Rio Branco, AC 13 de junho de 2026 10:34
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“Renúncia de Bocalom escancara abandono de Rio Branco e abre chance de mudança”, diz André Kamai na Câmara

A saída do prefeito Tião Bocalom da Prefeitura de Rio Branco, escancara mais do que um movimento político rumo às eleições. Para o vereador André Kamai, trata-se do capítulo final de um ciclo marcado por promessas não cumpridas, prioridades distorcidas e um distanciamento evidente da realidade da população.

Em sua fala na tribuna da Câmara, nesta terça-feira (31), Kamai fez um pronunciamento duro, em tom de desabafo, mas sem abrir mão de um elemento raro no cenário atual: a esperança. Segundo ele, a renúncia não deve ser vista apenas como abandono, mas como uma oportunidade concreta de reorientação administrativa. “A saída representa muito mais do que a candidatura dele. É a chance da prefeitura mudar prioridades e voltar a olhar para o povo”, afirmou o vereador.

Kamai não poupou críticas ao legado deixado. Falou de uma cidade “absolutamente abandonada e destruída”, com bairros esburacados, crise no abastecimento de água e um sistema de transporte público que nunca saiu do campo das promessas. Projetos anunciados com entusiasmo — como melhorias estruturais, investimentos em saúde e habitação — ficaram pelo caminho. “Estamos esperando os ônibus elétricos, as paradas europeias, as casas populares. O prefeito prometeu muito e entregou quase nada”, disparou.

Para o parlamentar, o símbolo maior dessa gestão foi a inversão de prioridades. Enquanto demandas básicas se acumulavam, recursos foram concentrados em obras pontuais, desconectadas do cotidiano da maioria da população. “A cidade andou para trás”, resumiu.

Agora, com a posse do novo prefeito, Alysson Bestene, Kamai sinaliza que seguirá na oposição, mas com disposição para o diálogo — algo que, segundo ele, faltou na gestão anterior. “Espero sinceramente que se abra um novo ambiente de conversa, que a prefeitura volte a olhar para as necessidades reais do povo”, disse.

Apesar do cenário crítico, a fala termina com um chamado à reconstrução. Para o vereador, ainda há tempo de reorganizar prioridades, reconstruir pontes institucionais e recolocar a população no centro das decisões. “Há esperança. Esperança de que a prefeitura volte a cuidar de quem mais precisa”, concluiu.

Entre o desgaste de um ciclo que se encerra e a incerteza do que está por vir, Rio Branco se vê diante de uma encruzilhada: repetir os erros recentes ou, finalmente, alinhar discurso e prática em favor da cidade.