Maria Rayssa da Silva Moura morreu após sofrer uma convulsão e ser diagnosticada com eclâmpsia no Hospital João Câncio Fernandes, em Sena Madureira. Secretaria de Saúde afirma que equipe prestou atendimento imediato e tentou transferi-la para Rio Branco
A estudante Maria Rayssa da Silva Moura, de 18 anos, morreu nesta terça-feira (18), após dar à luz ao primeiro filho no Hospital João Câncio Fernandes, em Sena Madureira, no interior do Acre. A família questiona o atendimento recebido pela jovem e afirma que houve negligência médica.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), Rayssa deu entrada na unidade às 2h50, com 39 semanas de gestação, dores e pressão arterial elevada. Após avaliações médicas, foi indicada uma cesariana, realizada ainda durante a manhã. O bebê nasceu em boas condições.
Após o parto, porém, a paciente apresentou uma convulsão e foi diagnosticada com eclâmpsia, uma complicação grave da gestação associada à pressão arterial elevada. Com o agravamento do quadro, ela precisou ser intubada.
A família contesta a versão sobre o atendimento e afirma que pretende buscar esclarecimentos e responsabilização caso sejam identificadas irregularidades.
Família afirma que jovem não apresentou problemas na gestação
Maria Ilma Delmiro da Silva, tia de Rayssa, contou que a jovem realizou o pré-natal e, segundo a família, não havia apresentado complicações durante a gravidez.
De acordo com a tia, a bolsa rompeu durante a madrugada e Rayssa foi levada ao hospital pela mãe e pelo marido. A cesariana ocorreu no final da manhã.
“Depois do procedimento, disseram que ela estava bem, mas em seguida deu eclâmpsia e eles entubaram ela. O que matou minha sobrinha foi a entubação, que o médico não sabe fazer aqui em Sena Madureira. Estamos desolados e queremos justiça”, afirmou Maria Ilma.
A família também relatou que o parto estava inicialmente marcado para a última quinta-feira (13). Segundo a tia, Rayssa havia procurado o hospital naquela ocasião sentindo dores, mas teria sido orientada a retornar para casa.
“Hoje minha irmã a levou para o hospital e o médico disse que a pressão dela estava 14, mas que não estava alta. Ela estava perdendo muito sangue, a bolsa estourou. Falaram que deu eclâmpsia e ela morreu. Ela estava feliz, fez ensaio fotográfico”, relatou.
Antes de entrar na sala de parto, Rayssa tirou uma foto ao lado da mãe. Na publicação feita pela família, a jovem aparece sorrindo e sendo amparada pela mãe enquanto aguardava o nascimento do filho.
“Vai dar tudo certo, meu amor! Deus tá na sala esperando você. Já já o Bernardo tá com nós”, dizia a legenda.
A jovem era filha única. Familiares afirmaram que haviam preparado a casa e o quarto para receber o bebê e lamentaram a morte inesperada.
Polícia Civil investiga circunstâncias da morte
O delegado Thiago Parente informou que a Polícia Civil está investigando o caso. Segundo ele, ainda serão adotadas as providências necessárias para esclarecer as circunstâncias do atendimento prestado à jovem.
A família afirma que pretende recorrer à Justiça para que eventuais responsabilidades sejam apuradas.
O velório de Rayssa, conforme os familiares, está previsto para ocorrer na Igreja Assembleia de Deus Cristo Libertador, onde a família frequenta.
Sesacre diz que equipe tentou transferência para Rio Branco
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde lamentou a morte da paciente e afirmou que Rayssa permaneceu sob acompanhamento das equipes médica e de enfermagem desde a chegada ao hospital.
Segundo a Sesacre, a jovem recebeu medicação para controle da pressão arterial e passou por avaliações durante a madrugada e a manhã. Após a indicação da cesariana, o procedimento foi realizado e o bebê nasceu em boas condições.
Ainda conforme a secretaria, depois do parto Rayssa apresentou uma convulsão, foi diagnosticada com eclâmpsia e recebeu atendimento imediato.
Com o agravamento do quadro, a equipe realizou a intubação para suporte respiratório. Diante da gravidade, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o serviço aeromédico foram acionados para transferi-la a uma unidade de referência em Rio Branco.
Enquanto aguardava a chegada do transporte aéreo, a paciente sofreu uma parada cardiorrespiratória. A equipe iniciou imediatamente as manobras de reanimação, mas Rayssa não respondeu às tentativas e morreu ainda no hospital.
O recém-nascido permanece sob os cuidados da equipe médica do Hospital João Câncio Fernandes.
A Sesacre informou ainda que todos os atendimentos, avaliações e condutas adotados estão registrados no prontuário da paciente, que poderá ser disponibilizado aos familiares conforme os procedimentos previstos para acesso ao documento.
A secretaria afirmou que o hospital permanece à disposição da família para prestar esclarecimentos sobre o atendimento.


