Rio Branco, AC 8 de fevereiro de 2026 21:51
HOME / BRASIL/MUNDO / Reino Unido diz que não cederá à pressão de Trump por Groenlândia

Reino Unido diz que não cederá à pressão de Trump por Groenlândia

Após ameaça de tarifas dos EUA, premiê britânico afirma que futuro do território deve ser decidido por dinamarqueses e moradores locais

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que não cederá à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para apoiar as exigências americanas sobre a compra da Groenlândia.

A declaração ocorre após Trump ameaçar impor tarifas à Grã-Bretanha e a países europeus, elevando o risco de uma nova escalada comercial.

Starmer defendeu uma “discussão calma” sobre o futuro da Groenlândia e indicou que não pretende ampliar um confronto econômico com Washington.

O impasse ganhou força depois de Trump ter revertido o apoio anterior dos EUA a um acordo envolvendo as Ilhas Chagos, usando o tema como instrumento de pressão política sobre Londres.

Trump criticou duramente o Reino Unido por concordar em transferir a soberania das Ilhas Chagos a Maurício, acordo destinado a garantir o futuro da base aérea conjunta entre EUA e Reino Unido no local.

Quando o entendimento foi anunciado, a Casa Branca havia manifestado apoio formal.

Segundo Starmer, a mudança de tom teve objetivo claro. “Não cederei, a Grã-Bretanha não cederá, em nossos princípios e valores sobre o futuro da Groenlândia sob ameaças de tarifas”, afirmou aos parlamentares, acrescentando que o futuro do território deve ser decidido por seu povo e pela Dinamarca.

Relação estratégica em risco

O primeiro-ministro reconheceu a importância de manter laços estreitos com Washington em temas sensíveis, como a guerra na Ucrânia, mas rejeitou a ideia de subordinar decisões diplomáticas britânicas à pressão econômica.

Para Starmer, romper relações com os Estados Unidos seria “imprudente”, mas se alinhar automaticamente também não é uma opção.

A disputa expõe um ponto sensível da política externa britânica: preservar acordos comerciais e de segurança com seu principal aliado sem abrir mão de posições consideradas estratégicas, em especial, com parceiros instáveis como o país estadunidense.

Com a ameaça de tarifas ainda sobre a mesa, o episódio aumenta as incertezas sobre o impacto de disputas geopolíticas no comércio transatlântico e na cooperação militar entre os dois países, membros da Otan.