Ludimila Michele da Silva Monteiro foi apontada como mandante do assassinato de Mariane Félix, de 14 anos, morta em junho de 2019. Defesa afirma que vai recorrer da decisão ao TJAC.
Mais de seis anos após o assassinato de Mariane Félix do Nascimento, de 14 anos, a Justiça do Acre condenou Ludimila Michele da Silva Monteiro a 27 anos, 4 meses e 15 dias de prisão pelo crime. A sentença foi proferida nesta terça-feira (18) pela 1ª Vara do Tribunal do Júri de Rio Branco.
Ludimila foi condenada por homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima, meio cruel e envolvimento com facções criminosas.
O crime ocorreu em junho de 2019, no Ramal da Zezé, no bairro Belo Jardim II, no Segundo Distrito da capital acreana.
Investigação apontou vingança dentro de facção
Segundo as investigações, Mariane teria deixado o Bonde dos Treze (B13) para integrar o Comando Vermelho. Meses depois, ao tentar retornar ao B13, ela teria sido assassinada por integrantes da facção.
A polícia apontou Ludimila como responsável por ordenar a execução. Conforme a investigação, a morte teria sido determinada como forma de represália e também para servir de exemplo a outros integrantes que cogitassem deixar o grupo criminoso.
Na época, Ludimila negou ter cometido o homicídio, mas confirmou que havia integrado o Bonde dos Treze até ser presa, em agosto de 2019.
Segundo consta no processo, ao ser presa preventivamente, ela teria afirmado que matou Mariane porque acreditava que isso poderia fazê-la “subir na hierarquia da facção”.
Após deixar o presídio, Ludimila teria se afastado da organização criminosa e se mudado para Guarulhos, em São Paulo.
Outro acusado foi impronunciado
Ludimila foi pronunciada pela Justiça em dezembro de 2025, juntamente com Alexandre da Silva Cunha, apontado como responsável por fazer o encontro da adolescente com os criminosos.
Ainda naquele mês, porém, a Justiça do Acre decidiu impronunciar Alexandre, por entender que não havia indícios suficientes de autoria para levá-lo a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Adolescente foi morta com tiro e golpes de faca
Mariane foi encontrada morta com um disparo de arma de fogo na cabeça e perfurações de faca na região do pescoço.
De acordo com o processo, um vizinho contou à Polícia Militar que havia visto a adolescente acompanhada de outras pessoas no quintal de sua casa. O homem teria pedido que o grupo deixasse o local porque iria dormir.
Pouco depois de entrar em casa, ele ouviu os disparos. Por medo, não saiu para verificar o que havia acontecido.
O corpo de Mariane só foi localizado na manhã seguinte. O vizinho, com auxílio de outra pessoa, acionou o Centro Integrado de Operações e Segurança Pública (Ciosp), que solicitou a presença do Instituto Médico Legal (IML) para a remoção do corpo.
Defesa anuncia recurso
A defesa de Ludimila afirmou, em nota, que respeita a decisão dos jurados, mas discorda do resultado por considerar que a condenação foi contrária às provas apresentadas no processo.
Os advogados Jair de Medeiros e Carlos Roberto Lima de Medeiros informaram que vão recorrer ao Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) e buscar a reforma da decisão.
“Acreditando nas instituições e no duplo grau de jurisdição, a defesa irá recorrer da decisão ao Tribunal de Justiça do Estado do Acre, buscando a reforma do julgamento e a correta aplicação da lei ao caso concreto.”
A defesa declarou ainda ter convicção de que, na fase recursal, “a verdade dos fatos prevalecerá e a justiça será feita”.
A decisão da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Rio Branco ainda está sujeita a recurso.


