Rio Branco, AC 4 de fevereiro de 2026 17:50
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O botão não acendeu, mas o jogo de Edilson já foi apagado

O recuo de ‘capetinha’ expõe um erro de elenco e um medo que não cabe num prêmio de R$ 5,5 milhões

Edilson Capetinha ensaiou a saída, pediu desculpas, se despediu de aliados e praticamente encerrou sua participação no BBB antes que o jogo fizesse isso por ele. Quando um participante chega a esse ponto, a pergunta é direta e incômoda: vale a pena mantê-lo na casa? Um reality que promete intensidade, enfrentamento e desejo de vitória não pode tratar a desistência como um estado de espírito passageiro. Se o botão não acende quando alguém claramente já jogou a toalha, o programa passa a mensagem errada. a de que hesitar e ameaçar deixar a casa também é estratégia.

Há algo de profundamente incompatível entre um prêmio de R$ 5,5 milhões e a indecisão sobre permanecer ou não no jogo. Ficar em cima do muro já é, por si só, um problema grave dentro da dinâmica do BBB. Ficar em cima do muro sobre a própria permanência é ainda pior: é jogo desperdiçado, espaço ocupado sem entrega, oportunidade negada a quem entrou com fome real de disputa. Participante que negocia a própria desistência em público já saiu do jogo antes mesmo de ser eliminado.

Esse recuo, no entanto, não nasce do nada. Ele vem logo após Edilson chamar Leandro de “analfabeto” e perceber o peso do que havia dito ao receber a vuvuzela. Tocou na ego com força o som daquela corneta. Um ídolo colocado no banco de reservas. Como assim? Um ídolo levar um ‘bola murcha’ na dinâmica? a vaidade não suporta. O clima muda, os olhares se reorganizam, o corpo denuncia tensão; e até a dancinha de Juliano Floss funciona como espelho irônico de um ambiente que já não o acolhe da mesma forma. Não há papo de “arroz com feijão” ou de cansaço cotidiano: o que se instala ali é o medo claro de um julgamento externo que foge ao controle.

O BBB escancara, mais uma vez, um erro recorrente de perfil. Já é o segundo jogador de futebol que demonstra não sustentar a pressão do jogo, lembrando que Fred Bruno também abriu mão da repescagem. Não se trata de passado esportivo, mas de estrutura emocional para lidar com conflito, culpa e exposição. Colocar na casa alguém que desiste diante da possibilidade de rejeição é desperdiçar o próprio formato. Com tanta gente pronta para enfrentar o risco, apostar em quem recua ao primeiro abalo é, sem dúvida, bola fora.