Na semana finda, a movimentação política paralela a Expojuruá foi intensa em Cruzeiro do Sul. No início do período, segunda feira, um dia antes da abertura oficial da feira, veio o anuncio do prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima (PP), oficializando sua adesão à pré-candidatura do senador Alan Rick (Republicanos) ao Palácio Rio Branco, em ato político bastante movimentado que teve lugar na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB).
Apoios
Ontem, domingo, 05, a governadora Mailza Assis (PP) recebeu o apoio dos vereadores cruzeirenses Manam Rural (PDT), Zé Roberto (PP), Mazinho da BR (MDB), Thiago da Milênio (União Brasil), Cosmo (MDB), Josafá (União Brasil), Franciney (PP), Keleu (PP) e Cristiano (MDB). As vereadoras Manelisse (Republicanos) e Valéria (PP) não puderam comparecer presencialmente por motivos de agenda, mas enviaram suas mensagens declarando apoio irrestrito ao projeto de reeleição da governadora.
Merci
Demonstrando entusiasmo com as adesões, Mailza externou agradecimentos: “Receber esse apoio massivo dos vereadores de Cruzeiro do Sul, homens e mulheres que vivem o dia a dia da comunidade, me enche de orgulho e de responsabilidade. Ninguém governa sozinho. Estar ao lado do Mazinho, dos nossos deputados, da vice-prefeita Delcimar e de quase toda a bancada de vereadores mostra que estamos no rumo certo. Vamos seguir trabalhando firme, com os pés no chão, para honrar cada compromisso firmado com o Juruá”, declarou Mailza.

Paternidade
A polêmica envolvendo parte dos recursos para construção do viaduto da Avenida Ceará, conquanto a paternidade da verba, atribuída pelo governo como ação de toda a bancada federal, fez com que a equipe do senador Alan Rick (Rep) resgatasse um post do ex-governador Gladson Camelí (PP) reconhecendo que os recursos da emenda foram destinados pelo senador.
Digitais
A publicação antiga traz a maquete eletrônica da obra na Avenida Ceará e detalha o investimento de R$ 20 milhões na intervenção, com Gladson agradecendo nominalmente ao então deputado federal Alan Rick pela emenda destinada ao projeto.
Versão
O resgate acontece após a governadora Mailza Assis (PP) liberar o tráfego sobre o viaduto do Complexo Viário da Avenida Ceará, na última sexta-feira, 3, em cerimônia na qual a obra, orçada em mais de R$ 40 milhões, foi apresentada como fruto de um esforço conjunto entre o Estado e a bancada federal, sem menção individual a Alan Rick.
Encaminhamento
Documentos oficiais mostram que a destinação do recurso remonta a março de 2020, quando o então senador Sérgio Petecão, na função de coordenador da Bancada Federal do Acre, comunicou ao governador Gladson Camelí a abertura de um programa no Siconv vinculado à Emenda de Bancada nº 71020001, no valor total de R$ 18,7 milhões, para a construção do viaduto na Avenida Ceará com a Getúlio Vargas. O ofício registra que a emenda foi proposta e defendida pelo deputado federal Alan Rick.
Discórdia
A tentativa de diminuir o mérito individual do senador já havia gerado atrito em março, quando a primeira etapa do Complexo Viário foi entregue por Gladson em meio a fortes chuvas. Questionado sobre declarações de Alan Rick reivindicando a obra como emenda pessoal, o então governador afirmou lamentar o episódio e defendeu que sempre reconhece o nome da bancada federal como um conjunto. Independente da origem dos recursos, o importante é que a obra veio desafogar o tráfego no centro da cidade, fluxo que castiga os motoristas da capital.

Mistério
A demissão do ex-secretário da Casa Civil, Jonathan Donadoni, ocorrida no início do mês, ainda está envolta em mistério, vez que o Palácio Rio Branco não detalhou os motivos que levaram a exoneração do graduado assessor.
Agente duplo
Uma das versões correntes nos escaninhos políticos é que Donadoni mantinha diálogo frequente com figuras que a governadora Mailza gostaria de manter longe do centro de decisões da sua campanha e de seu governo. O núcleo de Mailza avalia, inclusive, se essas pessoas tiveram alguma influência nas decisões centrais do Palácio na atual gestão e qual o tamanho disso.
Tricas e futricas
De acordo com a versão propagandeada, pelo menos dois episódios teriam despertado alerta no núcleo mais próximo de Mailza: os últimos dias de Marcio Pereira na articulação política do governo estadual e o troca-troca em áreas importantes da gestão — no caso na assessoria do gabinete pessoal da governadora. Agora, é aguardar para ver se a mudança terá o condão de pacificar as relações palacianas. .

