Rio Branco, AC 6 de fevereiro de 2026 17:20
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Nikolas ataca Eduardo Bolsonaro e escancara racha no bolsonarismo

Deputado do PL rompe com aliados, troca acusações com o clã Bolsonaro e expõe disputa interna por protagonismo na extrema direita brasileira

A escalada de conflitos no campo bolsonarista ganhou um novo e ruidoso capítulo. Depois de discutir publicamente com o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), a quem acusou de editar um vídeo da caminhada de Minas a Brasília, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) passou a atacar diretamente o ex- deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e aliados próximos do filho do ex-presidente, como Paulo Figueiredo e Allan dos Santos.

As declarações foram dadas em entrevista ao podcast do humorista Carioca e expuseram fissuras cada vez mais profundas entre lideranças que, até pouco tempo atrás, atuavam em sintonia no campo da extrema direita.

“Não faço questão nem de citar o nome”

Questionado sobre sua relação com Eduardo Bolsonaro — tratado como “refugiado” por Carioca, em referência à sua permanência nos Estados Unidos —, Nikolas deu início a uma sequência de ataques ao ex-aliado.

“Cara, eu não converso com ele e não faço nem questão de citar o nome dele aqui, de verdade”, afirmou o parlamentar.

Ao ser provocado sobre o apoio de Eduardo à recente marcha até Brasília, Nikolas minimizou o gesto e sugeriu oportunismo político. “É muito fácil apoiar quando todo mundo está apoiando, fica inexorável”, disparou.

Acusação de deslealdade e disputa por protagonismo

Nikolas afirmou que Eduardo tentou descredibilizar sua força eleitoral ao espalhar a versão de que o empresário Pablo Marçal estaria por trás de sua projeção política. Segundo ele, o incômodo maior foi a tentativa de rotulá-lo como “desleal” ou “traidor”.

“Ficar colocando na cabeça das pessoas como se eu fosse um desleal ou um traidor. Para mim, a pergunta é simples: qual o intuito disso? ”, questionou.

O deputado também reagiu às cobranças por maior engajamento em pautas defendidas por Eduardo no exterior. “Ou eu sou irrelevante e só faço vídeo, ou eu decido quando entro em algo. Não dá para ser os dois ao mesmo tempo”, disse. “Não vou sair dando confete para quem está me pressionando.”

Críticas a Allan dos Santos e Paulo Figueiredo

Nikolas ampliou o ataque ao citar diretamente Allan dos Santos e Paulo Figueiredo, acusando-os de bravatas e promessas não cumpridas. A referência foi às recorrentes previsões de reviravoltas políticas e sanções internacionais que nunca se concretizaram.

“Eu nunca fiz parte de nenhuma negociação ou conversa no exterior. Nunca fui chamado. Como vou falar sobre algo que não conheço?”, afirmou. “Se um projeto só dá certo se eu estiver nele, então o projeto não é de quem diz liderar.”

Trump, sanções frustradas e o estopim do racha

O embate ganhou força após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuar de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e iniciar negociações com o governo Lula, encerrando a guerra tarifária com o Brasil. Eduardo Bolsonaro passou a responsabilizar aliados no Congresso pelo fracasso da ofensiva internacional — acusação sentida diretamente por Nikolas.

Nos bastidores, a tentativa de pressionar o Brasil para livrar Jair Bolsonaro de uma possível prisão fracassou, aprofundando o desgaste interno.

Reação da ala bolsonarista

As falas de Nikolas provocaram reações imediatas. Paulo Figueiredo prometeu responder publicamente. “Vou responder ao trecho da entrevista no Paulo Figueiredo Show da semana que vem”, anunciou.

Influenciadores ligados ao clã Bolsonaro também partiram para o ataque. Kim Paim, aliado de Carlos Bolsonaro, incitou militantes a colocarem Nikolas “no alvo”. Já o influenciador conhecido como “João 8:32” acusou o deputado de sabotagem.

“O Nikolas sabotou o trabalho de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo na Magnitsky. Zero articulação, zero caminhada, nada — só autopromoção nas redes sociais”, escreveu Paulo Figueiredo.

O episódio escancara um racha cada vez mais explícito no bolsonarismo, marcado por disputas de protagonismo, acusações cruzadas e uma guerra interna que ameaça fragmentar ainda mais o campo da extrema direita.