Rio Branco, AC 19 de fevereiro de 2026 21:16
HOME / JAMAXI / Palco

Palco

O cenário político do Alto Acre está tomado pelo debate acerca de uma possível terceirização do Hospital Regional Wildy Viana. O deputado federal Roberto Duarte (Rep) elevou o tom de suas cobranças ao governo do Estado ao criticar duramente a proposta de terceirização. Para o parlamentar, a medida representa mais um capítulo do abandono da saúde pública e da falta de compromisso da gestão estadual com pacientes e profissionais.

Cantilena

Durante uma reunião em Epitaciolândia, ao lado de servidores do hospital de Brasiléia, Duarte afirmou que já são mais de oito meses de espera por soluções concretas, enquanto a população segue sofrendo com a carência de especialistas, estrutura precária e insegurança no atendimento.

Cobrança

Segundo o deputado, o governador Gladson Cameli e o secretário de Saúde Pedro Pascoal precisam assumir responsabilidade e explicar à sociedade por que insistem em terceirizar a unidade em vez de investir diretamente no serviço público. “Se existe dinheiro para contratar empresa privada, também existe dinheiro para valorizar os servidores, contratar médicos especialistas e melhorar o atendimento. O que falta aqui é gestão, planejamento e vontade política”, disparou Duarte.

Interlocução

O parlamentar também criticou a ausência de diálogo do governo com quem atua na linha de frente da saúde na região. De acordo com ele, não há como encontrar soluções, sem conhecer a realidade dos profissionais e população, sendo assim, as decisões são tomadas de forma unilateral, ignorando os impactos reais sobre trabalhadores e usuários do SUS.

Arremedo

Para Roberto Duarte, a terceirização não resolve problemas estruturais e apenas aprofunda a precarização do serviço público, com retirada de direitos, insegurança trabalhista e risco de queda na qualidade do atendimento. “Soluções imediatistas, não resolve os problemas reais. A Terceirização da saúde significa perda de direitos e um atestado de má gestão do estado”, afirmou.

Inércia

O deputado lembrou ainda que denúncias já chegaram ao Ministério Público e à Justiça, enquanto servidores relatam congelamento de benefícios e medo de demissões. Mesmo assim, segundo o deputado, o governo segue sem apresentar um plano claro para fortalecer a rede hospitalar do Alto Acre.

Fake news

Contrapondo-se ao debate, o governador Gladson Cameli reforçou que a gestão do hospital continua sob a responsabilidade da Secretaria de Saúde (Sesacre). Cameli destacou que o funcionamento de todos os serviços médicos e de urgência está assegurado pelos profissionais da rede estadual, respeitando as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). “O atendimento público de saúde no estado é realizado através do SUS e dos investimentos do governo do estado. E continuará sendo prestado de forma gratuita para toda a população, conforme determina a Constituição Federal”, afirmou o governador.

Alerta

De acordo com o governo, as informações falsas teriam surgido a partir de interpretações equivocadas sobre estudos técnicos realizados pela gestão. O Estado estaria analisando a viabilidade de expandir o número de especialidades oferecidas na unidade e os custos operacionais envolvidos nesse aumento de oferta, o que não implica em cobrança aos usuários ou transferência para a iniciativa privada.

Lástima

A gestão estadual lamentou o uso de desinformação para causar pânico na população, associando a “onda de boatos” à proximidade do período eleitoral. O governo informou que já está tomando as providências necessárias para identificar os autores das notícias falsas.

Súplica

A vice-governadora, Mailza Assis, fez um apelo para que os cidadãos não compartilhem informações de fontes duvidosas. “É importante que, em casos de dúvidas, a população recorra aos canais oficiais do governo através das rádios públicas, o site oficial e a agência de notícias”, orientou.

Ação

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de determinar a investigação do vazamento de dados da Receita Federal de ministros e de seus familiares foi alvo de críticas de parlamentares. Na terça-feira, a Polícia Federal realizou uma operação contra quatro suspeitos, autorizada pelo ministro após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Ordenação

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio e Bahia. Também foram determinadas medidas cautelares como monitoramento por tornozeleira eletrônica, cancelamento de passaportes e proibição de saída do país. Os quatro suspeitos também estão impedidos de entrar nos prédios do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e da Receita.

Leitura

O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) disse nas redes sociais que Moraes “abriu inquérito por conta própria para proteger interesses pessoais e de familiares, usando o STF como escudo”. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) disse que “combater vazamentos e venda de dados sigilosos é importante, mas não deve servir como cortina de fumaça para ocultar patrimônios injustificados ou crimes praticados por figuras importantes da República”.

Efeito cascata

A reação não é só no Congresso. Como conta Malu Gaspar, no jornal O Globo de hoje, 19, ministros do próprio STF ficaram irritados por não terem sido consultados ou comunicados da operação por Moraes, já que a ação os envolve.

Pano de fundo

Nos bastidores, integrantes da Corte avaliam que o real objetivo do ministro é identificar quem vazou a existência de um contrato de quase R$ 13 milhões entre o Banco Master e o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.

Desdobramento

A investigação é um novo desdobramento do controverso inquérito das Fake News, criado em 2019 para apurar ataques a ministros do STF. Moraes ordenou que a Receita rastreasse qualquer consulta ou tentativa de acesso envolvendo os atuais 10 integrantes da Corte, bem como suas esposas, filhos, irmãos e todos os ascendentes.

Bisbilhotagem

A investigação aponta que houve acesso sem autorização aos dados da esposa do ministro por um servidor do Serpro. O filho de outro ministro do Supremo também teve a declaração de IR devassada sem autorização judicial. O relatório deve ser apresentado ainda esta semana.

Transações

O cruzamento entre as mensagens extraídas pela PF do celular de Daniel Vorcaro e extratos podem comprovar transações financeiras entre o banqueiro e o resort de luxo que teve o ministro do STF Dias Toffoli como sócio. O fundo de investimentos Arleen, usado pelo dono do Banco Master para comprar parte da participação do ministro no Tayayá, movimentou R$ 35 milhões, segundo o Estadão.

Cadê a grana?

Em agosto de 2024, por mensagens de texto, Vorcaro repassou ao cunhado, o pastor Fabiano Zettel, as cobranças de pagamentos. “Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?”. O cunhado respondeu: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”. Zettel completou: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”.

Versão

Em nota divulgada anteriormente, Toffoli negou ter recebido pagamentos de Vorcaro. No sábado, a equipe do ministro respondeu que a única operação ocorrida entre a Maridt e o Arleen foi a venda de parte da participação no grupo Tayayá em setembro de 2021. As mensagens fazem parte do relatório que está sob análise do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Veto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou parcialmente nesta quarta-feira os projetos de lei que estabelecem reajustes de cerca de 9% aos funcionários da Câmara dos Deputados, do Senado e do Tribunal de Contas da União (TCU). As propostas aprovadas há duas semanas previam aumento salarial e criação de “penduricalhos” – indenizações e verbas extras – que poderiam elevar alguns vencimentos acima de R$ 80 mil, ultrapassando o teto atual de R$ 46.366,19.

Barreira

Lula vetou a criação de uma licença compensatória e o escalonamento de reajustes para 2027–2029, citando a Lei de Responsabilidade Fiscal. A decisão também buscou evitar desgaste em ano eleitoral e alinhou o governo à determinação do ministro Flávio Dino, que suspendeu penduricalhos.