Rio Branco, AC 8 de fevereiro de 2026 20:04
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Simples assim

Na música ‘O tempo não para’, o poeta e letrista Cazuza crava que “vê o futuro repetindo o passado’. Pois bem! O resgate vem à guisa de lembrar que o vice-prefeito Alysson Bestene (PP), prestes a assumir o paço municipal rio-branquense com a iminente saída de Tião Bocalom (PL) para concorrer ao governo do Acre, não terá nenhuma dificuldade em administrar seu apoio à candidatura do prefeito, ora filiado ao PL, e ser acusado de infidelidade partidária, sob o argumento de que pertencem a siglas partidárias antagônicas. Basta recorrer a artifícios da legislação eleitoral e terá o caminho livre, sem amarras da lei.

Repeteco

Bestene poderá recorrer ao mesmo estratagema adotado pelo governador Gladson Cameli (PP) em 2020, quando pediu licença de seu vínculo partidário com o PP para apoiar a reeleição da então prefeita de Rio Branco, Socorro Neri, a época filiada ao PSB e, após as eleições, Cameli retomou a vida partidária no Partido Progressista.

Poligamia

Lançando mão do recurso e, consequentemente, sem filiação partidária temporária, Alisson Bestene poderá, ainda, emprestar apoio à candidatura do amigo Cameli ao senado. Estará livre, também, para declarar apoio a um segundo candidato a Câmara Alta, mesmo sendo de um terceiro partido, vez que estarão em disputa duas cadeiras. Como gostava de dizer o falecido ex-governador Edmundo Pinto, na política deve-se resguardar a fidelidade, mesmo transando com todo mundo, mas sem trair a própria mulher. Essa é a balbúrdia da política nacional!

Apoio

O presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, deve aportar no Acre em fevereiro para participar de um ato político de apoio à pré-candidatura do deputado federal Eduardo Velloso ao Senado nas eleições de 2026. Além de Rueda, está programada a visita do vice-presidente do partido e ex-prefeito de Salvador-Ba, ACM Neto.

Sinalização

A presença da cúpula nacional do União Brasil é tratada internamente como um movimento da direção nacional em sinalizar ao PP do governador Gladson Cameli, que ocupará uma das vagas ao Senado na chapa governista, que o partido quer ocupar a segunda vaga na coligação União Progressista. Além do apoio a Velloso, a agenda prevê também uma declaração pública do União Brasil à vice-governadora Mailza Assis (PP), em seu projeto rumo ao Palácio Rio Branco.

Petit comité

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu um convite do presidente americano Donald Trump para integrar um “Conselho de Paz” responsável por acompanhar a reconstrução da Faixa de Gaza. Além de Lula, foram convidados líderes como Recep Tayyip Erdogan, da Turquia; Javier Milei, da Argentina; e Nayib Bukele, de El Salvador.

Exercício

Os integrantes do conselho terão mandato de três anos. Segundo informação confirmada por auxiliares de Lula, aqueles que desembolsarem US$ 1 bilhão (em torno de R$ 5,37 bilhões) em dinheiro vivo poderão ocupar cargos vitalícios. No sábado, Milei confirmou o convite e disse que será “uma honra” fazer parte.

Ponto de vista

Em artigo veiculado no jorna New York Times, Lula criticou a ação militar dos EUA na Venezuela, afirmando que ela enfraquece o direito internacional e a ordem multilateral. Defendeu a soberania e a autodeterminação dos povos, condenou medidas unilaterais e disse que o futuro do país deve ser decidido por seu povo. “Somente um processo político inclusivo, conduzido pelos próprios venezuelanos, levará a um futuro democrático e sustentável”, escreveu.

Obituário

Morreu neste domingo, aos 73 anos, o ex-ministro e ex-deputado Raul Jungmann, que lutava desde o ano passado contra um câncer no pâncreas. Pernambucano de Recife, Jungmann conquistou projeção nacional ao assumir o Ministério do Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias em 1996, no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Postos

Jungmann elegeu-se deputado em 2002 e 2006 por Pernambuco, perdendo a disputa para o Senado quatro anos depois, mas voltando à Câmara no pleito de 2014. Em 2016, já sob Michel Temer, foi ministro da Defesa e, em 2018, tornou-se o primeiro ministro da Segurança Pública.

