Rio Branco, AC 7 de janeiro de 2026 18:03
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Subsídios

O Tribunal de Contas da União (TCU) instaurou uma inspeção no Banco Central (BC) para apurar os procedimentos adotados na liquidação do Banco Master. A decisão foi formalizada ontem pelo presidente da Corte, Vital do Rêgo, após determinação do relator, Jhonathan de Jesus, que apontou insuficiência na documentação enviada pelo BC e pediu atuação urgente da área técnica.

Manobra

A inspeção deve analisar alertas prévios, medidas de supervisão e eventuais alternativas à liquidação, abrindo espaço para uma possível reversão do processo e a devolução do banco ao dono Daniel Vorcaro, preso após a descoberta de uma fraude de R$ 12,2 bilhões. Nos bastidores, porém, o relator não teria maioria no TCU para desfazer a decisão do BC.

Esperança

Alheio a gravidade das irregularidades detectadas, aliados de Vorcaro apostam em uma reversão ainda neste mês, segundo o colunista de O Globo Lauro Jardim. Em maio do ano passado, como conta a também colunista do mesmo jornal, Malu Gaspar, Jesus havia negado um pedido de inspeção feito pelos técnicos do TCU, mas para investigar a “omissão ou demora” do BC em identificar os problemas no Master.

Turbilhão

A propósito das irregularidades praticadas no mundo financeiro pelo Banco Master, enquanto o Brasil e o mundo voltam os olhos — e com razão — para as bombas na Venezuela, o petróleo dos EUA e o futuro da América Latina sob Trump, o escândalo político e financeiro do Banco continua se desenrolando, agora com uma cortina de fumaça na forma de Tomahawks e mariners.

Trava

O Tribunal de Contas da União (TCU) emitiu um despacho indicando que pode impedir o Banco Central de vender bens ligados ao Master na liquidação do banco. O TCU atua como um braço do Congresso Nacional, operando como órgão fiscalizador das contas públicas. As medidas são incomuns e reforçam o receio de favorecimento político do banco e de seu dono, Daniel Vorcaro, amigão de deputados e senadores, principalmente do centrão.

Magnitude

O Master foi liquidado, em novembro passado, após o BC negar sua compra pelo Banco de Brasília, negócio que traria um prejuízo à população. Vorcaro foi preso ao tentar sair do país e, depois, solto. A instituição também estaria vendendo títulos podres, inclusive em transações bilionárias para governos, como o do Rio, e prefeituras. A Polícia Federal investiga fraudes que passam de R$ 12 bilhões.

Guarda chuva

O Fundo Garantidor de Créditos irá bancar até R$ 250 mil investidos no Master, totalizando mais de R$ 40 bilhões. A venda de ativos poderia cobrir investimentos perdidos acima desse valor e ressarcir o próprio fundo. A defesa de Vorcaro disse ao TCU que houve falhas na liquidação do banco conduzida pelo Banco Central. Se a reversão desse processo é difícil por conta do tamanho do descaramento, um pedido de indenização para o banqueiro é mais fácil de se imaginar.

Abrindo o bico

Vorcaro é ave que canta quando enjaulada e sem dinheiro no bolso. Uma possível delação estacionaria o caminhão de explosivos na garagem do Congresso, mas não só lá. Ela pode apontar quem pressionou o BC e governos estaduais para bancar com dinheiro público operações bilionárias com créditos podres. E se investigar a fundo, deve constranger mais gente, no governo, na oposição, na Faria Lima.

Proteção

Fato é que um crime dessa magnitude não se sustenta sem apoio político. Vorcaro e sócios construíram amizades em um espectro ideológico amplo, da direita à esquerda, no Legislativo, no Executivo, no Judiciário.

Bom tom

Neste imbróglio, demanda-se atenção para evitar a blindagem de poderosos, o que permitiria que o poder e a riqueza escapassem das consequências reais das suas decisões. E o Brasil tem direito de saber: quem mamava no Master? A América do Sul não precisa das bombas dos EUA, mas um apocalipse trazido pela explosiva delação de Vorcaro seria mais que bem-vinda.

