Rio Branco, AC 10 de fevereiro de 2026 18:24
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“Não se distraiam”: Kamai rebate narrativa de perseguição de Gladson e lista escândalos

Vereador e presidente do PT do Acre aponta contradições no discurso do governador, relembrando que investigações foram iniciadas por instituições ligadas a aliados políticos e citando apreensões recentes da Polícia Federal

Em uma publicação contundente nas redes sociais, o vereador e presidente estadual do PT, André Kamai, desmontou a narrativa de “assassinato de reputação” adotada pelo governador Gladson Cameli (PP). O comentário de Kamai vem em resposta a um desabafo recente de Cameli, que atribuiu o desgaste de sua imagem a ataques de adversários políticos.

Kamai, no entanto, pediu para que a população “não se distraia” e elencou fatos judiciais para contrapor o discurso de vitimização do chefe do Executivo estadual. O vereador destacou que as operações que miram o governo não partiram da oposição, mas sim de órgãos de controle durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem Cameli foi aliado declarado.

O “Brevê Falso” e a Operação da Semana Passada

Um dos pontos mais graves citados por Kamai refere-se à suposta falsificação da licença de piloto (brevê) do governador. A citação diz respeito a um desdobramento recente das investigações da Polícia Federal. Na última quinta-feira (5), a PF deflagrou uma operação para apurar se Gladson Cameli teria obtido sua habilitação de piloto de forma fraudulenta, sem realizar as provas práticas e teóricas necessárias, supostamente pagando para que terceiros fizessem os exames em seu lugar.

Kamai também mencionou a apreensão de “mais de meio milhão em dinheiro vivo” na casa do governador “na semana passada”, durante a mesma operação. Na ocasião, agentes apreenderam dispositivos eletrônicos e uma quantia em dinheiro em espécie.

A “PGR e PF do Governo Bolsonaro”

Ao afirmar que “não foram os adversários que o investigaram”, Kamai toca em um ponto sensível da defesa política do governador. A Operação Ptolomeu, que investiga uma organização criminosa envolvida em corrupção e lavagem de dinheiro no governo do Acre, foi deflagrada em 2021. Na época, tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) atuavam sob a égide do governo Jair Bolsonaro, a quem Gladson Cameli apoiou publicamente, inclusive durante a campanha de reeleição de 2022.

A fala do vereador busca desvincular as ações policiais da atual polarização política local, lembrando que o inquérito que apura desvios na saúde e na infraestrutura teve gênese em um período de alinhamento político entre o Palácio Rio Branco e o Planalto. O caso agora segue com o julgamento no STJ, já com o voto favorável à condenação proferido pela relatora Nancy Andrighi.

Para o presidente do PT, a estratégia é uma cortina de fumaça. “A escolha pela corrupção e a incompetência foi o que assassinou sua reputação”, finalizou Kamai, transferindo a responsabilidade da crise política diretamente para as escolhas administrativas e pessoais do governador.

Confira o comentário completo de André Kamai: “Não se distraiam. Esse papinho de vítima é para mudar o foco das coisas. Não foram os adversários que o investigaram, coletaram provas e o denunciaram. Foi a PGR e a Polícia Federal do governo Bolsonaro, que era seu aliado. E não fomos nós que, supostamente, falsificamos seu brevê e nem colocamos mais de meio milhão em dinheiro vivo na sua casa na semana passada. A escolha pela corrupção e a incompetência foi o que assassinou sua reputação.”