Louvação

A morte de Jungmann, considerado um homem de diálogo e defensor da democracia, repercutiu entre políticos e amigos, com o ex-presidente Temer classificando-o como “um homem que soube servir ao país”, enquanto o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) disse que o país perdeu “um dos mais capacitados e éticos homens públicos” que já conheceu.

Parecer

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes rejeitou um pedido de prisão domiciliar para o ex-presidente Jair Bolsonaro. A solicitação foi feita pelo advogado Paulo Carvalhosa, que não faz parte da equipe de defesa de Bolsonaro. Mendes rejeitou o benefício sem analisar o mérito do pedido por entender que a jurisprudência da Corte não admite habeas corpus impetrado por terceiros.

Cruzada

Após a transferência de Jair Bolsonaro para a Papudinha, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pregou união de presidenciáveis da direita. Em vídeo divulgado em suas redes, criticou a prisão do pai e defendeu um palanque presidencial liderado por ele, reunindo Michelle Bolsonaro e governadores de direita como Tarcísio de Freitas, Ratinho Jr., Romeu Zema e Ronaldo Caiado.

Contragolpe

A União Europeia avalia uma retaliação econômica contra os Estados Unidos, incluindo tarifas de € 93 bilhões (cerca de R$ 580 bilhões) ou restrições a empresas americanas. A intenção é uma resposta às ameaças de Donald Trump sobre anexar a Groenlândia e impor tarifas de 10% — com possibilidade de elevação para 25% a partir de junho — contra Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.

Disputa

O socialista António José Seguro e o candidato de ultradireita André Ventura (foto) foram os mais votados nas eleições deste domingo para a presidência de Portugal. Eles disputarão um inédito segundo turno em 8 de fevereiro. Seguro obteve 31,1% dos votos, seguido por Ventura, com 23,5%. A tarefa dos dois agora é atrair o eleitorado e os partidos de centro, grandes derrotados no pleito.

Beligerância

O presidente do Irã, Masud Pezeshkian, advertiu neste domingo que qualquer ataque contra o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, será considerado uma declaração de guerra. Manifestantes relatam repressão com tiros nos protestos, que duram mais de 20 dias, e pedem fim do regime dos aiatolás.

Baixas

Cerca de 5 mil pessoas já morreram em decorrência da violência, afirmou a agência de notícias Reuters. Enquanto isso, o acesso à internet foi parcialmente restabelecido no país, após 10 dias de bloqueio nacional.

Urgência

Em caráter de emergência, os 27 líderes da UE se reuniram ontem, domingo, 18, em Bruxelas para alinhar uma reação conjunta antes do encontro com Trump em Davos. A 56ª edição do Fórum Econômico Mundial começa hoje, reunindo mais de 100 países. Em 2026, o evento tem como tema “o espírito de diálogo”.

Barreira

A propósito do diálogo, o que não faltou aos líderes da UE nessa reunião de última hora foi conversas. Os governos europeus debateram o uso do instrumento anticoerção, que permitiria restringir o acesso de empresas americanas ao bloco. Eles querem aumentar seu poder de barganha sem romper a aliança transatlântica.

Reações

Paralelo às medidas protecionistas, os países da UE anunciam reforço da segurança no Ártico, com o envio de pequenos contingentes e coordenação na Otan. A crise também provocou protestos populares. Milhares de pessoas foram às ruas da Groenlândia e de Copenhague no sábado para criticar a intenção de Trump de anexar o território. As informações foram veiculadas pelo Financial Times e pela CNN Brasil.

Pano de fundo

Fato é que o destino da Groenlândia, a maior ilha do mundo, tem consequências diretas para bilhões de pessoas, à medida que o aquecimento global acelera o derretimento de suas geleiras. O degelo abre novas rotas comerciais e facilita o acesso a minerais críticos, como grafite, zinco e terras raras, essenciais para tecnologias de energia limpa.

Cobiça

A Groelândia também desperta interesse por suas reservas de petróleo. Esse cenário ajuda a explicar o crescente interesse de grandes potências pela ilha, administrada pela Dinamarca como território semiautônomo.