Rio Branco, AC 13 de maio de 2026 11:38
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Retrato

A corrida pelo governo do Acre em 2026 começa a ganhar contornos mais definidos a contar de cinco meses do primeiro turno. Levantamentos sucessivos de diferentes institutos indicam que, se as eleições fossem hoje, o senador Alan Rick despontaria como favorito, vez que mantem liderança consistente e, em alguns cenários, alcança patamares que o aproximam de uma vitória ainda no primeiro turno.

Leitura

A série histórica de pesquisas — que reúne dados de Real Big Data, Paraná Pesquisas, Data Control e Delta — mostra que Alan Rick oscila dentro de uma faixa elevada, entre 35% e 44,5% das intenções de voto, chegando a ultrapassar a marca de 50% dos votos válidos em determinados levantamentos. O desempenho reforça um quadro de estabilidade na dianteira, sem sinais de retração relevante ao longo dos meses.

Espiral

A evolução dos números ajuda a explicar o cenário. No levantamento do Real Big Data, de 10 de setembro de 2025, Alan Rick aparecia com 35%, seguido por Tião Bocalom, com 23%, e Mailza Assis, com 14%. Poucas semanas depois, em 25 de setembro de 2025, o Paraná Pesquisas apontou avanço do líder para cerca de 44,5%, enquanto Tião Bocalom foi a 24,1% e Mailza Assis subiu para 17,6%.

Ascendência

Já em 15 de dezembro de 2025, novo levantamento do Real Big Data mostrou Alan Rick mantendo desempenho elevado, na casa dos 40%, com Tião Bocalom estabilizado em 24% e Mailza Assis em torno de 15%. O cenário começa a se alterar em 12 de fevereiro de 2026, quando o Data Control registra recuo de Tião Bocalom para 18% e crescimento de Mailza Assis para 18,3%, enquanto Alan Rick segue na liderança, com 35,3%.

Tendência

A tendência se aprofunda nos dados mais recentes. Em 23 de março de 2026, pesquisa do Instituto Delta indica Alan Rick com 40,36%, Tião Bocalom em queda para 15,6% e Mailza Assis avançando para 20,78%. Já no levantamento mais atual, veiculado ontem, 04 de maio de 2026, no site Notícias da Hora, também do Instituto Delta, Alan aparece com 39,06% — alcançando 51,3% dos votos válidos —, enquanto Tião Bocalom marca 18,19% e Mailza Assis registra 16,5%.

Probabilidades

Pelos números, a possibilidade de vitória de um dos contendores em primeiro turno existe, mas não é um cenário consolidado. Em eleições majoritárias, a definição na primeira etapa exige maioria absoluta dos votos válidos (mais de 50%). Embora Alan Rick já apareça acima desse patamar em alguns recortes, sua oscilação na intenção de voto total — ainda abaixo dos 50% — e o elevado contingente de indecisos indicam que o desfecho imediato dependeria da conversão desses eleitores e da manutenção da vantagem ao longo da campanha.

Prazos exíguos

Fato é que o calendário eleitoral impõe um horizonte relativamente curto para reconfigurações mais profundas. Faltam cerca de cinco meses para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro de 2026. Até lá, a tendência é de intensificação das articulações políticas e maior exposição dos pré-candidatos.

Constatações

No retrato atual, contudo, o quadro é claro: um líder consolidado, uma disputa em aberto pelo segundo lugar e adversários tentando conter perdas ou ampliar espaço. Ainda que o histórico recente aponte estabilidade no topo, o peso dos indecisos e o início formal da campanha indicam que a eleição no Acre segue em movimento — ainda que, por ora, com a dianteira bem definida.

Dia D

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) retoma amanhã, quarta-feira, 6, o julgamento da Ação Penal 1.076/DF, que tem como réu o ex-governador do Acre, Gladson Cameli (PP). O processo, derivado da Operação Ptolomeu, apura a existência de um suposto esquema de fraudes em contratos públicos, com desvio de recursos e pagamento de propinas no âmbito da administração estadual.

Entendimento

Gladson renunciou ao mandato em 2 de abril — a vice, Mailza Assis, assumiu o governo — para concorrer a uma vaga ao Senado. Apesar disso, o caso foi mantido no STJ. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do próprio tribunal prevê que a perda do cargo não desloca automaticamente a competência quando os fatos investigados estão ligados ao exercício da função e o processo já se encontra em fase avançada.

