Rio Branco, AC 21 de setembro de 2026 14:57
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O relógio corre contra o ex-governador do Acre Gladson Cameli (PP). Desde ontem, domingo, 20, o relator do processo de registro de sua candidatura ao Senado, juiz Thalles Vinicius de Souza Sales, está autorizado a levar a julgamento, no plenário do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), os embargos de declaração opostos pela defesa, à luz do parecer da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) que pede a manutenção da decisão que barrou o registro.

Parecer conjunto

Pela legislação eleitoral, o relator não pode decidir sozinho: o art. 62, caput, da Resolução TSE nº 23.609/2019 só autoriza decisão monocrática em pedidos de registro sem impugnação e sem notícia de inelegibilidade — situação que não é a de Cameli, alvo de ambas. A única exceção é a correção do erro material apontado nos embargos, que pode ser feita por simples despacho; o mérito exige votação do colegiado.

Cenário

Se o plenário mantiver a impugnação e rejeitar os embargos, abre-se prazo de três dias para recurso ordinário ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para continuar concorrendo enquanto o recurso tramita, a defesa precisará pedir, na mesma peça, efeito suspensivo com base no art. 26-C da Lei Complementar nº 64/1990 (LC 64/90), sob pena de preclusão. Se a liminar for negada, a coligação Avança Acre terá dez dias para pedir a substituição do candidato, conforme o art. 72 da Resolução TSE nº 23.609/2019.

Formalidades

O parecer da PRE, foi protocolado em 16 de setembro pelo procurador regional eleitoral Vitor Hugo Caldeira Teodoro, nos autos TRE-AC-RCAND-0600481-67.2026.6.01.0000. O documento pede o conhecimento e o acolhimento apenas parcial dos embargos, sem efeitos infringentes: onde consta “HC nº 276.968”, deve-se ler “HC nº 273.968/DF” — simples correção de erro material, prevista no art. 1.022, inciso III, do Código de Processo Civil (CPC).

Síntese

Em todos os demais pontos, a PRE pede a rejeição integral, com a manutenção do Acórdão nº 7.445/2026, que por unanimidade indeferiu o registro de Cameli ao Senado.

Aposta final

Enquanto o TRE-AC decide os embargos, a defesa de Cameli aposta suas fichas em uma frente paralela: o Habeas Corpus nº 273.968/DF, no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Gilmar Mendes. É dessa ação, que tramita em segredo de justiça, que depende a chance de o ex-governador reverter a condenação e, por consequência, a inelegibilidade.

Recrudescimento

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou mais um elemento de tensão neste domingo, 20, com a divulgação pelo jornalista Lauro Jardim, O Globo, de um vídeo no qual o ministro Alexandre de Moraes e a esposa, a advogada Viviane Barci, desembarcam, em agosto de 2025, de um jatinho que pertence ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Negativa

Em abril deste ano, após vir a público um contrato de R$ 131 milhões entre o banco e o escritório de Barci, o gabinete de Moraes soltou nota negando que o ministro tivesse usado em algum momento aeronaves de Vorcaro — mesmo com o vídeo, Moraes continua negando o uso do avião. (Globo)

Versão

O jatinho de Vorcaro era gerenciado pela empresa Prime You, mas o banqueiro mantinha controle sobre o uso da aeronave. Segundo mensagens de celular obtidas pela Polícia Federal, ele orientou uma funcionária responsável pela agenda de voos do avião a dar prioridade ao ministro e à esposa. Em nota, o escritório de Viviane Barci disse ter contratado o voo da empresa Prime Aviation e que a locação “não envolve qualquer vínculo pessoal com o proprietário da aeronave”.

Distância

Na sexta-feira, sem citar nomes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que cinco ministros do STF estariam ligados “direta ou indiretamente” ao Banco Master. Em entrevista a uma rádio, Lula voltou a defender uma reforma no Judiciário, mas disse que antes era preciso “resolver esse problema”, referindo-se às suspeitas. Ele criticou o contrato da esposa de Moraes e as relações atribuídas a Dias Toffoli com o banco, mas também acusou André Mendonça de “segurar informações” sobre o caso.

Disputa renhida

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera a corrida presidencial no primeiro turno e aparece tecnicamente empatado com seus principais adversários nas simulações de segundo turno, segundo a nova pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira ,21. No cenário onde disputa contra Flávio Bolsonaro, em um 2º turno, Lula está numericamente à frente por 46% a 45%.

Induzido

No cenário estimulado de primeiro turno, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Lula registra 40% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparece com 37%. Na sequência estão Augusto Cury, com 6%; Renan Santos, com 5%; Ronaldo Caiado, com 3%; e Romeu Zema, com 1%.

Incógnita

Considerando a margem de erro de dois pontos adotada nas rodadas recentes do BTG/Nexus, a distância entre os dois não permite afirmar estatisticamente uma vantagem fora da margem de erro.

Espontânea

Na pesquisa espontânea, em que os entrevistadores não apresentam previamente os nomes dos candidatos, Lula registra 40%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 34%. Nesse levantamento, portanto, a diferença numérica entre os dois primeiros colocados é de seis pontos percentuais.

Comparação

No levantamento divulgado em 14 de setembro, o principal cenário estimulado colocava Lula com 42% e Flávio Bolsonaro com 37%. Naquela rodada, Augusto Cury tinha 6%, Ronaldo Caiado 5%, Renan Santos 2% e Romeu Zema 1%.

Crença

Outro dado da nova pesquisa mede a expectativa dos eleitores sobre quem vencerá a eleição, independentemente da intenção pessoal de voto. Nesse quesito, 54% dos entrevistados dizem acreditar na vitória de Lula, enquanto 36% esperam uma vitória de Flávio Bolsonaro. A expectativa de vitória não equivale à intenção de voto e não constitui uma projeção do resultado eleitoral. O indicador registra apenas a percepção dos entrevistados sobre o provável desfecho da disputa.

Simulações

Contra Flávio Bolsonaro, Lula registra 46%, ante 45% do senador. A diferença de apenas um ponto percentual caracteriza empate técnico, embora o presidente esteja numericamente à frente.

Estabilidade

O cenário de equilíbrio vem se repetindo nas pesquisas do instituto. Na rodada divulgada em 14 de setembro, Lula tinha 47% e Flávio Bolsonaro 46%. Uma semana antes, Flávio aparecia com 46%, contra 45% de Lula. As oscilações dentro da margem de erro mostram uma disputa sem vantagem estatisticamente conclusiva entre os dois nesse cenário.

Reta final

A nova rodada do BTG/Nexus chega a menos de duas semanas do primeiro turno e se soma a outros levantamentos que mostram uma eleição competitiva. O Datafolha divulgado na semana passada, por exemplo, registrou Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 36% no primeiro turno. No segundo, marcou 46% para Lula e 44% para Flávio, também dentro da margem de erro.

Oscilações

A série do próprio BTG/Nexus também mostra oscilações nas últimas semanas. Em 31 de agosto, Lula tinha 39% e Flávio 33% no principal cenário estimulado. Em 8 de setembro, os percentuais passaram para 39% e 35%. Na rodada de 14 de setembro, chegaram a 42% e 37%, respectivamente.

Indefinição

Na pesquisa desta segunda-feira, Lula permanece na primeira posição no primeiro turno e numericamente à frente de Flávio Bolsonaro no confronto direto, mas o empate técnico no segundo turno confirma o elevado grau de competitividade da eleição presidencial na reta final da campanha.

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