Mergulhador superou marca anterior em quase cinco minutos após técnica com oxigênio puro e chamou atenção para conservação dos oceanos
Respirar é uma função tão automática que poucas pessoas pensam no ato ao longo do dia. Ainda assim, ao longo de uma vida, um ser humano médio pode dar mais de 600 milhões de respirações. Para um grupo seleto de atletas, porém, interromper esse reflexo natural por vários minutos é justamente o objetivo. E foi isso que levou o croata Vitomir Maričić a entrar para a história ao estabelecer um novo recorde mundial de apneia estática. As informações são do Popular Mechanics.
No dia 14 de junho de 2025, na cidade de Opatija, na Croácia, Maričić conseguiu permanecer impressionantes 29 minutos e 3 segundos submerso sem respirar, superando com folga a antiga marca mundial. O feito aconteceu em uma piscina de três metros de profundidade instalada no Hotel Bristol, diante de cerca de 100 espectadores.
O novo recorde de prender respiração em baixo da água
O novo recorde ultrapassou em quase cinco minutos a marca anterior, registrada em 2021 pelo também croata Budimir Šobat, que havia permanecido 24 minutos e 37 segundos debaixo d’água.
Segundo o site especializado Divernet, Maričić afirmou que buscou o recorde tanto como um desafio pessoal quanto para chamar atenção à preservação dos oceanos. Ele relatou que, mentalmente, a prova ficou mais fácil após os primeiros 20 minutos de submersão, embora o esforço físico tenha se tornado cada vez mais intenso.
Depois da marca de 20 minutos, tudo ficou mais fácil mentalmente. Mas fisicamente piorou cada vez mais, especialmente por causa das contrações no diafragma
Vitomir Maričić
O desempenho extraordinário, no entanto, só foi possível graças a uma técnica específica permitida nessa categoria: antes da tentativa, Maričić inalou oxigênio puro por 10 minutos. O procedimento altera temporariamente o equilíbrio entre oxigênio e gás carbônico no organismo, permitindo que atletas treinados suportem mais tempo sem respirar.
Normalmente, quando uma pessoa prende a respiração, os níveis de dióxido de carbono aumentam no sangue, enviando sinais ao cérebro de que é necessário voltar a respirar. Esse processo provoca contrações involuntárias no diafragma, ponto em que a maioria das pessoas não treinadas é forçada a interromper a apneia.
Sem auxílio de oxigênio puro, o recorde mundial de apneia estática é bem menor: 11 minutos e 35 segundos, ainda considerado um desempenho extraordinário para os padrões humanos.
Apesar da façanha impressionante, Maričić ainda está longe de rivalizar com os verdadeiros campeões da natureza. O tempo alcançado por ele supera o limite máximo de mergulho de golfinhos-nariz-de-garrafa e quase iguala o desempenho de focas-comuns.
No entanto, mamíferos marinhos mais adaptados continuam inalcançáveis: a baleia-de-bico-de-cuvier, por exemplo, pode permanecer submersa por mais de três horas.
O recorde de Maričić reforça até onde o treinamento humano pode levar o corpo, mas também mostra que, no oceano, ainda estamos longe de competir com seus habitantes naturais.


