Jhonatan Silva Cruz foi assassinado a tiros diante da sobrinha de 15 anos após ser confundido com outra pessoa e acusado falsamente de abuso sexual
Raimundo Nonato Oliveira Lopes e José Vagner Pinheiro da Silva foram condenados pela Justiça do Acre a penas que, somadas, chegam a 59 anos, sete meses e cinco dias de prisão pela morte do garçom Jhonatan Silva Cruz, de 31 anos. O julgamento ocorreu na segunda-feira (14), em Rio Branco.
O crime aconteceu em maio de 2021, na Rua das Palmeiras, no bairro Belo Jardim. Jhonatan estava na varanda da casa da sobrinha, então com 15 anos, quando foi surpreendido pelos criminosos e atingido por diversos disparos.
A sentença concluiu que o garçom foi morto por engano, após ser confundido com outra pessoa e associado, sem fundamento, a uma denúncia de abuso sexual.
Penas ultrapassam 59 anos
Raimundo Nonato Oliveira Lopes recebeu pena de 35 anos, seis meses e cinco dias de reclusão por homicídio qualificado e por integrar a facção criminosa Bonde dos Treze (B13). Durante o julgamento, ele confessou ter efetuado os disparos contra Jhonatan.
José Vagner Pinheiro da Silva foi condenado a 24 anos e um mês de reclusão, também pelos crimes de homicídio qualificado e integração à mesma organização criminosa. Segundo o processo, ele permaneceu de tocaia e avisou Raimundo sobre a chegada da vítima.
Os dois deverão cumprir as penas inicialmente em regime fechado. A defesa foi realizada pela Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE-AC).
Vítima foi confundida com outra pessoa
De acordo com o juiz Fábio Alexandre Costa de Farias, Jhonatan foi assassinado após ser confundido com outra pessoa. Na ocasião, o garçom acompanhava a sobrinha até a residência dela para buscar alguns objetos pessoais.
A sentença reconheceu duas qualificadoras para o homicídio: motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Durante o interrogatório, Raimundo afirmou que havia recebido um áudio segundo o qual Jhonatan teria cometido supostos abusos sexuais. As investigações e o julgamento, porém, concluíram que o garçom não tinha qualquer relação com os fatos atribuídos a ele.
Sobrinha presenciou o ataque
Familiares relataram que, quando a adolescente entrou na residência, Jhonatan permaneceu na varanda. Pouco depois, ela ouviu barulhos e voltou ao local, encontrando o tio de joelhos e um dos criminosos apontando uma arma para ele.
Após os disparos, os autores fugiram. A adolescente chegou a se esconder em um dos quartos da casa, acreditando que também poderia ser morta. Segundo os relatos apresentados no caso, ela ainda teria sido ameaçada e posteriormente deixou Rio Branco com os pais.
Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada, mas apenas constatou a morte. A área foi isolada pela polícia para a realização da perícia, e o corpo encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).
Na época, a Polícia Militar realizou buscas pelos suspeitos, mas ninguém foi preso imediatamente.
Jhonatan trabalhava como garçom em um restaurante de Rio Branco e, segundo familiares, não tinha envolvimento com organizações criminosas. Ele deixou a esposa e um filho de seis anos.
A mãe da vítima também relatou durante o julgamento que, desde a morte do filho, faz tratamento psiquiátrico e utiliza medicação prescrita.


