Rio Branco, AC 7 de julho de 2026 12:41
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Morre Benedito Ruy Barbosa, autor de ‘O Rei do Gado’, aos 95 anos

Dramaturgo morreu aos 95 anos e deixa novelas que marcaram gerações e revolucionaram a forma de contar histórias na televisão

O autor Benedito Ruy Barbosa, um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira, morreu nesta terça-feira (7), aos 95 anos, em São Paulo. O dramaturgo estava internado no Hospital HCor devido a complicações provocadas por uma insuficiência renal crônica.

Responsável por novelas que marcaram gerações, como Pantanal, Renascer e O Rei do Gado, Benedito Ruy Barbosa deixa um legado que transformou a televisão brasileira.

De acordo com o boletim médico divulgado pelo Hospital HCor na última segunda-feira (6), o autor havia sido diagnosticado com insuficiência renal crônica (IRC) há três anos. Desde então, enfrentava sucessivas internações em decorrência de infecções recorrentes no trato urinário.

Em janeiro deste ano, Benedito Ruy Barbosa ficou internado por cerca de 19 dias no Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, para tratar uma infecção urinária associada à insuficiência renal crônica.

Já em maio de 2025, ele foi internado após apresentar um agravamento do quadro de insuficiência renal crônica.

Na ocasião, precisou permanecer por alguns dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Em seguida, foi transferido para um quarto, onde seguiu em recuperação até receber alta médica.

Quem foi Benedito Ruy Barbosa

Natural de Gália, no interior de São Paulo, Benedito Ruy Barbosa nasceu em 17 de abril de 1931. A infância em Vera Cruz, cercado por cafezais e por comunidades de imigrantes italianos e japoneses, serviu de inspiração para muitas das histórias que escreveria ao longo da carreira.

Antes de se tornar um dos maiores autores de novelas do país, Benedito trabalhou como jornalista e redator publicitário. A estreia na televisão aconteceu em 1966, com Somos Todos Irmãos, exibida pela TV Tupi. O sucesso da produção abriu caminho para passagens por emissoras como Record, Excelsior, Manchete e Globo.

Autor transformou as novelas rurais em sucesso

Na Globo, Benedito estreou em 1976 com O Feijão e o Sonho e consolidou um estilo próprio ao retratar o Brasil rural em novelas que se tornaram clássicos da teledramaturgia. Entre os maiores sucessos estão Meu Pedacinho de Chão, Sinhá Moça, Cabocla e Paraíso, produções que marcaram o horário das 18h.

Em 1990, o autor revolucionou a televisão brasileira ao escrever Pantanal, exibida pela TV Manchete. A novela inovou ao apostar em locações reais e cenas externas, retratando a natureza e a vida no campo com um realismo até então pouco explorado na dramaturgia nacional. O enorme sucesso da trama influenciou diversas produções posteriores.

De volta à Globo, Benedito emplacou uma sequência de grandes sucessos com Renascer (1993), O Rei do Gado (1996) e Terra Nostra (1999). As novelas abordaram temas como coronelismo, disputas por terra, imigração e conflitos familiares, sempre conduzidos por histórias marcadas pelo amor, pela fé e pelos valores do interior.

Em entrevista ao projeto Memória Globo, o dramaturgo resumiu sua forma de escrever: “Na dramaturgia, nem tudo é imaginação. Muito é vivência”. Ele também costumava afirmar que “antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor”.

Nos anos seguintes, Benedito assinou a minissérie Mad Maria (2005) e participou dos remakes de Sinhá Moça (2006) e Meu Pedacinho de Chão (2014). Em 2022, sua obra mais emblemática, Pantanal, ganhou uma nova versão na Globo, adaptada por seu neto, Bruno Luperi, mantendo vivo o legado de um dos maiores autores da história da televisão brasileira.