Rio Branco, AC 9 de janeiro de 2026 23:52
HOME / JAMAXI / União e força

União e força

As lideranças políticas do Alto Acre caminham para uma ação conjunta nas eleições de 2026. Nesse primeiro final de semana do ano os prefeitos de Assis Brasil, Jerry Correia; de Brasiléia, Carlinhos do Pelado; Manoel Maia, de Capixaba e o de Xapuri, Maxsuel Maia, acompanhados de familiares, confraternizaram no clube campestre Jarinauá, em Brasiléia, e quem presenciou o encontro relata afinação dos gestores em relação ao apoio do quarteto a uma liderança política da região mirando a Câmara Federal.

Reedição

A ex-prefeita de Brasiléia, Fernanda Hassem, com tirocínio político aguçado, fez-se presente ao encontro e deixou marcada sua intenção de disputar o cargo no parlamento federal, levando o nome do Alto Acre à Câmara. Vale lembrar que o feito já ocorreu nos anos de 2003/2027, quando a região levou à Brasília o petista Zico Bronzeado que, à época, contava com o apoio dos prefeitos dos municípios do Alto Acre, desenho que os gestores da tríplice fronteira desejam reeditar.

Exemplo

Quem transita pela agenda política da região fronteiriça lembra que o Vale do Juruá, na figura de Zezinho Barbary (PP) e o Vale do Iaco, na figura de Meire Sarafim (UB), já possuem representantes na Câmara Federal, forjados justamente na união das lideranças políticas das respectivas regiões. Nesse sentido, reveste-se de racionalidade e estratégia certeira a empreitada levada a cabo pelos prefeitos do polígono no sentido de construir uma representação política umbilicalmente ligada à região, que defenda em Brasília os interesses daquelas cidades.

Comparativo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia seu último ano de mandato com índices de aprovação mais favoráveis do que há 20 anos, quando foi reeleito, mas em um cenário de incertezas maior do que o enfrentado na época.

Empecilhos

Diante de um ambiente de polarização política, analistas apontam que temas como segurança pública, insegurança econômica e a falta de atenção a grupos como trabalhadores informais podem dificultar a caminhada para que o petista conquiste a cadeira pela quarta vez.

Voo rasante

Lula enfrentou em 2025 uma crise de popularidade que levou sua aprovação aos níveis mais baixos de seus três mandatos, mas chega ao fim do ano com uma taxa de ótimo e bom de sua administração superior à que tinha no início de 2006, quando se encaminhava para disputar sua primeira reeleição, tendo, à época, como principal rival o ex-tucano e hoje vice-presidente Geraldo Alckmin.

Remember

Em dezembro de 2005, apenas 28% dos eleitores classificavam o governo Lula como ótimo ou bom, segundo o Datafolha, uma queda acentuada em relação aos 45% registrados um ano antes. O principal fator de desgaste era o escândalo do mensalão, que dominava o noticiário e era explorado de forma sistemática pela oposição tucana na pré-campanha eleitoral.

Reação

Já em 2025, a aprovação do presidente subiu de 24% em fevereiro para 32% na pesquisa mais recente do Datafolha — o índice se aproximou ao registrado no fim de 2024 antes da queda de popularidade com a crise do Pix. Se a inflação dos alimentos era o principal fator de desgaste, afetando sobretudo os eleitores de baixa renda, ao longo do ano, uma safra recorde de grãos e a manutenção dos juros em patamar elevado contribuíram para desacelerar os preços. A inflação acumulada em 12 meses no grupo alimentos e bebidas caiu de cerca de 7% para 3,88%, segundo o IPCA.

Contexto

A avaliação de especialistas é que, apesar do patamar de avaliação melhor do que há 20 anos e das notícias potencialmente positivas, como a perspectiva de queda dos juros a partir de fevereiro, o contexto econômico atual é menos favorável do que o de 2006.

Ponderações

“Naquele período, a economia estava em aceleração. Agora, a tendência é de desaceleração do crescimento, em parte provocada pelos juros elevados. Ainda assim, os três fatores que mais influenciam a popularidade (crescimento da economia, níveis de desemprego e de inflação) iniciam 2026 em níveis positivos”, diz o cientista político Antônio Lavareda, do Ipespe.

