Rio Branco, AC 16 de setembro de 2026 17:40
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Trump cobra ação do Brasil contra PCC e CV e classifica facções como ameaça global

Em relatório enviado ao Congresso dos EUA, presidente afirma que o governo Lula falhou no combate aos grupos e pede medidas enérgicas com urgência

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Brasil falhou no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV) e pediu que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adote, com urgência, medidas para enfrentar as duas facções. As declarações constam de um documento divulgado pelo Departamento de Estado nesta quarta-feira (16).

O relatório foi enviado ao Congresso americano na terça-feira (15) e faz referência à inclusão recente do PCC e do CV na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos. Segundo Trump, enquanto outros governos do Hemisfério Ocidental adotam medidas para combater cartéis, o Brasil não estaria enfrentando os grupos criminosos.

Trump cita ameaça à segurança mundial

No documento, o presidente americano afirma que as facções brasileiras transformaram o país em um centro do fluxo global de cocaína. Trump também classifica PCC e CV como uma ameaça crescente à paz e à segurança internacional.

“Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente adotar medidas firmes para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”, diz o relatório.

A avaliação apresentada por Trump ocorre em meio à política americana de combate ao narcotráfico e à atuação de organizações criminosas transnacionais.

Diplomatas brasileiros veem seletividade

Segundo apuração dos repórteres Ricardo Abreu e Guilherme Balza, da GloboNews, diplomatas brasileiros avaliam que o documento reforça o viés da política externa de Trump na América Latina.

A avaliação também aponta possível seletividade da Casa Branca. O relatório faz críticas a países que enfrentam problemas no combate às drogas, mas também menciona de forma positiva governos recém-eleitos na América do Sul alinhados ao presidente americano.

O documento é produzido anualmente pelo governo dos Estados Unidos e enviado ao Congresso com um panorama da situação do tráfico de drogas no mundo.

Países citados no relatório

O relatório lista países classificados pelos EUA como locais de trânsito ou produção de drogas. O Brasil não aparece nessa relação.

A lista inclui:

  • Afeganistão;
  • Bahamas;
  • Belize;
  • Bolívia;
  • China;
  • Colômbia;
  • Costa Rica;
  • República Dominicana;
  • Equador;
  • El Salvador;
  • Guatemala;
  • Haiti;
  • Honduras;
  • Índia;
  • Jamaica;
  • Laos;
  • México;
  • Mianmar;
  • Nicarágua;
  • Paquistão;
  • Panamá;
  • Peru;
  • Venezuela.


O documento afirma que Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia também falharam, no último ano, em cumprir obrigações previstas em acordos internacionais de combate ao narcotráfico.

México, Canadá e China também são cobrados

Trump pediu que México e Canadá ampliem os esforços para impedir a entrada de drogas nos Estados Unidos.

Em relação ao Canadá, o relatório defende medidas para combater laboratórios clandestinos de drogas. Sobre o México, a Casa Branca cobra ações contra organizações narcoterroristas que dominam territórios no país.

A China também foi alvo de críticas. Trump afirmou que, apesar de ter conversado com o presidente Xi Jinping sobre o combate à entrada de fentanil ilegal nos EUA, o governo chinês precisa reduzir o fluxo de substâncias utilizadas na produção da droga.

Relatório destaca mudanças políticas na América do Sul

O presidente americano aproveitou o documento para mencionar mudanças recentes de governo na América do Sul. Segundo o relatório, essas alterações “criaram oportunidades históricas para a cooperação dos Estados Unidos”.

Venezuela, Bolívia e Colômbia são citadas de forma positiva. O texto reconhece avanços nesses países, mas afirma que novas medidas ainda são necessárias no combate ao narcotráfico.