA, o brasileiro voltou a criticar a atuação internacional do presidente americano, afirmando que ele como um “imperador”, impondo a outros países o que chamou de “lei do mais forte”. “Ele age como imperador. É um jeito de governar que eu não concordo”, afirmou Lula, em entrevista à CNN.

Bom senso

Apesar das críticas, Lula disse que pretende insistir na negociação para tentar reduzir as tarifas impostas pelos EUA e que não pretende iniciar uma guerra comercial, mas admitiu recorrer à Lei de Reciprocidade caso as conversas com Washington não avancem.

Descarte

Em reunião com o senador americano Bernie Sanders, Lula, no entanto, minimizou o risco de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. Lula disse não haver, neste momento, indícios de ingerência, embora tenha afirmado que o governo permanece atento, principalmente às redes sociais.

Nitroglicerina

Enquanto Lula deve ter a soberania como ponto principal, a expectativa para o discurso de Trump, que acontecerá em seguida, é de mais ataques verbais ao Irã. De acordo com Mike Waltz, embaixador americano na ONU, o presidente vai “abordar a importância de garantir que o Irã nunca tenha uma arma nuclear”.

Rasante

A crise envolvendo ministros do STF e Daniel Vorcaro ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira, em meio a uma nova série de vazamentos de informações extraídas do celular do ex-dono do Banco Master. Alexandre de Moraes, que aparece ao lado da mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, em um vídeo vazado de uma viagem em um avião de Vorcaro, declarou-se impedido de relatar uma ação que busca identificar eventuais visitas de Viviane e do ex-banqueiro a gabinetes de senadores entre 2019 e 2026.

Fulcro

Moraes havia sido sorteado para relatar o processo na sexta-feira. No despacho em que deixou o caso, o ministro citou o Código de Processo Civil, que prevê o impedimento do juiz quando o cônjuge é parte na ação. Com a decisão, o processo será redistribuído a outro ministro.

Mais do mesmo

Moraes foi apenas um dos ministros que tiveram seus nomes citados na última leva de vazamentos. Uma das conversas extraídas do celular do banqueiro aponta a existência de um contrato de advocacia de R$ 427 milhões relacionado à chamada “Turma do KN”. O pagamento estaria condicionado ao sucesso de ações de interesse de Daniel Vorcaro em tribunais superiores, envolvendo R$ 8,5 bilhões em precatórios. Segundo as mensagens, “KN” seria uma referência ao ministro Kassio Nunes Marques.

Código

As mensagens indicam que assessores de Vorcaro usavam a expressão “Turma do KN” para se referir ao desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), e à mulher dele, a advogada Camilla Ramos.

Respingos

Outra leva de mensagens que veio a público mostra que o empresário e pastor Fabiano Zettel, apontado pelos investigadores como operador financeiro de Vorcaro, mantinha uma planilha de pagamentos pendentes que previa o repasse de R$ 1 milhão ao empresário Chiquinho Feitosa, ex-cunhado do ministro Gilmar Mendes.

Aconselhamento

As mensagens também mostram que, em abril de 2024, Chiquinho aconselhou Vorcaro a estabelecer uma relação direta com Gilmar Mendes. “Você tem que começar uma relação direta com ele! É importante para o futuro! Ele é um grande sujeito com grande caráter e um grande amigo”, escreveu a Vorcaro.

Temores

Conversas extraídas do celular de Vorcaro também mostram que o ex-dono do Master temia a divulgação de um possível encontro com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no fim de 2024. Em mensagens trocadas em 8 de dezembro, o empresário Flávio Carneiro perguntou a Vorcaro se ele estava ciente de um jantar que estaria sendo articulado com seu “xará” e o “pai dele”.

Personagens

Segundo fontes da PF citadas na reportagem, as referências seriam a Flávio e Jair Bolsonaro. Vorcaro inicialmente afirmou não saber do encontro. Minutos depois, respondeu: “Temos que pensar nisso. Vamos falar nós primeiro.” No dia seguinte, o ex-banqueiro voltou ao assunto e pediu sigilo. “Não fala dessa reunião bolso pra ninguém”, escreveu. As mensagens não permitem concluir se o jantar chegou a acontecer.

Ligações

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, encaminhou em 2023 uma emenda parlamentar a pedido do miliciano Robson Calixto da Fonseca, o Peixe, preso pelo envolvimento no assassinato, em 2018, da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e do motorista dela, Anderson Gomes.

Tratativas

A verba de R$ 200 mil foi destinada a um projeto social em uma área do Rio controlada pela milícia e base eleitoral dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, condenados como mandantes do crime. De acordo com a Polícia Federal, Peixe manteve contatos ao longo de cinco meses com a assessora Maria de Fátima Bezerra Castro, lotada no gabinete de Bolsonaro.

Interlocução

A troca de mensagens se estendeu até as vésperas da prisão dos Brazão, em março de 2024. Peixe, também condenado, foi o intermediador entre os mandantes e o também miliciano Ronnie Lessa, assassino confesso de Marielle, e ainda forneceu as armas do crime.

Homem ao mar

E o Ministério da Justiça oficializou a demissão de Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da PF por abandono de função. Segundo a portaria, o ex-deputado, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, faltou ao serviço sem justificativa por mais de 30 dias consecutivos. Para continuar na PF, teria de retornar ao Brasil, já que o trabalho de escrivão não pode ser exercido remotamente.

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