Rio Branco, AC 19 de agosto de 2026 08:57
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Ex-padre tem absolvição revertida e é condenado por estupro no Acre a 9 anos

Fábio Amaro havia sido absolvido em agosto de 2025 por falta de provas, mas recurso do Ministério Público levou o caso a uma nova análise. Decisão desta terça-feira (18) também determina pagamento de R$ 10 mil por danos morais à vítima

O ex-padre Fábio Amaro, que havia sido absolvido da acusação de estupro em agosto de 2025, teve a decisão revertida e foi condenado a nove anos e seis meses de prisão. A nova sentença foi emitida nesta terça-feira (18) e confirmada pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC).

Além da pena de reclusão, a decisão determina que o ex-religioso pague R$ 10 mil à vítima por danos morais. Amaro poderá recorrer em liberdade, e a sentença ainda está sujeita a recurso.

A defesa do ex-padre foi procurada, mas não havia se manifestado até a última atualização da reportagem.

Crimes teriam ocorrido quando vítima era adolescente

Os fatos analisados pela Justiça ocorreram entre 2008 e 2009, período em que Fábio Amaro atuava como pároco em Rio Branco. Na época, a vítima tinha aproximadamente 16 anos.

Uma segunda denúncia também foi apresentada por uma jovem que tinha 18 anos e se confessava com o religioso. Entretanto, Amaro respondeu criminalmente apenas pela acusação relacionada ao rapaz. O caso envolvendo a jovem foi considerado prescrito.

A denúncia contra o então padre veio a público em maio de 2023, quando a Polícia Civil do Acre informou que havia realizado o indiciamento por suspeita de abuso sexual.

Após as investigações, o Ministério Público do Acre ofereceu denúncia contra Amaro pelo crime de estupro contra menor de 18 anos. A acusação foi recebida pela Justiça em novembro daquele ano e, em dezembro, o ex-padre passou à condição de réu.

Absolvição foi contestada pelo Ministério Público

Em 30 de agosto de 2025, a 2ª Vara da Infância de Rio Branco absolveu Fábio Amaro por falta de provas. A decisão considerou que os relatos das testemunhas eram superficiais e que não havia documentos capazes de demonstrar efeitos decorrentes do crime na vítima, seja no período dos fatos ou posteriormente.

O Ministério Público do Acre recorreu da decisão e conseguiu que o caso fosse novamente analisado pela Justiça.

Na nova decisão, a absolvição foi revertida e o ex-padre condenado a nove anos e seis meses de reclusão.

“Sensação de justiça sendo feita”, afirma vítima

A vítima, que pediu para não ser identificada, afirmou que a nova decisão representa um reconhecimento da Justiça após anos de sofrimento.

Para o homem, a condenação não significa uma vitória, mas um avanço importante na busca por justiça.

“Depois de tanta dor finalmente houve um reconhecimento pela Justiça de que aquilo que eu denunciava era sério.”

Ele também voltou a criticar a postura adotada pela Diocese de Rio Branco diante das denúncias. Segundo a vítima, a instituição teria colocado sua palavra em dúvida e priorizado a proteção institucional.

“A própria igreja, em vez de acolher e escutar, tentou colocar em dúvida a minha palavra e proteger a instituição. Isso também fez parte da violência que precisei enfrentar.”

O homem afirmou ainda que a condenação não apaga os acontecimentos nem o sofrimento enfrentado ao longo dos anos.

“Existe uma sensação de justiça sendo feita. Mas não de vitória. Porque uma condenação não apaga o que aconteceu, nem devolve o tempo e a paz que foram tirados.”

Ele disse que pretende continuar buscando esclarecimentos e que espera que outras possíveis vítimas também sejam ouvidas.

“Essa decisão é um passo importante, mas a minha luta continua, pela verdade, e, principalmente, para que outras vítimas não precisem passar pelo mesmo caminho de silenciamento que passei.”

Diocese havia pedido afastamento do então padre

Na época em que as denúncias vieram à tona, a Diocese de Rio Branco afirmou que havia solicitado o afastamento de Fábio Amaro assim que tomou conhecimento das acusações.

O então bispo da Diocese, Dom Joaquín Pertiñez, declarou que confrontou o religioso após saber dos relatos e que, segundo ele, Amaro teria confirmado os crimes. Ainda conforme o bispo, o padre foi informado de que deveria renunciar ou poderia ser excomungado.

Em depoimento, entretanto, Fábio Amaro negou conhecer as vítimas e afirmou desconhecer o acordo mencionado pelo bispo.

Segundo Dom Joaquín, o ex-padre optou por pedir a renúncia e justificou a decisão alegando que precisava deixar o estado após a morte do pai.

Sobre as denúncias não terem sido encaminhadas à Polícia Civil naquele período, o religioso afirmou que havia um protocolo do Vaticano segundo o qual as vítimas deveriam apresentar a denúncia por escrito, de próprio punho, para que ele pudesse levá-la às autoridades.

Ainda conforme o então bispo, as vítimas não teriam desejado prosseguir com o caso naquele momento.

A Diocese de Rio Branco foi procurada novamente sobre a nova decisão judicial e informou que avaliaria, junto ao setor jurídico, se faria um posicionamento.