Durante a sessão desta quarta-feira (28), o deputado Tanízio Sá (MDB) tratou de demandas de Plácido de Castro, da necessidade de ampliar o acesso aos serviços de saúde e dos desafios financeiros relacionados ao pagamento de servidores terceirizados e à previdência estadual.
Ao iniciar o pronunciamento, o parlamentar comentou a situação da ponte Brasil-Bolívia, em Plácido de Castro, e o acordo firmado para o fornecimento de madeira pela Bolívia, com o objetivo de viabilizar a construção da estrutura. Segundo ele, surgiram questionamentos na Câmara Municipal sobre o cumprimento do que foi acordado entre as partes.
Tanízio Sá também comentou o andamento de obras no município e explicou que a demora na liberação de recursos e nos procedimentos de fiscalização pode comprometer o ritmo dos trabalhos. De acordo com ele, a proximidade do período chuvoso aumenta a preocupação de moradores e representantes municipais com a conclusão das intervenções.
O parlamentar mencionou ainda a gestão do prefeito Camilo e afirmou que pretende ampliar sua atuação em favor do município. Ele anunciou que deverá instalar um escritório parlamentar em Plácido de Castro para atender a população e destacou a destinação de emendas e o apoio a iniciativas locais. “Eu que fui prefeito, vou dedicar meu mandato para ajudar aqueles brasileiros que moram ali e precisam do nosso apoio”, declarou.
Saúde pública e filas por cirurgias
Na segunda parte do discurso, Tanízio Sá concentrou sua fala nas dificuldades enfrentadas por pacientes que aguardam consultas e procedimentos cirúrgicos na rede pública estadual. O deputado relatou preocupação com a existência de pessoas na fila desde 2022 e afirmou que a demora pode agravar quadros clínicos e provocar sequelas.
O parlamentar também levantou questionamentos sobre a atuação de médicos que mantêm contratos com a Fundação Hospitalar e com empresas terceirizadas. Segundo ele, é necessário apurar situações em que profissionais deixariam de cumprir atendimentos vinculados à Fundação para prestar serviços por meio de contratos terceirizados, o que, na avaliação do deputado, pode prejudicar os pacientes.
Tanízio defendeu que a saúde receba atenção prioritária na definição do orçamento estadual e pediu medidas para melhorar a prestação dos serviços e reduzir o tempo de espera. “Não dá para esperar. A doença não dá para esperar. Nós temos que resolver essa questão do orçamento da saúde”, afirmou.
Atrasos nos pagamentos de empresas terceirizadas
O deputado também chamou atenção para atrasos nos pagamentos de empresas que prestam serviços ao Estado. Conforme relatou, algumas empresas ligadas à área da saúde aguardavam pagamentos referentes aos meses de agosto e setembro, enquanto, na educação, havia pendências relativas a junho.
O emedebista informou que participaria de uma reunião com a secretária de Educação para discutir o assunto e buscar alternativas para regularizar os pagamentos. Ele destacou que os atrasos afetam os trabalhadores e a continuidade dos serviços prestados à população.
O parlamentar reconheceu as dificuldades financeiras enfrentadas pelo governo estadual e a necessidade de ajustes nas contas públicas, mas defendeu que sejam buscadas soluções para reduzir os impactos sobre os profissionais e os usuários dos serviços.
Déficit do Acre Previdência
Ao encerrar o pronunciamento, Tanízio voltou a defender medidas para enfrentar o déficit previdenciário do Estado. Segundo o deputado, o tema precisa ser discutido durante a atual legislatura para evitar dificuldades futuras no pagamento dos benefícios dos servidores aposentados.
O parlamentar citou uma estimativa de aproximadamente R$ 1 bilhão por ano em despesas relacionadas à previdência estadual e alertou para a possibilidade de esse valor chegar a R$ 2,5 bilhões em 2034, conforme a projeção mencionada em seu discurso.
Para Tanízio, é necessário discutir alternativas de financiamento e medidas que contribuam para reduzir o déficit, considerando a capacidade financeira do Tesouro estadual e a garantia dos benefícios futuros. “Não adianta empurrar para os outros que vêm na frente. Nós somos responsáveis pelo futuro desses trabalhadores”, concluiu o deputado.
No grande expediente, o parlamentar rebateu críticas à gestão estadual e defendeu que a avaliação das medidas adotadas pelo governo considere também a atuação do governo federal, especialmente nas negociações para amenizar a dívida do Acre. Ele citou a necessidade de buscar alternativas de parcelamento e condições semelhantes às concedidas a outros estados, além de destacar a participação das mulheres e da vice-governadora no resultado eleitoral. Sá também afirmou: “Não dá para colocar toda a responsabilidade na governadora. É preciso buscar diálogo com o governo federal para negociar alternativas que ajudem a amenizar a dívida do Acre”, destacou.


