Saída ocorre em meio à guerra com o Irã, reduz coordenação entre produtores e atinge mercado já pressionado por risco no Estreito de Ormuz
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira (28) que vão deixar a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e a Opep+. O país rompe com principal bloco de produtores de petróleo, em meio à guerra com o Irã, que já afeta rotas estratégicas de exportação.
A saída reduz a capacidade de coordenação do grupo liderado pela Arábia Saudita. O efeito recai sobre um mercado que já enfrenta risco de oferta por causa do conflito no Golfo.
De acordo com a Reuters, o ministro da Energia, Suhail al-Mazrouei, disse que a decisão foi política e tomada após revisão das estratégias do país. Segundo ele, não houve consulta prévia a outros membros.
Os Emirados são um dos produtores mais relevantes do Golfo. A saída quebra a tentativa da Opep de manter posição unificada, mesmo com disputas internas sobre metas de produção e influência regional.
Estreito de Ormuz concentra risco global de energia
O Estreito de Ormuz enfrenta ameaças e ataques ligados ao Irã. A passagem concentra cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito transportados no mundo.
O risco na região já dificulta o escoamento da produção. Navios enfrentam ameaças diretas, o que pressiona seguros, fretes e prazos de entrega.
Mazrouei afirmou que, por causa desse cenário, a saída dos Emirados não deve provocar impacto imediato relevante no mercado. Ainda assim, a decisão enfraquece a coordenação da Opep+.
A medida também atende a críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que acusa a organização de manter preços elevados. Ele já havia condicionado o apoio militar americano no Golfo ao comportamento dos países produtores.
O anúncio veio após críticas públicas dos Emirados a aliados regionais. O país reclamou da falta de apoio político e militar diante de ataques iranianos recentes.
O assessor diplomático Anwar Gargash afirmou que a resposta dos países do Golfo foi “a mais frágil historicamente” no campo político e militar.


