Rio Branco, AC 14 de setembro de 2026 13:47
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Tensão

O fim de semana que antecede uma das sessões mais importantes e tensas na história do Supremo Tribunal Federal (STF), que julga amanhã a conduta do ministro Alexandre de Moraes, não tinha como ser calmo. Após uma série de decisões, despachos e manifestações, o domingo terminou com os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e o próprio Moraes determinando que uma cópia dos dados brutos do celular de Daniel Vorcaro fosse entregue até às 23h em seus gabinetes.

Pressa

Os ministros pediram urgência ressaltando que o julgamento da ação contra Moraes é amanhã, 15. Zanin argumenta que não só André Mendonça, relator do caso e acusador de Moraes, como a defesa de Vorcaro e até os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito que apurou o escândalo Master no Congresso tiveram acesso à cópia dos dados brutos do aparelho do ex-banqueiro. (UOL)

Determinação

Mais cedo, o presidente do STF, Edson Fachin, atendendo a um pedido dos três ministros, havia determinado que a Polícia Federal prestasse informações sobre a custódia e o estado do material extraído do celular de Daniel Vorcaro. Em resposta, a PF informou que o material original extraído do celular de Vorcaro permanecia sob custódia da corporação.

Preservação

Sobre a preocupação dos magistrados com a integridade e a disponibilidade dos dados do aparelho celular de Vorcaro, a Polícia Federal garantiu ter plenas condições técnicas de produzir e encaminhar imediatamente cópias idênticas da extração aos gabinetes dos ministros que solicitaram acesso.

Custódia

A PF esclareceu que os dados enviados ao gabinete do ministro André Mendonça, em março deste ano, não correspondem ao material original. Segundo a corporação, o conteúdo original jamais deixou sua custódia. O que foi encaminhado a Mendonça foi uma cópia solicitada pelo próprio gabinete.

Álibi

Já Mendonça afirmou que uma eventual retirada do sigilo das informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro poderia “contribuir para tumultuar o julgamento” previsto para amanhã. O ministro reiterou que todo o material utilizado no julgamento de terça-feira está disponível, na íntegra, aos demais ministros da Corte. Segundo Mendonça, ele dispõe “exatamente do mesmo conjunto de elementos de informação” que os colegas que participarão da sessão. Segundo o ministro, a divulgação dos dados poderia gerar questionamentos e desviar o processo do objeto que será analisado pelo plenário.

Evocação

Antes disso tudo, Fachin assumiu a relatoria da discussão sobre a suposta relação entre Moraes e Vorcaro. O presidente do STF também determinou o envio ao seu gabinete dos processos relacionados às investigações sobre as fraudes do INSS e do Banco Master. Ao assumir a relatoria do caso, Fachin passa a conduzir as medidas a serem tomadas no procedimento. A mudança também pode alterar o rito da sessão que decidirá se será aberta ou não uma investigação contra Moraes.

Rito

Fachin também usou o fim de semana para negar o pedido de Alexandre de Moraes para que o plenário da Corte decidisse conjuntamente sobre a abertura ou não de investigações contra ele e o ministro André Mendonça. Com a decisão, Fachin manteve a sessão dedicada exclusivamente à análise do relatório da Polícia Federal (PF) que apontou mais de 50 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes.

Extensão

No mesmo despacho, Fachin marcou para 23 de setembro uma sessão para analisar questionamentos sobre a condução de Mendonça nos casos relacionados ao Banco Master e às fraudes no INSS.

Juntos e misturados

A estratégia dos ministros ligados a Moraes, conta a coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo, continua a ser unir os dois julgamentos. O pedido deve ser apresentado na sessão de amanhã como uma questão preliminar, que deve ser votada pelo colegiado antes de se entrar no mérito.

Esfinge

Caso tenham sucesso, o julgamento de Moraes também ficaria para o dia 23. Mas há uma incógnita para o funcionamento da estratégia: o voto da ministra Cármen Lúcia. Segundo Bela Megale, ela vem sofrendo pressões dois dois lados e já evita atender o telefone. A seus interlocutores, tem dito apenas que vai “fazer a coisa certa”.