Anjo de candura

“Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente”. Foi assim que o presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, se declarou ao comparecer, no início da tarde de ontem, 05, a um tribunal federal em Manhattan, em Nova York.

Largada

Convidado pelo juiz a se identificar, falou em espanhol, disse ser o presidente da República da Venezuela e afirmou estar ali “sequestrado”. Responsável pelo caso, o juiz Alvin Hellerstein interrompeu a fala e garantiu que haveria “tempo e lugar para abordar tudo isso”. A audiência, que durou cerca de 40 minutos, marcou o início do processo judicial contra Maduro e sua esposa, Cilia Flores, nos Estados Unidos.

Imputações

Maduro e Cilia foram formalmente apresentados às acusações de narcoterrorismo e conspiração para tráfico internacional de cocaína. Questionada pelo juiz, Flores sustentou ser “inocente, completamente inocente”. A próxima sessão foi marcada para 17 de março.

Rotina da anormalidade

Em entrevista à NBC News, Donald Trump afirmou que a Venezuela não terá novas eleições nos próximos 30 dias. “Temos que consertar o país primeiro. Você não pode ter eleições. Não há como o povo votar”. Trump disse que os EUA podem subsidiar um esforço das empresas petrolíferas para reconstruir a infraestrutura energética do país — um projeto que pode demorar menos de 18 meses.

Posse

Cá nos trópicos, na capital venezuelana, Caracas, Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina da Venezuela em uma cerimônia na Assembleia Nacional. A nomeação decorre de uma decisão do Supremo Tribunal do país, que determinou que Rodríguez assumisse o comando do Executivo por 90 dias, prazo que pode ser prorrogado. A solenidade contou com a presença da embaixadora do Brasil na Venezuela, Glivânia Maria de Oliveira.

Caçada

O atual governo da Venezuela ordenou que a polícia “inicie imediatamente a busca e captura em âmbito nacional de todos os envolvidos na promoção ou apoio ao ataque armado dos Estados Unidos”. O decreto está em vigor desde sábado, mas foi publicado na íntegra nesta segunda.

Tudo como d’antes

A constatação, apesar da captura de Maduro, é que o regime se manteve e já é alvo de denúncias de repressão. O Sindicato Nacional de Trabalhadores de Imprensa (SNTP) da Venezuela afirmou que 14 jornalistas e profissionais da imprensa foram presos dentro e nos arredores da Assembleia Nacional, onde houve a abertura do ano legislativo e as posses de parlamentares e da presidente interina. A entidade pediu a libertação imediata dos profissionais e afirmou que a repressão inviabiliza qualquer transição democrática.

Jogada frustrada

Com o cerco dos EUA se fechando no fim de novembro, Nicolás Maduro negociou com aliados uma saída da Venezuela. Segundo relatos ouvidos pelo jornal Folha de São Paulo em Moscou, o ditador acertou com o presidente de Belarus, Aleksandr Lukachenko, um exílio no país, com apoio da Rússia. Maduro preferia ir para Moscou, mas Vladimir Putin teria recuado para não melindrar Trump em meio às negociações sobre a Guerra da Ucrânia. A oferta de exílio, segundo as fontes, segue de pé.

Moldura intacta

Até segunda-feira, todas as autoridades do governo venezuelano, com exceção de Maduro, pareciam ter permanecido em seus cargos, incluindo o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, e o ministro do Interior, Diosdado Cabello, que controla a polícia e era conhecido como um dos homens de confiança mais temidos de Maduro. Para Donald Trump, a preservação de algo próximo ao status quo faz sentido, visto que seu objetivo é a extorsão, não a transformação política. Como um funcionário do governo disse, há ‘algo revigorante em Trump simplesmente dizer: Sim, vamos pegar o petróleo’.