Ativismo
O jornal O Estado de S. Paulo (Estadão) publicou na data de ontem, domingo, 05, um duro editorial no qual sustenta que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vem se transformando no principal aliado político da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Sujeição
Segundo a avaliação do jornal, ao atuar em defesa dos interesses do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao tentar influenciar a política comercial americana em função do calendário eleitoral brasileiro, o parlamentar acaba fortalecendo seu principal adversário.
Trapalhada
De acordo com o editorial, a iniciativa mais recente de Flávio Bolsonaro foi encaminhar um documento de 86 páginas ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), pedindo que um eventual novo tarifaço contra produtos brasileiros fosse adiado até depois das eleições de outubro. Para o jornal, a própria justificativa apresentada pelo senador revela o fracasso político da estratégia bolsonarista: ele reconhece que uma nova rodada de tarifas tende a beneficiar eleitoralmente Lula.
Gol contra
O Estadão argumenta que a medida expõe uma contradição profunda. Ao longo dos últimos meses, integrantes da família Bolsonaro trabalharam para convencer autoridades americanas a adotar sanções econômicas contra o Brasil em reação à situação judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro. Agora, diante do desgaste provocado por essas iniciativas, Flávio tenta evitar que o governo Lula capitalize politicamente os efeitos de um novo ataque comercial ao País.
Impatriota
Na avaliação do jornal, o episódio evidencia um comportamento incompatível com as responsabilidades de quem pretende disputar a Presidência da República. Em vez de defender os interesses nacionais perante uma potência estrangeira, o senador teria colocado seus próprios objetivos eleitorais acima dos interesses do Brasil.
Oportunismo
O editorial é especialmente severo ao apontar que Flávio Bolsonaro chega ao ponto de sugerir que Washington ajuste sua política comercial ao calendário eleitoral brasileiro. Para o Estadão, trata-se de um convite explícito para que uma potência estrangeira interfira no processo democrático nacional, algo classificado pelo jornal como um grave atentado à soberania brasileira.
Benesses
O texto também critica as promessas feitas pelo senador aos Estados Unidos caso a oposição vença as eleições. Segundo o editorial, Flávio acenou com uma “busca agressiva” de acordos comerciais que envolveria o abandono do Mercosul, além da revisão da tributação incidente sobre cartões de crédito — setor dominado por empresas americanas — e da eliminação das tarifas sobre o etanol produzido nos Estados Unidos.
Submissão
Para o Estadão, esse conjunto de propostas representa um amplo programa de alinhamento aos interesses de Washington, em detrimento das prioridades brasileiras. O jornal afirma que a postura do senador demonstra submissão política ao governo Trump e falta de compromisso com a defesa dos interesses nacionais.
Silvérios
O editorial observa ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou politicamente o episódio. Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou: “É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos”, classificando a atitude como “mais uma atitude de traidores da Pátria”.
Causa e efeito
Na conclusão, o Estadão afirma que a estratégia bolsonarista produz exatamente o efeito contrário ao desejado. O jornal sustenta que será praticamente impossível dissociar um eventual tarifaço americano da atuação da família Bolsonaro junto ao governo Trump, sobretudo após o histórico de manifestações públicas de apoio às medidas adotadas por Washington contra o Brasil.
Lunático
Segundo o editorial, Flávio Bolsonaro demonstra não compreender o enorme desgaste político provocado por sua atuação e termina oferecendo ao presidente Lula um poderoso argumento de campanha às vésperas da eleição. Para o jornal, a insistência do senador em buscar apoio político no exterior, mesmo quando isso implica prejuízos para o Brasil, acaba transformando-o, na prática, no mais eficiente cabo eleitoral da reeleição de Lula.