Recrudescimento

Por outro lado, diferentemente de 2006, o ambiente político é mais adverso para a oposição do que para o governo. O tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump às exportações brasileiras e o lobby feito por Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos EUA em prol de sanções ao Brasil e às autoridades brasileiras pesaram a favor da popularidade de Lula.

Inversão

“Hoje, a oposição é quem acumula escândalos, tem Bolsonaro preso por envolvimento na trama golpista e enfrenta dificuldades de articulação, sem um candidato definido ainda. O tarifaço de Donald Trump acabou favorecendo Lula, reforçando uma retórica nacionalista e de defesa da soberania”, lembra Aldo Fornazieri, diretor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

Ataque continuado

Um dia depois de tropas americanas invadirem o palácio Miraflores e levarem à força o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua mulher, Donald Trump partiu para a ofensiva contra a sucessora dele, Delcy Rodríguez. Em entrevista, ele disse que a recém-empossada presidente pagará “um preço muito maior” que o de Maduro, caso “não faça a coisa certa”.

Roteiro

O tom é muito diferente do empregado pelo próprio Trump na véspera ao afirmar que Rodríguez “estava disposta a fazer o necessário para tornar a Venezuela grande novamente”, incluindo abrir a exploração de petróleo no país às empresas americanas.

Reposicionamento

A ameaça parece ter surtido efeito. À noite, Rodríguez divulgou nas redes uma carta aberta em tom cauteloso, convidando o governo dos Estados Unidos a colaborar em uma “agenda de conciliação”. Segundo a presidente, a Venezuela “deseja viver sem ameaças externas” e seu governo vai buscar uma relação respeitosa e equilibrada com Washington. No sábado, Rodríguez foi mais enfática, dizendo que seu país estava “pronto para defender seus recursos naturais”.

O dono do mundo

E a retórica agressiva de Trump não se limitou à Venezuela. Conversando com jornalistas a bordo do avião presidencial, ele previu que o governo cubano “parece pronto para cair” já que, segundo ele, só sobrevive por causa de Caracas. Trump também ameaçou o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, acusando-o de gostar de “fabricar cocaína e mandá-la para os EUA”. “Ele não vai fazer isso por muito tempo”, acrescentou.

Pacificador

Enquanto Trump mordia, seu secretário de Estado, Marco Rubio, assoprava. Ele concedeu uma série de entrevistas para negar a afirmação do presidente de que os Estados Unidos iriam “governar” a Venezuela. Segundo ele, Washington vai manter o bloqueio a petroleiros sancionados mas não terá qualquer envolvimento na administração do país.

Olhar futuro

De acordo com Marco Rubio, o bloqueio funcionará como pressão para que o governo venezuelano atenda às exigências da Casa Branca. O objetivo das explicações é afastar os temores de boa parte do eleitorado de Trump, o chamado movimento MAGA, de que os EUA se envolveriam em uma prolongada ocupação em território estrangeiro.

Julgamento

Maduro e a esposa, Cilia Flores, capturados no último sábado na Venezuela por forças militares estadudinenses, serão levados no fim da manhã de hoje (horário de Brasília) a um tribunal federal em Nova York, onde responderão a um processo por tráfico de drogas e outras acusações. Em condições normais, uma ação desse tipo levaria até um ano para ser julgada, mas a defesa de Maduro deverá questionar a legalidade de sua prisão, classificada por muitos como um sequestro, e até mesmo se ele teria imunidade como chefe de Estado.

Rotina

Na Venezuela, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, confirmou que membros da guarda pessoal de Maduro foram mortos durante o ataque ao Palácio Miraflores por soldados de elite dos EUA. O general não deu um número exato, mas estima-se que até 80 pessoas, entre civis e militares, tenham morrido no ataque e nos bombardeios americanos. Em pronunciamento, Padrino confirmou que as Forças Armadas reconhecem Delcy Rodríguez como presidente interina e pediu que a população retomasse as atividades diárias.