Rio Branco, AC 28 de outubro de 2026 17:32
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Professor de 55 anos é preso no Acre suspeito de estupro contra cinco alunas

Prisão preventiva foi cumprida pela Polícia Civil em Jordão nesta quarta-feira (28); investigado nega o crime, e defesa afirma que vai recorrer da decisão

Um professor de 55 anos foi preso preventivamente nesta quarta-feira (28), em Jordão, no interior do Acre, suspeito de estupro de vulnerável contra cinco estudantes da rede estadual de ensino. Segundo a Polícia Civil, além das denúncias que motivaram a investigação, havia outro inquérito em andamento contra o homem por suspeita do mesmo crime contra uma adolescente de 13 anos.

A investigação começou em julho, após a mãe de uma estudante de 13 anos procurar a delegacia para denunciar o caso. De acordo com a polícia, a adolescente chegou a enviar mensagens de texto relatando a situação. A partir da denúncia, os investigadores aprofundaram as apurações sobre a conduta do professor, que continuava trabalhando em uma escola estadual do município.

Investigações apontaram outras possíveis vítimas

No decorrer das apurações, surgiram relatos envolvendo outras três adolescentes, que também teriam sido submetidas a comportamentos de conotação sexual e contatos físicos indevidos em sala de aula. Os casos passaram a integrar a investigação policial.

Segundo o delegado responsável pelo caso, José Ronério, as denúncias indicam que as abordagens ocorriam inclusive durante as aulas. As cinco estudantes são da mesma unidade de ensino.

“Tem várias denúncias contra ele e representamos pela prisão. Fazia a abordagem também na sala de aula. Já tinha um procedimento anterior, em julho a adolescente de 13 anos denunciou para a mãe, que foi à delegacia. A partir dessa denúncia surgiram outras vítimas”, afirmou o delegado.

Ronério explicou que as adolescentes ainda não prestaram depoimentos completos e que o professor também não havia sido interrogado até o cumprimento do mandado. Por isso, ainda não é possível determinar todos os crimes que podem ter sido praticados.

Após a prisão, o suspeito deverá passar por audiência de custódia e, posteriormente, ser ouvido pela polícia. Conforme o delegado, ele será transferido para o presídio de Tarauacá.

A Polícia Civil também solicitou o afastamento cautelar do professor, que permanecia em atividade mesmo após as primeiras denúncias, registradas em julho.

Secretaria de Educação abriu procedimento administrativo

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre (SEE-AC) informou que já havia instaurado um procedimento administrativo disciplinar para apurar as denúncias envolvendo o servidor.

Segundo a defesa do professor, a secretaria também conduziu um processo administrativo, mas não reconheceu a existência de crime, aplicando uma advertência ao profissional.

Defesa nega acusações e vai recorrer

A defesa do professor informou que pretende recorrer da prisão preventiva por considerar a medida “desarrazoada, desproporcional e não contemporânea aos fatos”.

Os advogados também criticaram a divulgação da prisão, argumentando que o caso tramita sob segredo de Justiça e que a exposição caracteriza uma espetacularização do processo penal.

O professor nega as acusações. Em manifestação, a defesa afirmou confiar na Justiça e declarou que continuará atuando no processo para demonstrar a inocência do investigado e buscar o restabelecimento de sua liberdade.

As acusações seguem sob investigação, e a responsabilidade criminal do suspeito deverá ser estabelecida no curso do devido processo legal.

Nota da defesa do professor

A Defesa de R.P.O., preso na manhã desta quarta-feira (28) no município de Jordão/AC, representada pelo advogado Ribamar de Sousa Feitoza Júnior (OAB/AC 4.119), vem a público esclarecer o seguinte:

Recurso contra a prisão preventiva. A defesa vai recorrer da prisão preventiva decretada, por entender que a medida é desarrazoada, desproporcional e não contemporânea aos fatos.

Divulgação indevida da prisão. O processo tramita em segredo de justiça. Ainda assim, a prisão foi exposta ao público. Isso é mais do que uma espetacularização do processo penal: é uma tentativa de punir e condenar antecipadamente o acusado, em total desrespeito às garantias constitucionais, em especial à presunção de inocência. Pela Constituição, ninguém pode ser considerado culpado antes do trânsito em julgado de sentença penal condenatória.

Danos irreparáveis. Expor o acusado antes de qualquer julgamento causa danos que não se desfazem. Se ele for absolvido ao final, quem vai reparar a honra de quem já foi condenado pelo tribunal da internet? Toda história tem dois lados, e o dele ainda não foi ouvido.

O processo administrativo. Os mesmos fatos foram apurados em processo administrativo pela Secretaria de Estado de Educação, que não reconheceu a existência de crime. O resultado foi apenas uma advertência.

As testemunhas. Segundo a própria acusação, os fatos ocorreram dentro da sala de aula, na presença de testemunhas. Essas testemunhas foram ouvidas no processo administrativo e não confirmaram os fatos.

A defesa confia na Justiça e seguirá atuando, dentro dos autos, para demonstrar a inocência do acusado e restabelecer a sua liberdade.

Ribamar de Sousa Feitoza Júnior Advogado – OAB/AC 4.119 Feitoza Farias Advocacia

Nota da SEE-AC

O governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), informa que já havia instaurado procedimento administrativo disciplinar para apurar denúncias envolvendo o servidor Raimundo Pereira Oliveira, que atuava como professor na rede estadual de ensino, no município de Jordão.

Durante a apuração, o servidor foi afastado das atividades docentes, com restrição de acesso à unidade escolar. O procedimento foi concluído neste mês de outubro, com a aplicação das medidas disciplinares cabíveis. Atualmente, o servidor está lotado na representação da SEE no município de Jordão, ratificando, com restrição de acesso ao local em que atuava anteriormente.

Rio Branco-AC, 28 de outubro de 2026.

Reginaldo Prates
Secretário de Estado de Educação e Cultura