Rio Branco, AC 6 de março de 2026 22:00
HOME / JAMAXI / Rescaldo

Rescaldo

A decisão da direção nacional do PL (Partido Liberal) em negar legenda ao prefeito Tião Bocalom para a disputa do Palácio Rio Branco em outubro próximo, criou um efeito cascata. A decisão abriu caminho para uma composição do senador Márcio Bittar (PL) com o grupo da vice-governadora Mailza Assis (PP), candidata governista à sucessão de Gladson Cameli (PP), posicionando Bittar para uma dobradinha com Cameli, compondo a segunda vaga em busca do Senado Federal.

Melindres

Ocorre que a vaga que Bittar poderá ocupar estava sendo cortejada pelo deputado federal Eduardo Veloso (UB), que desde o ano passado apressou-se em apresentar seu nome como contendor representado o União Brasil na Federação Progressista, que tem em sua composição e União Brasil e o PP de Cameli e Mailza.

Sob nova direção

Sentindo-se traído em seu desejo, Eduardo Veloso acusou o golpe e embarcou de mala e cuia rumo ao partido Solidariedade (SD), cujo tapete vermelho foi estendido pelo presidente nacional da sigla, o deputado federal paulista Paulinho da Força (SD-SP), que introjetou Veloso no comando regional da sigla.

Batendo asas

Cá no Acre, abaixo da linha do equador, quem se sentiu desprestigiado foi o atual presidente estadual do Solidariedade, deputado Afonso Fernandes, que promete uma ida ao diretório nacional para reverter o empoderamento de Velloso e, em não conseguindo reverter a situação, anuncia revoada da sigla com seus apoiadores.

Juntando os cacos

A propósito do banho de cuia que o prefeito Tião Bocalom levou da cúpula do PL, que lhe negou legenda para a disputa do governo do estado, hoje, 06, pela manhã, o prefeito confirmou que mantém negociações com a direção nacional do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) para posar novamente no ninho tucano.

Calendário

Bocalom diz que a definição sobre uma possível filiação deve ocorrer até a próxima terça-feira, 10. Segundo Bocalom, as conversas com a cúpula nacional da sigla foram retomadas nesta semana e agora dependem de uma decisão final da direção nacional dos tucanos.

Expectativa

“Realmente, o partido, nós estamos em conversas finais lá com o PSDB Nacional. Voltei a falar com eles novamente essa semana, mas até terça-feira que vem, se Deus quiser, a gente tem uma decisão final se eles vão ou não vão me aceitar lá dentro do PSDB”, afirmou.

Janela indiscreta

O acesso pela Polícia Federal ao conteúdo do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelou uma intensa troca de mensagens com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, conta a jornalista Malu Gaspar, articulista do jornal O Globo.

Apuros

“Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, indagou Vorcaro pouco antes de ser detido por agentes da PF no aeroporto de Guarulhos na noite de 17 de novembro do ano passado. Em seguida, Moraes teria respondido com três mensagens de visualização única, cujo conteúdo não pôde ser recuperado.

Autodefesa

Ao longo daquele dia (17/11), segundo as mensagens, Vorcaro atualizou o ministro sobre as negociações para a venda do banco e o inquérito que o levaria à prisão. O escritório de advocacia da esposa de Moraes tinha um contrato de quase R$ 130 milhões com o Master. Por meio de sua assessoria, o ministro negou ter recebido as mensagens e classificou a informação como “ilação mentirosa” destinada a atacar o Supremo.

Bloqueio

As conversas interceptadas pela PF mostram proximidade entre os dois (Moraes e Vorcaro). Em uma mensagem, Vorcaro diz que Moraes vetou a participação do empresário Joesley Batista, controlador da J&F, em um evento patrocinado pelo Master. O veto teria sido motivado pela presença do ex-presidente Michel Temer, que indicou o ministro ao STF e foi alvo de uma gravação comprometedora feita por Batista, tornando-se, a partir daí um desafeto de Temer.

Abrindo o bico

Nos bastidores da investigação que levou Vorcaro de volta à prisão, há quem diga que cresce a possibilidade de um acordo de colaboração premiada, conta Andréia Sadi. A hipótese ganhou força após dois sinais observados nos bastidores: a movimentação em torno da reorganização da defesa e a recusa de alguns advogados consultados em assumir uma estratégia baseada em delação.

Prevaricação

As investigações da PF também indicam a atuação do ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza em favor de Vorcaro. Em fevereiro de 2019, o banqueiro pediu ajuda a Souza para assumir o controle do Banco Máxima, que depois mudaria de nome para Master.

Idas e vindas

O BC negou inicialmente a transferência, mas voltou atrás em outubro daquele ano. Souza e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária Belline Santana foram alvo esta semana de mandados de busca e apreensão, acusados de receberem propina de Vorcaro para atuarem como “consultores” dele dentro do BC.

Pousada

O ministro André Mendonça determinou a transferência de Daniel Vorcaro para a Penitenciária Federal de Brasília. A decisão atende a um pedido da PF, que alegou necessidade imediata de proteção à integridade física do investigado. O banqueiro havia sido transferido para a Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo.

Extrato

Dados obtidos a partir da quebra de sigilo bancário do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, indicam que apenas uma de suas contas movimentou R$ 19,3 milhões entre 2022 e 2025. Segundo os investigadores, as características das operações indicam que se trata de uma conta voltada a investimentos, com entradas provenientes principalmente de empresas do próprio empresário, rendimentos de aplicações financeiras e transferências de terceiros.

Em família

As movimentações financeiras também revelam que Lulinha recebeu R$ 721,3 mil em transferências feitas pelo pai, o presidente Lula. Lulinha é investigado sob suspeita de ligação societária com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais alvos do escândalo dos descontos ilegais em aposentadorias.

Transgressão

A defesa de Lulinha afirmou que o vazamento de documentos sigilosos recebidos pela CPMI do INSS configura “crime grave” e informou que levará o caso às autoridades competentes. Os advogados afirmam que não tiveram acesso ao material divulgado e reiteram que Lulinha não tem relação com as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social investigadas pela comissão. Procurado, o Palácio do Planalto não se manifestou sobre o caso.

Recomeço

Sobre o primogênito do presidente Lula, o ministro do STF Flávio Dino decidiu ampliar uma decisão sobre quebras de sigilo aprovadas pela CPI do INSS e suspendeu o envio de dados de Lulinha para a comissão parlamentar. Na terça-feira, Dino já havia determinado a suspensão da quebra de sigilos bancário e fiscal da empresária Roberta Luchsinger, também investigada pela CPI. Dino decidiu que CPI deverá realizar uma nova votação sobre as quebras de sigilo de todos os alvos atingidos pela decisão tomada no fim de fevereiro.