Lupa

O ministro Flávio Dino usou o domingo para retirar o sigilo dos documentos de uma investigação sobre o possível direcionamento de emendas parlamentares no Estado de São Paulo para financiar o filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão determina que o STF centralize o inquérito que tramitava na Polícia Civil de São Paulo e inclui o levantamento do sigilo dos autos e dos atos investigativos já documentados. Segundo Dino, a medida busca garantir transparência e evitar vazamentos seletivos.

Luz

Dino também autorizou a quebra do sigilo fiscal da empresária Karina Ferreira da Gama e do Instituto Conhecer Brasil (ICB), do qual ela é dona. A entidade mantém um contrato de R$ 157 milhões com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de serviços de wi-fi na cidade.

Conexões

A suspeita é que parte dos recursos do contrato tenha sido desviada para Go Up Entertainment, também de propriedade de Karina, entre outros destinatários. A empresa é a produtora de Dark Horse. A quebra do sigilo já havia sido solicitada pela Polícia Civil de São Paulo, mas não foi autorizada pela Justiça Paulista.

Pegadinha

A Polícia Científica de São Paulo recusou realizar perícia técnica em telefones e notebooks apreendidos na primeira operação policial a mirar a produtora Karina Gama porque a Polícia Civil de São Paulo os lacrou com folga suficiente para a passagem de um cabo USB. Isso quer dizer que eles não estavam lacrados e podem ter sido manipulados antes de serem entregues à perícia.

Liderança

O ministro ainda afirmou que as investigações em curso reúnem indícios de que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) pode ter exercido papel de liderança e centralidade em um possível esquema criminoso de desvio de recursos. Segundo Dino, a investigação faz referência recorrente ao deputado e, no campo hipotético da apuração, ele teria papel de liderança na suposta estrutura criminosa.

Desejos ocultos

Um “memorando estratégico” elaborado por André Marinho, candidato do Novo ao governo do Rio de Janeiro e filho de Paulo Marinho, suplente de Flávio Bolsonaro no Senado, apresenta diretrizes para uma eventual parceria entre Brasil e Estados Unidos na exploração de minerais críticos e terras raras durante um possível governo de Flávio.

Ligação externa

Revelado pelo portal Amado Mundo, o documento tem 22 páginas e foi elaborado em março deste ano. A apresentação, em formato de PowerPoint, traz na capa a inscrição “Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign”. O memorando propõe transformar o Brasil em um dos principais fornecedores e centros de processamento de minerais críticos alinhados aos Estados Unidos no Ocidente.

Vínculos

O jornalista também revelou que o empresário carioca Pedro Sang, articulador no Brasil da organização trumpista Rockbridge Network, atua na campanha de Flávio Bolsonaro em São Paulo. Com as denúncias, o PT entrou com uma notícia de fato no STF pedindo que se investigue um possível investimento estrangeiro na campanha do candidato do PL à Presidência.

Fotografia

Pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada na manhã de hoje, 14, mostra Lula com 42% das intenções de voto no 1º turno, contra 37% de Flávio Bolsonaro. Na rodada anterior, de 8 de setembro, eles apareciam com 39% e 35%. Completam o cenário estimulado o escritor Augusto Cury, com 6%; Ronaldo Caiado, com 5%; e Renan Santos, com 2%. Brancos, nulos e nenhum somam 4%, e os indecisos, 2%.

Recortes

No voto espontâneo, em que nenhum nome é lido ao entrevistado, o avanço mais nítido é de Flávio: de 31% para 34%, enquanto Lula foi de 39% para 40%. A parcela de quem não sabe ou não responde nesse formato caiu a 10%, o menor patamar da série. No 2º turno, Lula tem 47% e Flávio Bolsonaro, 46%, ante 46% e 45% na semana passada. A pesquisa ouviu 2.003 eleitores por telefone entre 11 e 13 de setembro, com margem de erro de 2 pontos percentuais. (Meio)