Rio Branco, AC 27 de outubro de 2026 04:45
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Receita vai usar IA para fiscalizar movimentações bancárias

Com a ajuda da tecnologia, órgão poderá cruzar informações sobre, rendimentos e patrimônio para identificar possíveis irregularidades

A Receita Federal pretende ampliar o uso da inteligência artificial para identificar possíveis irregularidades nas movimentações financeiras dos brasileiros. Com a tecnologia, o órgão poderá comparar informações bancárias com dados sobre renda, patrimônio e declarações do Imposto de Renda para encontrar possíveis diferenças.

Na prática, isso significa que a Receita pode identificar casos em que o dinheiro movimentado por uma pessoa parece não corresponder à renda que ela informou ao Governo. Mas isso não quer dizer que todos os brasileiros serão investigados ou que qualquer movimentação financeira será considerada irregular.

A novidade faz parte da modernização dos sistemas da Receita Federal. Em fevereiro deste ano, o órgão publicou a Portaria RFB nº 647, que estabelece regras para o uso da inteligência artificial em suas atividades.

A ideia é facilitar o trabalho dos profissionais responsáveis pela fiscalização, permitindo que eles analisem mais informações em menos tempo.

Como irá funcionar?

A inteligência artificial poderá ajudar a Receita Federal a comparar diferentes informações sobre uma mesma pessoa ou até mesmo uma empresa. Além dos dados bancários, o sistema poderá analisar informações relacionadas a imóveis, investimentos, notas fiscais e declarações de renda.

Por exemplo, se uma pessoa declarar que recebe x valor por mês, mas apresentar movimentações financeiras diferentes do que foi informado, o sistema poderá identificar essa situação e indicar que ela precisa ser analisada com maior atenção.

O mesmo será para empresas que declaram um faturamento, mas apresentam informações diferentes em notas fiscais ou documentos contábeis.

Isso não significa, que a pessoa ou a empresa tenha cometido algum crime. Diferença nos dados pode ter várias explicações, e cabe aos profissionais da Receita verificar o que aconteceu antes de tomar qualquer decisão.

E o Pix?

Uma das principais dúvidas dos brasileiros é se a Receita Federal vai fiscalizar as transferências via Pix. Como o meio de pagamento é usado diariamente para compras, pagamentos e transferências entre amigos e familiares, o assunto costuma gerar preocupação.

Porém, o uso da inteligência artificial não significa que a Receita vai acompanhar individualmente cada Pix realizado pelos brasileiros.

O órgão já recebe determinadas informações financeiras das instituições obrigadas a prestar contas ao Fisco, por meio de um sistema chamado e- Financeira. Esses dados podem incluir saldos e valores totais que entram e saem das contas.

Isso significa que as informações são apresentadas de forma agrupada, sem que cada transferência seja identificada individualmente nesses registros.

Além disso, fazer ou receber um Pix não significa, que existe alguma irregularidade. O dinheiro pode ser de um empréstimo, de um reembolso ou até de uma transferência entre contas da mesma pessoa.

O que a Receita busca identificar são possíveis diferenças entre as informações financeiras disponíveis e os dados declarados pelo contribuinte.

Quais situações podem chamar a atenção da Receita?

Com essaa ajuda, a Receita poderá encontrar mais facilmente informações que não combinam entre si.

Isso pode acontecer, por exemplo, quando uma pessoa declara uma renda baixa, mas possui um patrimônio que levanta dúvidas sobre a origem do dinheiro. Outra situação é a de empresas que informam valores diferentes em suas declarações e notas fiscais.

O sistema também poderá ajudar a identificar rendimentos que não foram informados e diferenças entre os dados apresentados por empresas, fontes pagadoras e contribuintes.

Mesmo assim, a tecnologia não poderá afirmar sozinha que alguém sonegou impostos. Ela serve para apontar situações que merecem uma análise mais cuidadosa.

Logo após, os profissionais responsáveis pela fiscalização precisam verificar as informações e entender se existe algum problema.

Receita Federal registrou R$ 233,1 bilhões em autuações

A ampliação do uso da IA acontece em um momento em que a Receita Federal já realiza fiscalizações que envolvem valores elevados.

Segundo um balanço divulgado pelo órgão em abril de 2026, as autuações referentes ao ano passado, 2025, chegaram a aproximadamente R$ 233,1 bilhões.

Desse total, cerca de R$ 221,9 bilhões estavam relacionados a empresas, enquanto R$ 11,2 bilhões correspondiam a pessoas físicas.

Esses valores representam cobranças tributárias formalizadas pela Receita durante as fiscalizações. Isso não significa que todo esse dinheiro já tenha sido pago ao Governo.

Além das fiscalizações, o órgão também pode comunicar aos contribuintes quando encontra possíveis diferenças nas informações, permitindo que eles verifiquem a situação e façam correções quando necessário.

A expectativa é facilitar esse trabalho e ajudar a Receita a identificar quais casos precisam de mais atenção.

A inteligência artificial poderá aplicar multas?
Apesar de ajudar a encontrar possíveis irregularidades, a inteligência artificial não substitui o trabalho dos servidores da Receita Federal.

Isso significa que o sistema irá apenas apontar a diferença nas informações, mas não deve decidir sozinho que uma pessoa cometeu uma infração e precisa ser penalizada.

As regras para o uso da tecnologia também envolvem cuidados com a segurança dos dados, a transparência e a supervisão humana.

Dessa forma, se o sistema encontrar algo diferente do que foi declarado, será necessário analisar as informações antes de qualquer decisão. Afinal, nem toda diferença significa que houve sonegação de impostos.

O que muda para os brasileiros?

A principal mudança é que a Receita Federal poderá analisar um volume maior de informações com maior agilidade. Com isso, ficará mais fácil encontrar possíveis inconsistências e direcionar a fiscalização para os casos que precisam de uma verificação mais detalhada.

Mas isso não significa que será criado um novo imposto sobre movimentações bancárias, uma taxa sobre o Pix ou uma nova declaração obrigatória para todos brasileiros.

Para evitar possiveis problemas, o mais importante continua sendo preencher corretamente as declarações, informar os rendimentos exigidos pela legislação e guardar comprovantes que ajudem a explicar a origem do dinheiro, quando necessário.

Caso encontre algum erro em uma declaração anterior, o contribuinte também pode verificar como fazer a correção.