Rio Branco, AC 19 de outubro de 2026 17:02
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Polícia Federal diz que Marcinho VP controla internet do CV no Rio

Operação prendeu a mulher do traficante e um dos filhos, apontado como gerente do esquema; Justiça determinou bloqueio de até R$ 558 milhões

A Polícia Federal (PF) afirma que Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP , mantém influência sobre o fornecimento de internet em áreas dominadas pelo Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro, mesmo estando preso há quase três décadas. Segundo a investigação, o esquema envolve ameaças a moradores e comerciantes, intimidação de operadoras concorrentes e cobrança de valores para permitir a atuação de provedores nos territórios.

As informações fazem parte da investigação Backbone, que apura a estrutura econômica da facção nos complexos da Penha, do Alemão e do Chapadão, na capital fluminense. Nesta segunda-feira (19), a Polícia Federal deflagrou uma operação contra pessoas e empresas suspeitas de participar do esquema.

Entre os alvos estão familiares de Marcinho VP. A mulher do traficante foi presa, assim como Lucas Nepomuceno, filho do casal, apontado pela PF como responsável por gerenciar o controle do fornecimento de internet nas comunidades.

A mãe do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, também foi presa na operação da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

De acordo com a CNN Brasil, a operação prevê o cumprimento de 23 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões, envolvendo 40 pessoas físicas e 42 empresas.

Como funcionaria o monopólio da internet do tráfico

Segundo a investigação da PF, integrantes armados do Comando Vermelho impediriam a atuação de provedores concorrentes nos territórios controlados pela facção. Entre as práticas relatadas estão o corte de cabos, o incêndio de caixas de distribuição e a intimidação de técnicos responsáveis pela manutenção das redes.

Com a restrição à concorrência, moradores e comerciantes seriam pressionados a contratar serviços de internet autorizados pelo grupo criminoso.

Ainda conforme os investigadores, os provedores que recebem autorização para operar nessas áreas pagariam mensalmente uma espécie de taxa à facção pelo direito de prestar o serviço.

O esquema, segundo a PF, permitiria ao grupo controlar parte da infraestrutura de telecomunicações local e obter receitas recorrentes por meio da exploração econômica dos territórios.

Como o dinheiro chegaria à família de Marcinho VP

A investigação aponta que os recursos obtidos com as atividades empresariais ligadas ao esquema chegariam à família de Marcinho VP por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas utilizadas para movimentar valores.

Os investigadores também suspeitam que parte do dinheiro seria ocultada por meio de produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão comprados com dinheiro em espécie e criptoativos.

A PF apura a participação de familiares e de outras lideranças do Comando Vermelho na administração dessas atividades. A suspeita é de que a estrutura empresarial ajudasse a movimentar e dissimular recursos provenientes do controle econômico exercido pela facção.

As suspeitas ainda fazem parte da investigação e dependem da apuração das responsabilidades individuais dos envolvidos.

Quem é Marcinho VP

Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, é apontado como uma das principais lideranças históricas do Comando Vermelho. Ele está preso desde a década de 1990 e atualmente se encontra no Sistema Penitenciário Federal, em Campo Grande (MS).

Segundo a PF, mesmo encarcerado, ele continuaria exercendo influência sobre atividades econômicas exploradas em territórios dominados pela facção, com a participação de familiares e outros integrantes do grupo.

A operação Backbone busca atingir essa estrutura e interromper as atividades financeiras associadas ao controle do fornecimento de internet nas comunidades investigadas.

Operação prevê bloqueio de R$ 558 milhões

A ação desta segunda-feira mobiliza policiais federais para cumprir ordens judiciais contra pessoas físicas e empresas suspeitas de integrar a estrutura investigada.

Além dos mandados de prisão e de busca e apreensão, foi determinado o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores. A medida tem como objetivo atingir os recursos financeiros que, segundo a investigação, estariam ligados às atividades ilícitas.

A CNN Brasil informou que procurava as defesas dos citados. O espaço permanece aberto para manifestações.