Abrahão Felício Neto foi preso durante a operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Acre (Ficco-AC) nesta quarta-feira (11). Justiça também determinou bloqueio de até R$ 5 milhões
O empresário Abrahão Felício Neto foi preso durante a Operação Regresso, da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Acre (Ficco-AC), nesta quarta-feira (11) contra o tráfico de drogas. Ele é neto dos fundadores do Grupo Miragina. A informação foi apurada pela Rede Amazônica Acre e o g1.
A reportagem tenta contato com a defesa do empresário preso. A Miragina é umas empresas mais tradicionais do Acre que trabalha com alimentos desde 1967. Criada por Abrahão Felício e a esposa Miriam Assis Felício, a indústria tem mais de 20 produtos, incluindo os derivados da castanha do Brasil.
A polícia informou que a empresa não é alvo da operação, contudo, cumpriu diligências na sede da Miragina nesta quarta. Foram cumpridos ainda cinco mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão contra investigados por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Ainda conforme as investigações, o investigado ‘se utilizou indevidamente da estrutura da empresa para a prática dos ilícitos’. Ao g1, o advogado da empresa, Gilliard Nobre Rocha, informou que o empresário preso não ‘possui qualquer participação, cargo de direção ou vínculo administrativo ou trabalhista com a Miragina S/A’. (Veja a nota na íntegra abaixo).

A Justiça também autorizou o bloqueio de bens e valores de até R$ 5 milhões. As ordens foram expedidas pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Rio Branco e são cumpridas na capital e em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, além de Aracaju (SE).
Durante a ação, a polícia prendeu três pessoas por posse ilegal de arma de fogo, sendo duas em Rio Branco e outra em Cruzeiro do Sul, apreendeu cinco veículos e apreendeu R$ 8 em dinheiro.
Investigações
Segundo as investigações conduzidas pelas polícias Federal, Civil, Militar e Penal, o grupo atuaria de maneira estruturada no envio de drogas para outros estados.
Ao longo da apuração, foram identificados ao menos cinco episódios relacionados ao tráfico, que resultaram na apreensão de, aproximadamente, 350 quilos de cocaína no Acre, Pará e Goiás.
“Um dos líderes do grupo investigado, oriundo de uma conhecida família acreana, exercia papel central na coordenação das atividades ilícitas, articulando negociações e logística para o transporte das drogas”, afirmou o delegado Rodrigo Muniz.
A investigação também apura a utilização de mecanismos para ocultação de patrimônio, com movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
Os suspeitos poderão responder por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.

Apreensão de drogas
Em dezembro de 2022, a empresa também esteve no centro de outra polêmica quando um caminhão que transportava biscoitos Miragina foi apreendido com 468 kg de cocaína. Na época, a empresa divulgou uma nota afirmando que ‘não possuía qualquer responsabilidade quanto à guarda e transporte dos produtos por ela vendidos, tão logo sejam retirados pelos clientes em sua fábrica’.
A apreensão ocorreu na Unidade Operacional de Poconé, BR 070, pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), quando os policiais deram ordem de parada a uma carreta que seguia sentido Cuiabá.
Na fiscalização, pediram que o condutor estacionasse o veículo em posição segura e sem atrapalhar a rodovia, contudo, ele teve grande dificuldade para fazer as manobras, o que mostra que não tinha perfil de motorista profissional.

O motorista disse que levaria o caminhão a pedido de alguém que não conhecia pessoalmente. O veículo iria para o Rio Grande do Norte, onde seria entregue a um comprador do semirreboque, mas ele não sabia o valor.
Também afirmou que não tinha certeza se voltaria para casa e não sabia dar detalhes sobre a viagem. O motorista contou que carregou a mercadoria em uma fábrica de Rio Branco com destino a Parnamirim/RN.
Disse que seu patrão pediu para deixar as carretas em um depósito no fim de semana. Afirmou também que não conhece o contratante pessoalmente, apenas por mensagens em aplicativo.
Nota na íntegra da empresa sobre a operação
A Miragina S/A Indústria e Comércio vem a público esclarecer informações veiculadas acerca da “Operação Regresso”, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (11).
Diante das notícias que circulam, a Miragina S/A destaca que não é alvo, direta ou indiretamente, da referida operação policial. Não é parte investigada, não é mencionada no inquérito, e não é alvo de qualquer ordem judicial.
Apesar de ter comparecido à sede da empresa na manhã de hoje, a Polícia Federal não realizou qualquer de diligência em desfavor da empresa, que mantém suas atividades regulares e preza pela transparência e conformidade legal em todas as suas operações.
Dentre as diversas pessoas investigadas, do que se pode conhecer, a operação menciona uma pessoa ligada a uma das acionistas. Esta pessoa, contudo, não possui qualquer participação, cargo de direção ou vínculo administrativo ou trabalhista com a Miragina S/A.
Até o presente momento, os autos processuais encontram-se sob sigilo de Justiça. Por esta razão, a empresa e sua defesa técnica estão impossibilitadas de prestar maiores detalhes sobre o conteúdo da investigação.
Por fim, a Miragina S/A reafirma seu compromisso histórico com o desenvolvimento do Acre e com a ética que pauta sua atuação há décadas, permanecendo à disposição para eventuais esclarecimentos necessários às autoridades competentes.
Miragina S/A Indústria e Comércio
R/P Gilliard Nobre Rocha
OAB/AC 2.833 | OAB/RO 4.864