Rio Branco, AC 28 de março de 2026 05:30
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Tião Bocalom formaliza renúncia à Prefeitura de Rio Branco para disputar governo do Acre em 2026

Saída do cargo foi comunicada à Câmara de Vereadores nesta quinta (26) e passa a valer em 3 de abril. Vice-prefeito Alysson Bestene (PP) assume o comando a partir da data prevista

O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PSDB), formalizou nesta quinta-feira (26) a renúncia ao cargo para disputar uma vaga no governo do estado nas Eleições 2026.

A decisão foi comunicada por meio de uma carta enviada à Câmara dos Vereadores da capital, com efeitos a partir do dia 3 de abril. Com a renúncia, o vice-prefeito Alysson Bestene (Progressistas), assume o comando do Executivo municipal.

No texto enviado ao Legislativo municipal, Bocalom fez um balanço da gestão e afirmou que a decisão de deixar o cargo foi tomada após reflexão. “Esta decisão é fruto de muita reflexão e do entendimento de que tenho um dever a cumprir com o Estado do Acre”, complementou.

O prefeito também destacou avanços na capital ao longo do mandato, como o fortalecimento da economia e a ampliação de serviços públicos, e afirmou que deixa a prefeitura com a convicção de continuidade administrativa sob o comando do vice.

Tião Bocalom tem 72 anos, nasceu em Bela Vista do Paraíso (PR) já foi prefeito de Acrelândia, cidade do interior do Acre, por dois mandatos e meio (1993 a 1996 e 2001 a 2005).

Na capital acreana, Bocalom foi eleito prefeito pela primeira vez nas eleições de 2020, ao derrotar a então prefeita Socorro Neri no segundo turno, com 62,93% dos votos válidos. Já em outubro de 2024, foi reeleito ainda no primeiro turno com 54,82% dos votos, tendo Alysson Bestene (PP) como vice na chapa.

Na última quinta-feira (19), Bocalom deixou o PL e se filiou ao PSDB, durante agenda em Brasília com o presidente nacional da sigla, Aécio Neves.

Crise no transporte coletivo

Ao longo da gestão, a administração municipal enfrentou uma série de desafios e episódios de repercussão. Um dos principais pontos foi a crise no transporte coletivo da capital, que se arrasta desde 2020.

Há quatro anos, a Ricco Transportes e Turismo opera o transporte coletivo da capital por meio de contratos emergenciais de seis meses. A empresa assumiu 31 das 42 linhas em fevereiro de 2022, após o abandono das rotas pela Empresa Auto Aviação Floresta.

Em 2026, o cenário não teve melhoras. No dia 12 de março, um edital da licitação que vai definir a nova empresa responsável pelo transporte coletivo de Rio Branco foi publicado.

No mesmo período, a empresa responsável pelo serviço afirmou enfrentar prejuízos milionários, cerca de R$ 7 milhões em 2024 e mais de R$ 8 milhões em 2025, e atribuiu as perdas ao custo de operação, à quantidade de gratuidades e à baixa demanda em algumas linhas.

Usuários do transporte relatam ônibus lotados, veículos com falhas mecânicas e longos períodos de espera, principalmente em bairros mais afastados e na zona rural. Entre os dias 14 e 18 de março de 2026, parte das linhas chegou a ser paralisada por problemas operacionais e atrasos salariais, o que levou a uma redução da frota em circulação.

Na última quarta-feira (18), a Justiça do Trabalho determinou que a empresa não poderia retirar ônibus do estado sem autorização judicial, após ação do sindicato da categoria que apontou atrasos de salários, pendências de FGTS e INSS.

A decisão também ocorreu em meio a uma paralisação parcial dos trabalhadores e à cobrança por regularização dos direitos trabalhistas. Uma audiência de conciliação entre a empresa e o município foi marcada para a próxima sexta-feira (27).

1001 dignidades

Outro ponto de questionamento na gestão foi o Programa 1001 Dignidades, voltado à política habitacional. Em 26 de janeiro deste ano, o Ministério Público do Acre (MP-AC) instaurou um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades na execução do programa.

A investigação busca verificar critérios de seleção dos beneficiários, transparência na aplicação de recursos públicos, qualidade das unidades habitacionais e a adequação das áreas onde as moradias foram construídas.

Entre as preocupações estão a falta de clareza nos critérios de escolha das famílias contempladas, a previsibilidade das etapas e possíveis falhas estruturais nas unidades entregues.

Abastecimento de água e saneamento básico

A área de saneamento básico também esteve no centro de críticas. Dados do Instituto Trata Brasil apontaram Rio Branco como a capital que menos investe por habitante no setor, com reflexos nos baixos índices de acesso à coleta de esgoto.

O cenário se soma a problemas recorrentes no sistema de abastecimento de água potável. A capital acreana é abastecida por duas estações de tratamento de água, ETA I e ETA II, ambas apresentaram diversas falhas desde março de 2024.

Em julho de 2024, parte da estrutura da Estação de Tratamento de Água I (ETA I) desabou após erosões causadas pela vazante do Rio Acre e afetou o fornecimento em áreas que concentram cerca de 60% da cidade. Com isso, novas situações que prejudicaram o fornecimento de água para a população ocorreram nos meses seguintes.

Já em 11 de março do ano passado, durante a enchente do Rio Acre, a ETA II apresentou problemas e teve a captação interrompida, após a força da correnteza danificar uma bomba flutuante. A previsão inicial de normalização em 24 horas não se concretizou e prolongou os impactos no abastecimento.

Com as duas estações afetadas, o sistema chegou a colapsar e deixou cerca de 300 mil moradores sem abastecimento de água em diferentes regiões da cidade. A retomada começou de forma parcial no dia 17 de março, com cerca de 67% da capacidade operacional restabelecida, mas alguns bairros ainda enfrentaram desabastecimento nos dias seguintes.

Na época, diante da crise, o governo federal anunciou o envio de R$ 9,5 milhões para a aquisição de bombas centrífugas. Antes disso, em dezembro de 2024, já haviam sido destinados quase R$ 17 milhões para a reconstrução da estação.

Como parte do uso do recurso, quatro novas bombas foram instaladas na Estação de Tratamento de Água (ETA II) e um carregamento com novas tubulações também chegaram.