Combo

As acusações ao ex-governante acreano incluem organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. De acordo com o Ministério Público Federal – MPF, o esquema investigado envolveria processos licitatórios com indícios de direcionamento e ausência de competitividade real, além da execução de obras e serviços com sobrepreço.

Problemas adicionais

Da pauta de amanhã, quarta-feira, consta também o recebimento da denúncia referente ao Inquérito 1.074/DF, conhecido como “caso Colorado”, uma das frentes investigativas relacionadas a contratos sob suspeita dentro do mesmo conjunto de apurações. A Corte Especial do STJ desmembrou as investigações da operação em outros oito inquéritos, sendo o caso Colorado o primeiro a ter denúncia formalizada para análise do colegiado.

Remédio

Faltando cinco meses para o primeiro turno das eleições presidenciais e com o endividamento recorde da população, o governo lançou oficialmente nesta segunda-feira, 04, o Novo Desenrola Brasil, ou Desenrola 2, voltado à renegociação de dívidas com descontos de 30% a 90%.

Público

O alvo são pessoas com renda mensal de até cinco salários-mínimos, o equivalente a R$ 8.105, mas o programa também abrange MEIs e microempresas, com faturamento anual de até R$ 360 mil. A principal novidade desta edição é a autorização para o uso de até 20% do saldo do FGTS na quitação de débitos. O Desenrola 2 permitirá renegociar dívidas de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e Fies.

Rescaldo

As medidas anunciadas agradaram, em grande parte, aos bancos, que reclamam da alta na inadimplência, mas irritaram a indústria da jogatina online. O programa prevê que os beneficiários terão os CPFs bloqueados em sites de apostas durante 12 meses, o que, segundo a Associação Nacional de Jogos e Loterias, vai estimular o acesso a plataformas clandestinas.

Expertise

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu o Desenrola 2, afirmando que o governo “aprendeu com erros” da primeira versão. Ele também negou que a situação fiscal do país seja a justificativa para a alta nos juros, que atribuiu a fatores como a guerra no Irã.

Autopsia

Na operação montada pelo Palácio do Planalto para identificar os responsáveis pela derrota histórica sofrida pelo governo no Senado, ao menos um dos nomes colocados sob suspeita passou a atuar nos bastidores para afastar qualquer envolvimento. O ministro do STF Alexandre de Moraes procurou interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para negar participação na articulação que resultou na rejeição do nome de Jorge Messias para a Corte.

Corpo fora

Moraes enviou mensagem ao próprio Messias lamentando o resultado e também conversou com integrantes do primeiro escalão do Planalto para rebater avaliações de que teria dado respaldo político ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de quem é próximo.

Protagonismo

Apesar dos esforços, Moraes segue na lista de suspeitos. Internamente, aliados passaram a sustentar a versão de que setores atingidos pelas investigações do caso Banco Master teriam se mobilizado para barrar o advogado-geral da União.

Versão

Enquanto ainda lambe as feridas, o governo tenta criar a narrativa de que quem realmente sai como perdedor do vexame histórico é o Supremo Tribunal Federal. O vice-presidente Geraldo Alckmin fez questão de lamentar a rejeição do nome de Jorge Messias. Em entrevista em São Paulo, Alckmin afirmou que a derrota é ruim para o funcionamento da Corte, que seguirá com uma cadeira vaga em meio ao alto volume de processos. (g1)

Exclusão

Pivô involuntário da queda de braço entre o Planalto e o Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG) foi descartado por Lula para a vaga ainda aberta no STF. O senador mineiro chegou a ser citado nos bastidores como alternativa para recompor a relação entre o Planalto e Davi Alcolumbre. A situação deixa incerto o futuro político de Pacheco e pode afetar sua pré-candidatura ao governo de Minas Gerais com apoio do PT.

Negativa

No âmbito do processo dos atos antidemocráticos de 08 de janeiro de 2023, o ministro Alexandre de Moraes negou um pedido de redução de pena apresentado pela defesa de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”.

Validade

O magistrado argumentou que o projeto da chamada Lei da Dosimetria ainda não foi promulgado e, portanto, não está em vigor. A defesa havia protocolado o pedido no último dia 1º, sustentando que a derrubada do veto presidencial à lei já indicaria uma orientação normativa capaz de impactar o cálculo da pena da condenada.

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